DEPARTED

                                                      

Douglas, ou Dog, desceu na Quantico Station, levava uma bagagem pequena, pouca roupa, um laptop, na mochila os papeis que lhe tinham dado.

Perguntou como podia chegar à escola de Quantico.  Um velho olhou como dizendo mais um, lhe indicou o caminho. Quando saiu, viu um ônibus com uma placa, novos recrutas para Quantico.  Foi até ele, viu que um grupo de jovens como ele que se dirigiam para o mesmo lugar. Apresentou a carta, o motorista, disse que se sentasse aonde quisesse.

Foi se sentar no último lugar do ônibus, assim poderia observar seus novos companheiros.  Alguns deviam vir do mesmo lugar, pois pareciam se conhecer.

Do outro lado do corredor, sentou-se um loiro, alto, muito musculoso, com um sorriso de orelha a orelha. Price, disse estendendo a mão.  Estendeu a sua. A princípio o olhou desconfiado, pois ele era relativamente comum.  

Moreno, com uma mata de cabelos de fazer gosto, tão rebeldes como ele mesmo.  Como se referia seu pai aos filhos, que eram todos um cruze de italianos e puritanos irlandeses.   Ninguém tinha saído a sua mãe que era loira de olhos azuis.  Ele era o mais alto da família.  Tinha 2 metros de altura, um corpo alongado, músculos, suficientemente fortes, para aguentar as brigas com os irmãos que eram quase tão altos como ele.  Mas bastava um grito da mãe, para se comportarem todos.    O difícil, era ir à missa todos os domingos, isso não tinha jeito.  Se destacou nos estudos desde o princípio. Era um esportista medíocre, se comparando com os irmãos.   Então se dedicou a estudar como um louco, pois a única maneira de conseguir uma bolsa de estudos seria por suas notas.

Seu pai era o Xerife da cidade que viviam, perto de Sacramento, ou dentro da área metropolitana da capital, Davis não era pequena. Mas uma vida relativamente tranquila.  Passou a adolescência, juventude, estudando, trabalhava de noite num supermercado, ajudando a descarregar caminhões.  Colocar as mercadorias no lugar.  Isso formou que seu corpo tivesse músculos bem definidos.   Quando entrou para a Universidade, os entrenadores se fixaram nele, deixou que experimentassem de tudo com ele.  Futebol americano, uma nulidade, Basquete, outra nulidade, usava óculos, sem eles não via direito.  Até que desistiram.   A única modalidade que não tinham era arco, tiro.   Nisso na verdade ele era bom.

Dividiu quarto com mais três, que tinham bolsa de estudo como ele.  Todos uns fracassados no esporte.   As garotas os olhavam como dizendo Friki, viravam a cara para o outro lado, queriam os que faziam desporte.

Ele nem se preocupou, queria terminar a Universidade, conseguir um trabalho, fazer a sua vida, sempre tinha sido muito fechado, mesmo com os irmãos.

Era o querido de sua mãe, o único sempre disposto a ajuda-la em alguma coisa.  Com ela inclusive aprendeu a cozinhar, coisa que gostava de fazer.

Quando estava no final do curso, lhe chamaram para uma entrevista, nem sabia para o que eram, como estudava direito, imaginou que fosse algum escritório, selecionando pessoal.

Quando entrou na sala, deu de cara com quatro homens, todos vestidos iguais. Pareciam saídos de um filme.

Teve vontade de rir. Pois ele gostava de vestir-se da maneira mais relaxada possível.  Mas pensou vamos ver o que querem estes.

Não era para um escritório, sim para o FBI.   Achou estranho, inclusive argumentou, que base usaram para me selecionar?

Seu destaque nos estudos, inteligência, sabemos que eres excelente em tiro ao alvo, disso precisamos.  Depois da entrevista, o mandaram com um grupo de alunos já selecionados, para um prova escrita, entrevista com psicólogos.

Segundo soube na prova escrita, tinha tirado a nota mais alta.   Isso que ele não sabia nada como seriam as perguntas.  Mas usou a logica para responder a todas.

Na entrevista com os psicólogos, lhe perguntaram se não tinha namorada.   Ele riu, vê minha cara de Friki, quem dessas garotas quer um cara assim.  Estão loucas pelos que fazem algum desporte.  Querem se amarar o mais rápido possível.   Isso não está nos meus planos, sem querer soltou que seu irmão pequeno, que não gostava de estudar, com 19 anos já estava casado, com um filho.   Caiu na rede cedo demais, que pode esperar da vida, a não ser um trabalhador braçal.

Tenho ambições, quero ser alguém, que possa usar a minha cabeça.  Pensar, resolver problemas.

Quando lhe perguntaram o que mais gostava de fazer.

Gosto as vezes de me sentar nos jardins da Universidade, ficar observando os grupos, analisando aonde vai chegar cada um.  Achei inclusive que invés de Direito, deveria ter feito psicologia.

Dias depois lhe deram uma data, para mais uma entrevista, desta vez em San Francisco.

Só então comentou primeiro com o pai.  Este o abraçou forte, caramba filho, eu não passei nos testes, acabei na polícia daqui.  Mas não diga nada a tua mãe, ainda, espere tudo terminar, quando vieres para o Natal, comentas.  Senão vai se preocupar antes do tempo.  Assim no Natal teus irmão terão um motivo para brigar contigo.

A entrevista em San Francisco, foi excelente, mas o levaram a um campo de tiro.  O fizeram atirar com um rifle, depois com uma arma curta.  Depois o levaram com os outros finalistas, que eram poucos a um ginásio.  Ali havia um imenso tatame, teriam que mostrar suas habilidades lutando corpo a corpo.  Observou todos primeiro, quando chegou a sua vez, escolheu um tipo tão alto como ele, mas super forte.  Em dois segundo o tinha dominado.

O professor o elogiou.  Te defendes bem.

Claro vivas numa casa, em existem cinco rapazes todos com hormonas a gritos, tinha que saber me defender, embora fosse o mais alto.   Porque diziam, como era alto, era fácil de tumbar.

Lhe avisaremos, a data que deves te apresentar em Quantico, para começar os treinamentos.

Acabou o curso, enquanto todos iam ao baile, arrumou sua bagagem, colocou tudo no seu velho carro.  Na hora que ia saindo, um outro estudante, perguntou para aonde ia.  Sacramento.

Posso ir contigo, o amigo que ia me levar, foi para o baile, um minuto que vou buscar minha bagagem.

Fizeram camaradagem logo no princípio.  Quando perguntou ao outro porque nunca o tinha visto. 

Claro impossível, inclusive compartimos mesa na biblioteca, mas estavas com a cabeça dentro dos livros. Eu estudei História da Arte, tu sabes o que significa, além de Friki, gay.  O meu companheiro de quarto, se dedicava ao esporte.  Então volta e meia tinha que deixar o quarto para ele fazer sexo com suas admiradoras.  Mas tampouco nunca me encheu o saco.

Mas eres gay?

Sim por quê?   Nunca tiveste um relacionamento com nenhum.

Nem falamos o nosso nome, pode me chamar de Dog,  tu?

Travis, um nome banal.

Respondendo a tua pergunta, creio que passei a universidade como entrei, virgem.  Como era um Friki, não passei disso.

No meio da viagem pararam para descansar, estirar as pernas, andaram pela lateral da estrada, a noite estava linda, lua cheia.

Pois eu vou ser honesto contigo Dog, sempre estava te olhando com a esperança que me deste uma olhada.

Ele começou a rir, meu pai tinha razão numa coisa, me dizia para relaxar, que tudo correria bem, mas que se eu continuasse enfurnado nos livros, não teria tempo de conhecer ninguém.  Isso aconteceu, não fiz amigos, não me enturmei em nenhum grupo, nem nos dos Friki.  Continuo virgem.

Num determinado momento, se viraram de frente um para o outro, sentiram-se atraídos, se beijaram.  Dog, nunca tinha beijado ninguém, nem imaginava o que sentiria.  Todo seu desejo reprimido todos esses anos, estalaram.

Não lhe importou nenhum momento estar beijando outro homem.  Se adentraram aonde estavam, atrás de uma árvore, fizeram sexo.

Caramba para quem nunca fez sexo, eres bom demais.

Creio que me deixei guiar pelo instinto. Como só os esperavam para o dia seguinte, resolveram parar num motel de estrada, ficaram basicamente fazendo sexo a noite inteira.

Nos intervalos falavam, mais o Travis que contava seus planos, iria estudar história da arte em NYC.   Tinha conseguido um emprego, para trabalhar numa galeria de arte.

Na verdade, conheci o dono, numa discoteca, fizemos sexo, me convidou para ir.  Mas não quero nada mais com ele.

Durante os dias que esteve em sua casa, encontrava sempre algum motivo para sair, chamar o Travis, estar algum momento com ele. Nunca tinha pensado nisso, tampouco tinha sentido atração por outro homem, pensou, isso me passara, estou aproveitando a oportunidade para fazer sexo.

Finalmente recebeu a carta com seu número de inscrição.  Travis já tinha partido para seu novo destino.  Tinham se despedido, passando a noite num motel.

Sua mãe lhe perguntou quem era a garota com quem ele estava saindo.   Enrolou ao responder, que ninguém que importasse.

Agora em Quantico, observou, que havia muitos musculosos, quando designaram seu companheiro de quarto, lhe tocou justamente o do ônibus.  Este disse, pelo menos nos conhecemos.   Como se conhecessem de longa data.

O quarto era bem dividido, sabia que se passasse nas primeiras provas, futuramente teria um só para ele.

Os banhos eram coletivos, aquela quantidade de homens todos nus, tinha medo de ficar excitado, treinou sua cabeça para que fosse a coisa mais normal do mundo.

Voltava do banho, Price, estava de costa vestindo cuecas, tinha uma senhora bunda. Sem querer ficou meio excitado. Mas se vestiu rapidamente, pois tinha que tomar café, as primeiras aulas.

Aulas teóricas, práticas, lutas, exercícios, correr etc.   Era como estar no exército.  Tudo que pensou, vou me fuder nisso tudo, nunca fui bom nos esportes.   Dias antes, tinha ido à um oculista, agora usava lentes de contato.  Isso lhe fazia as coisas mais fáceis.

Mas ao contrário logo se destacou, nas lutas corpo a corpo, nas aulas de tiro, aprender a montar e desmontar uma carabina, ou um revólver.  Fazia tudo com suma precisão.   Alguns lhes fazia graça, pois ele não tinha sentido de humor.   Isso era uma coisa que seu pai sempre lhe chamava atenção, enquanto os irmãos contavam piadas, ele tinha que se esforçar para pelo menos esboçar um sorriso.

Tinha um sentido de observação, elogiado pelos professores.  Nas aulas que tinha sempre alerta,  para perceber qualquer movimento suspeitos, ele era o melhor.

Seu amigo Price lhe perguntou se não gostava de beber, ou fumar.

Estava distraído, lendo um manual.  Levantou a cabeça, não tinha entendido a pergunta.

Este reformulou, que não tinha o visto nenhum dia na cantina, bebendo com os outros. 

Não me faz graça nenhuma, em casa tínhamos liberdade para provar, meu pai sempre tomou suas cervejas,  não gostei do paladar.   Fumar, até tentei com meus irmãos, pois todos fumam.  Isso de ficar engolindo fumaça, soltando pelo nariz, começou a rir ele mesmo, pois tinha se lembrado de um dia que junto com os irmãos, estavam todos experimentado fumar. Ele se engasgou, perdeu o folego, ficou vermelho como um pimentão, pensavam que passava mal.  Se entregaram porque chamaram seu pai imediatamente.  A bronca foi geral.

Como o outro ficou intrigado, contou a história, imagina que meu pai era muito severo, xerife da cidade.  Meus irmãos me acusavam, mas ele não acreditou.

Nunca mais me chamaram para fumar com eles.

Como te vejo sempre enfiando nesses manuais.  Até agora dizem que eres o melhor aluno, mas tens que pensar, quando estiveres fora daqui, terás que atuar com um companheiro, em grupo, nisso é necessário camaradagem.

Tens toda a razão, terei que me esforçar nesse sentido.   Quando fores a cantina, me chame, mas não me coloque nos grupos dos idiotas que ficam rindo à toa.

Saiam juntos, para tomar uma cerveja, embora a sua sempre sobrasse metade, lhe ofereciam cigarro, agradecia, mas não fumava.  Entravam em discussão sobre algum treinamento, ou coisas do manual, Travis logo dizia, ele sabe todos.  Explicava o que os outros não tinham entendido.  Travis logo tomou confiança com ele, andava nu pelo quarto.  Um dia lhe perguntou por que fazia isso.

Para ver se te interesso, porque tu sim me interessa.

Fingiu que não entendia.  Um dia tinham tido treinamento numa piscina, ele tinha descoberto tarde que gostava de nadar, se não tinha nada mais a fazer, perguntava ao professor, se podia ficar mais um pouco.  Claro aproveite. 

O que mais gostava, era mergulhar de um lado, sair do outro, primeiro foi aos poucos, até que um dia já conseguia atravessar a piscina inteira.  Quando saiu do outro lado, Travis estava sentado na beira da piscina, com uma cara triste.

Algum problema, pois viu que este tinha um papel nas mãos.

Acabo de saber que minha mãe morreu.  Só agora me avisaram, foi a mais de uma semana. Coisas do meu pai, diz que era para não me incomodar.  Filho da puta.  Deve estar se sentido livre, leve solto como um pássaro.

Eles viviam pela conveniência, nunca entendi isso. Não se separavam, nem divorciavam porque as pessoas podiam falar no seu círculo de amizades.   Cada um tinha seus romances.  Fui enviado para uma escola interna com 12 anos, só sai para a Universidade.

Final de ano, natal essas coisas, ia para casa, mas ficava sozinho, pois eles tinham compromissos.  Bom pelo menos não tenho que ir a um enterro, fingir que sinto alguma coisa, fazer cara de sofrimento, nada disso.

Joga essa carta no lixo, mude de roupa, venha relaxar, a água está ótima.  Ficaram ali apostando quem mergulhava mais tempo, ou quem conseguia atravessar a piscina de um folego só.  Num dado momento, no meio do mergulho, viu que ele vinha em sua direção, o segurou, lhe beijou a boca.   Foi tremendo. Subiu à tona, ficaram se olhando sério um para o outro.

Sinto muito se te assustei Dog, me desculpa.

Foram embora para o alojamento sem dizer uma palavra.  Dog tinha medo, se descobrissem podiam lhe mandar embora.

Por sorte, acabou-se o curso, só ficaram os que tinham passado nas seleções, agora mudariam de alojamento, cada um teria um quarto só para si.  Mas claro lhe tocou um quarto ao lado, Travis.

Não tinha tentado mais nada.  Mas sempre lhe tocava ele, quando tinham que fazer algum exercício em conjunto.  Quando lutavam, este exibia uma agressividade fora do normal. Um professor lhe chamou atenção.  O exercício está correto, mas tu, estas fora de controle.

Veio lhe pedir desculpas, é que sem querer me deu raiva que não quisesse nada comigo.

Price, aqui todo mundo está nos observando, não creio que devemos querer nada disso, pode nos prejudicar.

Dog, o que acontece é que estou louco por ti, não me pergunte por que, mas talvez porque sei que não me queres.

Não é bem assim, mas se quero fazer uma carreira aqui dentro, não quero que nada estrague, isso poderia ser perigoso para os dois.  Vamos terminar o curso para ver, o que acontece.

Não estas me rechaçando então?

Não, apenas sou precavido.

A merda com isso, entrou no quarto, o beijou desesperadamente, não teve como não corresponder.  Fizeram um sexo com ânsia.

Agora sei que não te sou indiferente.

Passavam mais tempo juntos, embora procurassem fazer exercícios com outros companheiros. Tinha um em especial que se dava bem nos exercícios que fazia com Dog.  Tinha o mesmo tipo de análises dos acontecimentos.   Eram capazes de analisar qualquer situação.   Quando estavam na cantina, estava sempre falando pelo celular com sua namorada.

Um dia se abriu com Dog, ela quer se casar de qualquer jeito, quer filhos, família.   Mas acho que com essa profissão isso seria uma merda.  Não quer me entender.  Quer ficar discutindo isso por celular.  Acho que esta interessada em alguém, mas está nas dúvidas.  Pior do outro lado fica minha mãe que é amiga da sua, uma pressão de merda.  Mas não a amo, estou com ela por comodidade.

Agora conversava mais com Robert, sua cabeça funcionava como um jogo de xadrez.  Uma vez fizeram um exercício, que consistia em movimenta as fichas de xadrez, memorizar o movimento, sem nenhuma peça em cima.  Foi divertido, na final um encarou o outro.  Os outros em silencio observando.   Ele ganhou.  Robert não recebeu de muito bom agrado a derrota.

Depois reconheceu que não sabia perder.

Nessa noite, estava estudando na cama, bateram na porta, pensou que era o Price, se enganou, era Robert.

Tenho que falar contigo.

Pode falar, não estou chateado contigo. 

Depois de muito analisar, porque perdi, cheguei a conclusão, que tinha sido porque fiquei olhando os teus olhos, saberia dizer agora, todos os matizes que tem, fiquei com vontade de te beijar.

Como? Que merda é essa Robert.  Ele não lhe atraia em nada.

Me desculpe, creia que estávamos bem, nossas cabeças são idênticas.

São nada Robert, eu aceito uma derrota, quando perco, já percebi que para ti, é como uma competição tudo, se não ganhas perdes o controle totalmente.  Não gosto muito disso não. Fui educado saber quando ganhar, quando perder. 

A voz do outro foi se levantando de tom, quase gritando, como se atreves a me criticar.

Price saiu do seu quarto, bem como alguns companheiros.  Te peço desculpas, tu me acusas de não saber perder, me ofende. Lhe deu um empurrão, levantou o punho, mas foi segurado por detrás pelo Price.

Mas, já era tarde, o que controlava o grupo todo, apareceu.  Já conhecia a fama do Robert, tinha causado problemas desde o primeiro dia, reclamado de compartir quarto, com outro candidato negro.  Tanto fez que esse pediu para trocar de companheiro.

Já tinha levado várias advertências. Essa agora era demais.  Não sabia perder nas lutas, queria sempre continuar até vencer. Por mais que o professor mandasse parar ele insistia que tinha que ganhar.    Um dia deu um soco no professor, porque não o tinha deixado ganhar a luta.

Agora outra vez com um companheiro.  Alegou que este o tinha distraído de propósito.

Robert, o trabalho é gravado em vídeo, tu te distraíste sozinho.   Deixa de lenga, lenga, peça desculpas de uma vez, depois venha comigo.

Mas ele não se desculpou, sabia que depois de tantas advertências, lhe expulsariam.  O encarregado disse que inicialmente ele não tinha passado nas entrevistas de psicologia, mas seu pai era Senador. Tinha insistido muito.

No dia seguinte um carro oficial, veio busca-lo.   Os grupos agora pareciam trabalhar melhor.

Travis, que tinha escutado o que o outro tinha dito.  Então enganas os outros oferecendo sexo. Ficou extremamente zangado, nunca faria isso.

Tens um defeito como ele, não tens sentido de humor.

Ele foi falar com um psicólogo, por conta própria, explicou sua situação, mesmo em casa me dizem que não tenho sentido de humor. Que estou sempre levando tudo a sério.

Já pensaste no porquê?

Bom a maioria das vezes estou analisando alguma coisa, o fato de uma pessoa querer me distrair com uma bobagem, me irrita.  Embora preste atenção no que ela diga, verifico se tem doble sentido. Mas claro estou tão concentrado nisso, que apenas esboço um sorriso, quando querem uma gargalhada.  Vamos treinar essa gargalhada.

Lhe ensinou como devia fazer, prestar atenção, finja que não entende, então conforme a cara de quem te conta a besteira, ria da cara da pessoa.

Ele começou a praticar isso, nos grupos que se reunião para tomar uma cerveja.  Agora, parecia fazer mais parte do grupo.   Embora no fundo ele não tivesse visto nada divertido.

Com Price, não funcionou, pois este o provocava para o fazer rir. Tentava por todos os meios escapar de fazer sexo com ele.   Seu medo que o descobrisse era grande.

Quando acabaram o curso, alguns estavam namorando alguma companheira, eles não.   Price foi mandado para uma embaixada no exterior.   Ele para o escritório de San Francisco.   Logo se destacou pelo seu senso de observação. Podia observar um vídeo, dizer aonde estava a pessoa que procuravam.

Logo foi ascendido a supervisor de um grupo.  Primeiro pensou que ia sair mal, que teria que sair com este para tomar uma cerveja.   Mas agora tinha seu apartamento, levava uma vida em que não sobrava tempo para muita coisa.

Um dia saia de casa, esbarrou com um vizinho.   Sentiu algo no primeiro momento. Se apresentaram, o outro tinha acabado de mudar-se.  Todos os dias pela manhã, saiam no mesmo horário.   Uma vez se encontraram os dois correndo.   Estás de folga hoje, o outro respondeu que sim.   Ficaram conversando, foram almoçar juntos.

Quando se perguntaram o que cada um fazia, os dois responderam o mesmo. Trabalho para o governo.   O vizinho era de outro departamento do FBI.   Riram muito, não consigo escapar, sempre me cai alguém por perto.

A amizade ficou forte, não trocavam informações, pois era proibido, mas falavam de outras coisas que os dois gostavam.   Corriam juntos, iam nadar, almoçar, jantar.  Um belo dia, este o convidou para sua casa.  Até parece que moramos longe um do outro.   Vou fazer um jantar, assim conheces meu apartamento.   Brincando disse que ele devia ter um alto poder aquisitivo, pois o seu tinha uma vista espetacular.

Podes vir sempre aqui observar.  Sem saber muito bem por que, acabaram na cama, os dois se conjugavam bem.  Gostavam de fazer sexo um com o outro.  As pessoas que conheciam lhes chamavam de DogFred, como se fosse uma coisa só. Frederico era descendente de italianos, tinha um temperamento o oposto do dele.

Mas no departamento, nunca estava juntos.   Dog, agora estava com seus horários complicados, pois estavam seguindo um grupo de traficantes, que tinham assassinado, vários de um grupo rival.  No meio dessa confusão tinham matado gente inocente que estava pelas ruas.   Ele é seu equipo estavam atrás dos chefes, não lhes interessava muito os debaixo.

Ele era o elo de ligação com um agente infiltrado.   Este podia lhe chamar a qualquer hora do dia ou da noite.   O bom disso era que Fred entendia.  As vezes estavam fazendo sexo, interrompiam porque o celular tocava.

A ele nada chamava nunca, não saberia dizer em que parte do departamento ele trabalhava.

Estava realmente apaixonado pela primeira vez. Um dia soube que Price, tinha desaparecido, estava numa embaixada num dos novos países da antiga Rússia, ninguém sabia dele.

Ficou realmente chateado, mas seu dia a dia era realmente complicado.   Quando foram prender finalmente o cabeça do grupo.  Acabou levando um tiro no ombro direito.   Mas seguiu trabalhando no caso, agora com um braço no cabresto.   Lhe doía, mas aguentava, todos comentavam porque ele não tinha acesso de mal humor por causa disso.   Ninguém tem culpa que eu tenha sido ferido.  De noite Fred, se ocupava de fazer curativos, lhe dizia sempre devias fazer fisioterapia.  Porque isso pode afetar o movimento do braço.  Sentiu isso quando foi fazer um exercício de tiro.

Finalmente entrou em razão.  Fazia fisioterapia quase todos dias da semana, até que ficou bem.

Quando pensava, vou apresentar o Fred a minha família, assumir nossa relação, pois falavam de viver juntos.  Fred foi transferido.   Não podia dizer o que ia fazer,  mas era coisa de alto risco.

Nunca tinha se sentido sozinho, agora sim.  As vezes agora, sentia necessidade de sexo, como em San Francisco era relativamente fácil, encontrava algum parceiro.  Mas não deixava passar de uma noite. Na verdade, nem ele, tampouco o Fred, diziam que se amavam.   Não sabia definir.  Com alguns parceiros se saia bem, com outros nem tanto.   Um dia vinha pela rua, subindo para seu apartamento, quando alguém lhe chamou pelo nome. Olhou o sujeito, não lhe era desconhecido.  Rebuscou na sua cabeça, era o dono de um restaurante que ia de vez em quando.   Foram tomar alguma coisa, conversar.  Faz tempo que não vais ao restaurante, ias sempre com teu amigo, o bonitão.

Queres dizer que sou feio?

Rindo lhe disse que não, era sério.  Tu sempre estava prestando atenção em tudo, inclusive uma vez que estiveram lá, soubeste que estava doente, ao sair disseste ao funcionário da caixa que esperava que melhorasse.   Nem sabia que notavas em mim.

Agora, sou eu que vai brincar contigo.  Como ia esquecer um bonitão como tu.  Estas casado?

Não, sabes que sou gay. Por isso me interessei por ti.  Não tenho muitas relações, primeiro não me sobra tempo, depois meus horários.  Nem vai ficar até tarde da noite esperando uma pessoa para fazer sexo. 

Não sei, eu gosto que me despertem para fazer sexo.

Começaram a sair, ou melhor, Guido quando saia do restaurante, passava por sua casa.  Vivia com sua mãe, a um quarteirão da casa do Dog.  Era interessante, ele devia saber algo do seu trabalho, pois jamais perguntava nada.

Um dia lhe questionou sobre isso.  Porque não perguntava.

Já te vi uma vez com o jaleco do FBI, em ação, sei que não podes comentar o que tens entre mãos.   Por isso para que perder tempo.  Sempre trazia comida, ou alguma coisa para o café da manhã.  Talvez por isso se entregou completamente a relação.   Um belo dia Guido chegou muito nervoso.   Preciso de tua ajuda.

O que passou?

Apareceram uns tipos novos no bairro, são uma gang, já tinha escutado falar neles, apareceram hoje de manhã, dizendo que se não pagássemos uma vez por mês uma quantia, a coisa ia ficar preta, mas seriam nossos protetores.    A princípio pensei que eram da máfia, mas é uma mistura, alguns negros, outros sei que são chicanos, não sei te definir o que são.

Vamos fazer o seguinte, instalamos câmeras no restaurante, quando vierem me mostra.  De qualquer jeito vou me informar, com os responsáveis por gangs.

Era um conhecido da época da academia, este disse que sim, não sabiam de aonde tinha saído, acreditavam que eram gente do próprio bairro, aonde estão mesclados. Não conhecemos a cara deles.

Contou que um restaurante que frequentava, o dono tinha sido ameaçado, lhe disse para instalar uma câmera de vídeo, para podermos ver.  Pois diz que aparecem de cara descoberta.

Dito e feito, semanas depois, apareceram para cobrar.  Ele disse ao Guido que pagasse a primeira vez.  Precisavam disso, o que parecia o chefe, disse que da próxima vez, ele devia pagar como os outros.   Voltaremos em cinco dias.

Analisaram a cara dos homens.  Alguns vinham de reformatórios, é o que parecia o chefe, já tinha estado na prisão, por assalto a mão armada.

Cinco dias depois conseguiram prender o grupo.  Com isso conseguiram que os outros comerciantes aceitassem colocar câmeras de vídeo para poderem agir.

Um dia, Guido foi abordado na rua, levava dinheiro ao banco, para pagar uma letra, se negou a entregar o dinheiro, lhe deram um tiro na cabeça.   Ficou dias entre a vida e a morte.

Foi ao seu enterro, sentia sua perda, será que não tenho sorte com as relações.

Sua mãe sempre estava lhe cobrando que se casasse, todos seus irmãos o estavam.

Voltava de ter passado um final de semana livre em Sacramento, quando lhe chamaram para apresentar um novo para seu grupo. Era o Price, me disseram que tinhas morrido. 

Estava de infiltrado numa gang de tráfico de mulheres.

Saíram para comer, então choraste pela minha morte.

Honestamente não, lamentei, isso sim.  Sempre gostei de ti. Então esse sentimento ressentiu-se.

Tens alguém na tua vida?

No momento não, o rapaz com quem tinha alguma coisa, morreu assassinado, um assalto em plena luz do dia.

Que merda.  Posso ir viver contigo. Imagina que todo esse tempo, estive passando por outro.

Achas que isso pode interferir no nosso trabalho?

O apresentou ao grupo, contando que tinham sido companheiros de academia, inclusive tinham compartido quarto.  É um pesado, aviso, mas excelente companheiro, cuidem bem dele.

O bom que os dois nunca levavam o serviço para casa, nunca comentavam nada a respeito do trabalho que faziam. Estavam para fazer quatro anos convivendo, agora tinha certeza que amava o Prince,  este um dia comentou na cama, que o amava desde o dia que o tinha visto no ônibus, sentado na ultima fila.  Pensei que inteligente, sentou-se ao final para observar os que entram, o filho da puta já está trabalhando.  Me apaixonei no ato.

Estavam trabalhando num caso complicado, uma gang que sequestrava garotos, os viciava em drogas, os colocava para se prostituirem ao mesmo tempo vender drogas.  Um conseguiu escapar, este contou tudo.  Era uma testemunha protegida.

A operação foi um sucesso.  Justo no dia que tinham que transferir o garoto para o julgado, Price disse que tinha um problema para resolver.

Na hora que transferiam a testemunha por uma entrada lateral, começaram os disparos, Dog se jogou em cima do garoto para o proteger. Acabou levando uma bala no ombro esquerdo, uma na perna, outra que passou raspando na parte detrás de sua cabeça.  Dali foi direto ao hospital, já muito mal.   Depois das operações correspondente, ficou pelo menos uma semana em coma.

Quando despertou, ao lado da cama estava sua mãe, procurou Travis com o olhar, mas não estava ali.   Quando apareceu um dos seus amigos do grupo, perguntou por ele.  Pensei que sabias foi transferido.

Nem esperar para vê-lo, ficou extremamente magoado.   Dias depois quando já estava sentado na cama, sua mãe trouxe um envelope, ele percebeu imediatamente que ela tinha lido o conteúdo.   Era do Travis, era do mesmo dia, que o tinham baleado.  

Ontem cometi uma besteira, mas o problema resolvido, tenho que partir, porque senão a coisa vai ficar feia, aceitei um trabalho novo, outra camuflagem.  Deixei umas coisas você sabe donde.   Mas nunca se esqueça que te amo.

Eles tinham um lugar secreto no apartamento, aonde escondiam coisas.  Teria que esperar ir para casa para saber o que era.

O único comentário de sua mãe, foi que ele tinha que endireitar sua vida.

Não respondeu.  Que merda deve ter feito para aceitar outro trabalho que não queria.

Quando voltou para casa, seus pais queriam ficar, mas ele não suportava mais, ter que escutar o que sua mãe dizia, formar família, ter filhos.

Um dia explodiu, querida mãe, ainda não entendeste que sou gay, GAY, gritou bem alto, será possível que não possas me deixar em paz.   Jamais me casarei, nunca te darei netos.

Foi como falar com uma parede.  Pediu pelo amor de Deus ao seu pai, que a levasse para Sacramento, o velho entendia.  Colocou a mão no seu ombro, filho, te amo como eres, não se preocupe, temos netos chatos em demasia.

Quando começou a andar, tomou uma resolução, foi a uma Loja imensa, comprou, calças, pretas, camisetas, camisas, gravatas, botas de camurça negra, cuecas, tudo negro, a partir desse dia estava de luto permanente.   Entendeu que não podia amar ninguém, pois o perdia.

Quando se lembrou novamente do esconderijo, foi olhar.  Havia um envelope, cheio de fotos, dos dois em casa, nus, abraçados, se beijando, fazendo sexo.  No final de todo, dizia, olhe de onde fizeram as fotos, do apartamento de frente.  Quem as fez, foi o Robert, pensavam em nos chantagear, mas a coisa saiu mal.

Procurou pela internet, o que tinha acontecido no dia que tinha levado os tiros.  Falava do suicídio do filho de um querido Senador.  Ele é seu amante, tinham se atirado do edifício em frente ao seu.   Merda, com certeza foi ele que os atirou.

Evidentemente se as fotos chegassem as mãos dos diretores, estavam perdidos. Procurou pelos registros policiais o que tinha acontecido.  Estava como uma briga de amantes, um tinha jogado um, depois saltado, mas a autopsia dizia que o mais velho tinha marcas no pescoço, o outro um tiro.

Isso foi coisa do Price.

Voltou a trabalhar, ninguém sabia informar aonde ele estava. Agora todos comentavam porque andava sempre de negro.  Estou de luto permanente por esses garotos que não pudemos salvar. Apesar do testemunho do que tinha escapado, nunca encontraram os outros vivos, os iam encontrando espalhados pela cidade, mortos.

O chefe da gang, acabou assassinado na prisão num ajuste de contas.

Se passaram 10 anos, nunca teve notícias do Price.  Com o tempo, procurou se ocupar em outras coisas. Ocasionalmente tinha um encontro, mas nunca era o mesmo, descobriu que procurava pessoas que se parecessem fisicamente a ele.  Então deixou a coisa para trás.

Estava decidido a deixar o corpo, agora sua paixão era o mar.  Comprou um veleiro, o condicionou junto com um velho marinheiro que fazia esse tipo de serviço.  Isso lhe ocupava todo o tempo livre, depois quando ficou pronto, o velho o ensinou como a manejar, pois riu muito quando ficou pronto, que lhe tivesse dito, que não sabia nada de navegação.

Saiam os dois a pescar, levavam mantimentos, cervejas.  Isso fazia sua alegria.  Era um segredo de estado.  O velho lhe perguntou uma vez porque não tinha nenhuma companheira.  Já não estava mais para se esconder de nada.   Porque sou gay meu amigo.  Mas prefiro ficar sozinho, todas as pessoas que me apaixono, ou me abandonam ou morrem. Então fico sozinho.

Quando aparecia depois de um final de semana, queimado do sol, todos comentavam, como lhe ficava bem.  

Um dia estava esperando para uma reunião, quando escutou através de uma porta fechada, que discutiam os ascensos do pessoal.   Quando mencionaram seu nome.   É excelente no que faz aqui, mas é gay, isso podia ser um problema em qualquer outro lugar.  Apesar de discreto, com a morte do filho do Senador, este nos entregou uma série de fotos dele com o Agente Travis, que ninguém sabe aonde está.   Os de cima dizem que numa missão altamente secreta. Nada mais.

Então era por isso, Travis não tinha resolvido tudo.  Estava pagando o pato por uma coisa que todos sabiam.

Resolveu ir embora, quando lhe chamaram para a reunião, disse que se apanhassem sem ele, estava muito ocupado, e que esta seria o último trabalho que fazia para o FBI.

Tinha direito a uma aposentadoria precoce, com todos os direitos incluídos.

Estava muito distraído,  no meio de um tiroteio, viu que uma mulher saia do edifício com um carrinho de bebe.  Gritou, mas esta parecia não escutar, correu como um louco, se jogou, fazendo com que a mulher, o carrinho, entrassem pela porta outra vez.

Mas sua valentia custou caro,  Um Tiro destroçou seu ombro, outro passou raspando seu coração.  De novo para o hospital.  Tiveram que fazer uma operação de emergência, o médico comunicava a família, que tinha escapado por centímetros da bala.  Ninguém entendia por que não estava com o colete.   Na verdade, ele estava justamente mais atrás, vestindo o mesmo.

Novamente muito tempo em coma, desta vez despertou escutando duas pessoas falando baixinho, uma era sua mãe, o outro demorou para reconhecer a voz.

A senhora sabe que amo seu filho, não me julgue porque tive que ir embora, não me esqueci dele nem um dia nesses 10 anos.  Mas tive que mudar de aparência, inclusive me casar, para conseguir o que o FBI queria.  Mas quando soube do que tinha acontecido, vim correndo, a merda tudo isso. Operação sigilosa, eles que se apanhem.

Abriu os olhos, quase não o reconheceu, cabelos brancos misturados com os loiros, barba totalmente branca, mais magro, olhos fundos. Mas só de escutar sua voz, tinha vontade de gritar.

Abriu os olhos, viu que quem segurava sua mão era ele. Sua mãe só olhava.

Deixou que os médicos o examinassem, retirassem o tubos que lhe impediam de falar. Ai pediu para ficar sozinho com ele.

A primeira coisa que disse foi. FILHO DA PUTA, dez anos, agora apareces como se nada.  Desta vez estas fudido, não adiantou nada a merda que fizeste, eles tem as fotos na mesma, o pai do Travis tinha copias, entregou aos chefes.   Esse foi meu último trabalho, vou cuidar da minha vida.   Acredite ou não, não sei se tenho lugar para ti ao meu lado. Não me toques mais, até ter resolvido tudo.

Consegui trazer a mulher com quem me casei, forçado, terei que esperar para pedir divórcio, isso ela também quer. Recomeçar sua vida aqui.   Estive na Rússia todos esses anos, passando por um agente duplo.  Mas não posso mais, quero estar contigo. Vou resolver, volto.

Apesar da operação ele jamais poderia voltar outra vez a atirar, os movimentos do seu braço direito eram lentos, seria uma recuperação, lentíssima, teria que ficar num posto de chefia, mas sem nada que fazer.   Papeis, mais papeis.

No dia que esteve bem, foi para o FBI, estava sentando em sua sala com o papel em branco na sua frente.  Já tinha colocado suas poucas coisas numa caixa. Quando escutou uma confusão, foi ver o que era.   Na universidade tinha estourado uma protesta, se falava em bomba, seguido por agentes, foram para lá.  Quando chegou, a confusão era muita, não conseguia entender o que gritavam.    As consignas era Coração, é uma bomba.  Porra claro que o coração era uma máquina que bombeava o sangue.

Um bombeiro veio lhe dizer que o que tinha levantado essa confusão estava numa ambulância.

Tem um problema de coração, mas já está estabilizado.

Quando chegou, viu basicamente um garoto de não mais de 16 anos, que ria e chorava ao mesmo tempo.  Repetia sem parar eu consegui, eu consegui.

Sentou-se ao seu lado, segurou a sua mão.   Este olhou para ele surpreso.  Tu, então é verdade?

O que é verdade?

Sonho contigo a tempos, mas pensava que eram sonhos. Pois nunca tinha te visto.

Meu sonho se realizou.

Achou que ele devia estar drogado, negro, jovem, só podia estar drogado.  Perguntou ao enfermeiro, este disse que não.

Pode me contar o que aconteceu.

Não, quero contar com meu irmão na frente, nunca acredita em mim.

Podes andar?

Claro que posso andar, imagina, não estou inútil ainda.

O levou até seu carro, avisou os agentes, que o levava para a central.   Podia tê-lo levado para uma sala de interrogatórios, mas o levou para sua sala.

Agora me conte o que se passou?

Ele ria, deu um número de celular, meu irmão se chama Andrew, pode lhe chamar por favor.

Assim o fez.  Em que ele se meteu desta vez, ele é menor de idade, está na universidade, mas é menor de idade.   Aonde está, estou indo.

Avisou a portaria, que um tal de Andrew chegaria.

Como é o teu nome? 

Como o teu, me chamo Douglas. As lagrimas rolavam pela cara dele.

Foi buscar um pouco d’água, com um tranquilizante.

Só quero a água.   Isso me faria dormir, pois já tomei minha medicinas hoje.

Quando chegou o irmão, num terno mal cortado, mas com gravata. Entrou recriminando o outro. Já temos uma situação difícil, ainda aprontas problemas.  Que mais queres.

Te falei dos meus sonhos, tu não acreditastes, é ele, temos o mesmo nome.

Ele não entendia nada.

O outro que devia ter seus 22 anos, olhou para Dog, assustado. O senhor é Dog, meu pai falava muito no senhor.  Trabalhou contigo no início do senhor aqui.  Depois foi designado para Los Angeles, ele é minha mãe morreram num acidente de carro mal explicado.   Mas sempre nos falava no senhor Dog.   Se alguma coisa me acontecer, procurem o Dog, é a única pessoa honesta que conheço.   Viemos aqui várias vezes, mas não sabíamos seu sobrenome.

Tirou uma foto da carteira.  Se lembrou imediatamente.  Era um negro que fazia tarefas que ninguém queria.  Quando ele chegou, numa reunião aonde todos davam sua opinião, perguntou a ele.  Os outros o olharam estranho.  Mas ignorou, foi a resposta mais inteligente de todos. O colocou como seu assistente.  Se davam bem.  Talvez fosse o único que soubesse que era gay, mas nunca comentava nada.  Quando foi promovido, para Los Angeles, fez questão de vir um dia almoçar com ele.  Sem ti, estaria ainda na merda.  Meu filho pequeno tem o mesmo nome teu. Para que eu nunca me esqueça do que fizeste por mim.

Claro que me lembro dele.  Era um grande agente.  O que passou.

Como não ficou explicado o que tinha acontecido, nunca pagaram sua pensão, tivemos que vir viver com a irmã de minha mãe, que tem quatro filhos, eu cuido desse sem vergonha, só porque tem um Coeficiente de inteligência além do normal.  Sempre faz alguma das suas.

Quer contar o que aconteceu?

Bom estávamos numa aula de filosofia.  A pergunta era, o coração pode sentir amor, ou na realidade o sentimento está em algum lugar do cérebro.

Eu respondi, que o coração era somente uma bomba.  Podia ser uma bomba de emoções, de sangue, sem me dar conta, comecei a gritar, Coração é uma bomba.  Todos da classe me seguiram, fomos pelos corredores gritando isso, foi emocionante, o grupo cada vez aumentava mais, até que chegamos nos jardins, as pessoas corriam para se juntar. Mas creio que entenderam que tínhamos colocado uma bomba na universidade.  Como todos tem medo agora de tudo. Creio que por isso, apareceu a polícia.

Então porque estavas na ambulância.

Porque tem um problema de coração, mas não temos dinheiro para operar nem nada disso.

Nossos tios tampouco podem ajudar.  Então cada vez que passa mal, temos que ir para urgências, que tampouco resolve nada.   Ou se opera, ou daqui alguns anos terá que entrar na fila de transplantes.

Que história é essa que sonhaste comigo?

Bom li a respeito de ti, dos tiros que levaste.  Comecei a rezar por ti, durante uns dias, apareceste em meus sonhos, mas meu irmão não acreditou que estava sonhando contigo, me dizias, vamos resolver tudo.

De repente lhe deu uma fome desgraçada, venha, vamos almoçar, assim continuamos conversando.  Saiu da sala no meio dos dois, todo mundo ficou olhando.

Ele estava cagando para todos, sabem de quem são filhos, adivinhem.

Desceram, foram a um restaurante que ele gostava de ir.  Andrew disse logo, não temos dinheiro para comer nesse lugar.

Vocês são meus convidados.   O maitre o conhecia bem, os levou para um reservado para eu pudessem conversar.  Perguntou sem ver a carta, o que eles gostavam de comer. Quando responderam carne, pediu uma das melhores carnes da casa.  Beber, pediu água para todos. Meu pai dizia que a primeira vez que tomaste cerveja foi com ele. É verdade?   Sim.

Me contém aonde moram, como é a vida de vocês.  Diga-me tu BlackDog, a partir de hoje esse é teu nome. 

Este ria satisfeito.  Bom vivemos na velha garagem que ajudamos meu tio arrumar, pois ele tampouco tem carro mesmo.  Eles tem 4 filhos, a casa é pequena.   Minha tia vem a anos tentando que o FBI nos pague a pensão que deveríamos ter direito.

Os dois, nos esforçamos muito estudando, ele fala do meu QI, mas o dele é igual, conseguiu entrar na faculdade pelas notas que tinha.   Mas escolheu a profissão errada, devia ir fazer belas artes, mas meus tios diziam que tinha que ser advogado, pois era uma profissão honrável.  Para pagar o ingresso na universidade, tivemos que comer mal meses.  Tiveram que fazer um empréstimo.   Minha tia limpa a casa dos outros, meu tio trabalha em obras, podes imaginar como é.

Eu também entrei, faço história,  me apontei algumas aulas de filosofia, para apreender a historia dos filósofos.  A aula é tão chata, que se pode escutar o barulho das moscas batendo asas.

Andrew cortou, essa tua imaginação te leva longe.

Pois eu gosto Andrew, seu pai tinha uma imaginação incrível, conseguia ver o que eu as vezes falava, os outros não entendiam a hipótese, era ele que explicava a ideia.

Não sabia bem por que, mas em sua cabeça se começou a formar uma ideia.  Posso mexer uns pauzinhos.    Querem viver comigo, não sou casado, sou gay, vivo sozinho.  Só tenho uma grande paixão o mar.

Acabaram de comer em silencio.

O que os assusta, morar comigo, ou que sou gay? 

Já sabíamos que eras gay, meu pai nos contou, uma vez lhe dissemos que estavam fazendo bullying na escola com um garoto, porque era gay, nos disse que a pessoa mais honrada que conhecia, eras tu, além de ser gay, eras de confiança.

Venham ver meu apartamento, depois podem se decidir, se querem posso falar com a tia de vocês. Ok

Quando chegaram ao seu carro, um Ranger Rover, negro, em bom estado.   Disse ao Andrew, sabes dirigir, porque para mim está difícil, com esse ombro. Abriu a camisa, mostrou as cicatrizes.

Mas tira esse casaco horrível, essa gravata de limpar o cu dos teus chefes.

Não gostas do que fazes Andrew?

Quem respondeu foi BlackDog, ele odeia, mas  tem que se aguentar. É dinheiro.  Nunca o deixarão subir, como fizeram com nosso pai. É advogado, acabou com louvor, mas não passa de um office boy.   Está lá só para cobrir essa lei que tem dar direitos a todos.

Mostrou como guiar o carro, lhe disse aonde vivia.  Coloque o carro na garagem, apertou um botão, a garagem se abriu.   Subiram desde ali, até o último andar.  Realmente o apartamento era bom.  Nunca mudei os moveis, são velhos,  venham vou mostrar o quarto que poderia ser de vocês, era um quarto grande.   Na época seria o quarto do Price, para todos efeitos, na verdade era um quarto com duas camas, uma mesa de trabalho,  no seu uma de casal imensa, apesar de só usar eternamente a metade.  Esse é meu quarto, tinham dois banheiros no corredor, a cozinha era americana junto com o salão.  Depois uma varanda que se fechava no inverno e estava aberta no verão.

No salão viram uma foto, ele abraçado com o Price.   Quem é este?

O amor da minha vida, levou dez anos desaparecido, agora apareceu quando levei os tiros, para dizer que não pode viver sem mim.   Lhe disse que resolvesse seus problemas, porque vou deixar o FBI.   Tenho dinheiro para viver o resto de meus dias, posso me aposentar, por causas dos ferimentos.

Estava justo escrevendo minha carta de demissão, quando soube do BlackDog. Ficou rindo, mas de qualquer maneira, volto para terminar.

O que acham?

Um olhou para o outro sorrindo.   Mas terás que enfrentar a fera.

Que fera?

Nossa tia. É osso duro de roer.

Desceram, com os dois sorrindo. Jogou a chaves para o Andrew, levas tu.

Um dia me deixaras guiar?  

Claro que sim.

Oba,  viviam numa das cidades que circundavam San Francisco.

Como fazer para ir trabalhar Andrew?

Bom meu tio me deixa na estação de ônibus, que me trás até o centro,  ele tem mais complicado, pois quando chega ao centro tem que tomar outro para a universidade.

Quando estavam chegando na casa dos tios, BlackDog, pediu, podes realizar um sonho meu?

Que?

Liga a sirena, com a luz rodando, quero ver a cara de todo mundo.

Andrew não queria,  Colocou a luzes para fora, ligou a sirena, ele parou o carro na entrada da casa. Na porta estavam garotos que deviam ter entre 10 a 14 anos. Uma escadinha. Todos com a boca aberta, de ver o primo conduzindo um carro da polícia.

A tia, saiu rindo, sabia que isso era coisa do Dog.

Ele se apresentou, Douglas, fui amigo de seu cunhado, os meninos me acharam hoje. Segundo eles, este pediu que me procurassem.  Mas só agora me acharam.

Sim, temos uma carta guardada a muito tempo.  Mas está escrito só Dog.

Sim fomos companheiros no FBI.  Podemos falar dentro, primeiro porque os vizinhos estavam todos olhando.

A primeira coisa que a tia disse foi, Andrew, disseste ao Douglas, que não tens autorização para conduzir?

Não, ele não perguntou?

Não tínhamos dinheiro para isso. Nos desculpe, mas a vida tá difícil.

Nisso chegou o marido assustado, me disseram que a polícia trazia os meninos em casa.

Esta o apresentou.   O pai dos garotos me falava muito no senhor.  Que o tinha ajudado quando não passava de um mequetrefe.

Pois era uma pessoa especial, foi meu braço direito por muito tempo.

A tia lhe entregou a carta.

Ele abriu, não era um texto imenso.  Dizia apenas entregar ao Dog em caso de necessidade, sei que ele cuidará dos meninos.

Bom aqui tem o que vim pedir.  Será que os garotos podem ir viver comigo?

Seu cunhado sabia que sou uma pessoa franca.  Vivo sozinho, sou gay,  minha família toda esta em Sacramento,  meu apartamento é grande, eles já viram, tem lugar para eles, posso cuidar deles, pois vou pedir a aposentadoria, devido aos meus últimos ferimentos. 

Teve que contar, mostrar as cicatrizes, que os garotos quiseram passar a mão.

Talvez, apesar do Andrew ser maior, eu possa adota-los, conheço um juiz que com certeza a daria, isso se vocês concordarem?

Os dois um olhava para o outro, O senhor vê temos 4 filhos, eu trabalho, meu marido também a vida não é fácil.  Agora o Andrew trabalha, mas lhe pagam mal, mas dá para a manutenção dos dois.

Se o senhor quer assumir isso, creio que estaria bem, além de ser a vontade do meu cunhado.

Ótimo, olhou para fora, viu que anoitecia.  Para comemorar isso, vamos fazer o seguinte, vamos jantar fora.  Eu convido todo mundo. 

Os meninos pulavam de alegria.  Ele se virou ao tio, lhe perguntou se gostava do mar?

Sim eu servi na marinha.

Eu tenho um veleiro, um dia desses podíamos levar esses garotos para navegar.

Virou-se para eles, perguntou aonde queriam comer. Um olhava para o outro. Quem deu a solução foi BlackDog.   Eles adorariam ir a um Mcdonalds que tem na entrada daqui. Nunca puderam ir.  Então vamos, temos que caber todo mundo no carro, embora a polícia possa nos parar.

Correram a trocar de roupa, a senhora sorria.

Estamos falando, falando, mas não sei o nome de vocês. 

Eu me chamo Roberta, mas dizem Beta, ele Alfredo, ou Fredo, sua mãe adorava operas cantadas por um tal de Alfredo. Daí o nome. 

A mim podem me chamar de Dog. Como todo mundo me chama, apontou o sobrinho, ele hoje passou a ser BlackDog, para não confundir.

Sentaram-se os três na frente com a família atrás. Fredo comentou, devem estar imaginando que estamos indo presos.  A gargalhada foi geral.

Ele disse para os meninos cada um peça o que queiram ok.  foi até o balcão, disse isso a uma moça, mostrando sua placa. Deixa que vou a mesa anotar, assim fica mais fácil.

Uau, conseguiste que nos atendesse na mesa.  Tia a senhora não imagina o restaurante que fomos comer com ele hoje, o troço de carne era maior que quando a senhora consegue comprar carne para todos.

Os garotos, sorriam no final cada um tomando sorvetes.

Obrigado pelo convite, não estamos acostumados.

Eu cozinho bem, aprendi com minha mãe, agora quando saio de barco, vou sempre com um velho marinheiro, que me ajudou a recuperar o mesmo, levamos mais de cinco anos, para conseguir, coloca-lo no mar outra vez.

Quando tivermos tudo resolvido, vamos passar um final de semana no mar.

Beta foi a única que disse que não. Tenho medo.  Levas tu os garotos Fredo, assim tenho um descanso.

Como queiram.  Ah, amanhã mesmo vamos tratar do BlackDog, tem um médico que me operou recentemente que me deve favores, salvei seu filho num sequestro, chegou a hora de cobrar, vamos tentar resolver o problema dele.  Quanto ao Juiz, tem um que me deve favores também, creio que resolverá pronto os papeis.

Quando chegaram, disse a cada um que arrumasse, uma mochila para irem para casa. 

Andrew, perguntou se podia levar seu material de desenho?

Sim quero ver tudo que tens.

A bagagem deles era uma nada. Segundo BlackDog, os livros ele usava os da biblioteca.

Se despediram dos tios e dos garotos, agradecendo muito o que fizeram por eles.

Sentiam-se triste, eles fizeram o que puderam por nós.  Isso não poderemos esquecer. Podiam ter-nos deixado na rua.

Já devolveremos isso em dobro.

Quando chegaram em casa, lhes mostrou aonde tinha toalhas de banho, sabonete, roupa de cama, quero as camas arrumadas todos os dias, nada de roupa no chão do banheiro, depois explico como lavar a roupa e secar.

Agora vão preparar a cama de vocês, enquanto falo com meus pais. Ok.

Chamou o celular de seu pai, sabia que ele estava acordado a estas horas, vendo algum filme que gostasse.

Olha meu velho, tudo bem?

Sim, como estas.?

Amanhã dou entrada na minha aposentadoria, com ficou meu ombro, não poderei atirar mais, terão que me compensar por isso.   Mas não chamei por isso, primeiro queria contar para ti, pois sei como é minha mãe.

O Price voltou?

Não, o senhor é avô por doze dupla, são filhos de um grande companheiro que eu tive, que ficaram sozinhos, vou adota-los.   Antes de mais nada, sei que o senhor não tem preconceitos, não sei minha mãe.   Eles são negros. Duas pessoas maravilhosas.

Não vejo problema nenhum.  Escutou que ele chamava sua mãe, venha saber das novidades, conta de novo. 

Só lhe disse, eres avó em dose dupla, vou adotar os filhos de um velho amigo.

Não perguntou nada, somente como se chamavam?

Um tem o meu nome Douglas, foi colocado em minha homenagem, o mais velho se chama Andrew.  Como se os tivesse chamado, eles entraram no salão,  vou colocar em viva voz, assim fala com eles.

Meninos apresento teus avôs.  Eles primeiro, disseram boa noite, como estão.

Caramba, que educados, os daqui, entram, vão direto a geladeira, reclamam se não tem os doces de gosta,  nem um beijo, ou abraço.

Amanhã vou tentar marcar uma consulta para o BlackDog, porque tem um problema de coração, precisa ser operado.

Porque o chamas de BlackDog?

Avó, sou negro, fica mais fácil do que WhiteDog, não achas?

O velho deve ter falado alguma coisa, pois ela riu.  Queres que vá para aí. Acomodar os meninos.

Já nos apossamos da casa.

Me falem de vocês, dos doces que gostam, me falem de vocês.   A conversa foi longa, amanhã falamos de como foram os exames. Ok.

Não liguem, ela é assim, mas um doce de pessoa, meu pai era o xerife la da cidade que vivem.

Agora vamos conversar.  Amanhã de manhã, Andrew vais ao teu emprego, peças demissão, é o melhor, nunca feches nenhuma porta diz sempre meu velho.

Eu irei pedir a minha também.  Depois iremos falar com o Juiz, se consigo uma hora com eles, enquanto ao mesmo tempo falo com o médico. Ok.  Tu me mostra agora teus desenhos antes de dormir.

Tinham dois belos retratos de seus pais.  Esses emolduramos para colocar no quarto de vocês. O que parece. Depois de ver tudo, só pode dizer tens talento, meu filho.

Saiu espontaneamente, depois te matriculas na escola de Belas Artes. Ou no que queira fazer.

Na verdade, eu gostaria de apreender a trabalhar com computadores, para fazer isso, mas claro nunca tivemos dinheiro sobrando para isso. 

Ufa, tenho um conhecido, que faz trabalhos para nós, acho que ele poderá te ajudar.

Agora vamos dormir. Encontraram tudo que queriam.   Nada de andar nus pela casa, pois podem se esquecer, o dia que os velhos estiverem aqui ficaram horrorizados.  Temos que comprar roupão para vocês.

Quando viu a roupa pendurada no armário, ficou com pena, ele mesmo só usando roupa negra tinha muita.

Já tinha cada um escolhido sua cama. Faltou pouco para que os fosse arrumar na cama, dar um beijo de boa noite.  Mas isso era querer adiantar as coisas.  Que tal os colchões. 

Não se preocupe, nos dormíamos num velho colchão da minha tia no chão mesmo, isso é como estar num hotel cinco estrelas.

Qualquer coisa, falem comigo.

Foi para a cama, gostaria de ter o celular do Price, para contar a novidade.  Mas não tinha, alias ele não tinha ninguém para contar a emoção dele.

Talvez por isso seu celular tocou. Era seu pai de novo.  Sabia que se ele chamasse a esta hora, era porque sua mãe já estava na cama.

Está feliz da vida meu filho.  Contente porque te aposentas do FBI, diz que não tem idade para mais sustos, dos novos netos, disse que lhe importa um caralho se são negros ou cor de rosas, são seus netos. Foi dormir com um sorriso nos lábios.

Tu como estas, contente?

Sim pai, muito contente? Boa noite para o senhor.   Ah esse final de semana vou sair ao mar com os meninos, seus primos e seu tio, queres vir? Essa canoa vai virar com tanta gente. Já te digo algo.

Sabia que podia sempre contar com ele. Nunca tinha escutado o menor comentário dele, com respeito a ser gay, dizia apenas é a tua vida.

No dia seguinte levantou-se preparou café para eles, não sabia o que acostumavam comer.

Os dois se apresentaram de roupa limpa, com um sorriso na cara.

BlackDog como sempre engraçado, eu quase cai da cama, esqueci que não estou no chão.

O que gostam de comer de manhã.   Normalmente comemos um pedaço de pão, café com leite.

Mais tarde vamos ao supermercado, compramos.  Agora a arrumar nossas vidas.

Viu que o celular do Andrew era velho.   Se lembrou de um que tinham lhe dado de presente, os seus agentes.  Lhe entregou dizendo, tens que colocar para carregar.

Puxa, fantástico, esse que tenho era do meu tio.

O deixaram no escritório, quando acabares me chamas, para marcarmos o que vamos fazer primeiro.

Subiram, um chefe veio falar com ele, como se atrevia sair com uma pessoa que estava para ser interrogada.

O senhor está falando do meu filho, favor um pouco de respeito, entre por favor, entraram na sala, disse ao BlackDog, conta para ele o que aconteceu.  Sentou-se se colocou a escrever de punho e letra seu pedido de aposentadoria.  Alegava que os tiros que tinha levado durante o tempo de serviço o impossibilitavam de seguir prestando serviço ao FBI.  Agradecia, que aceitassem seu pedido de aposentadoria.  Mas que por vários motivos, inclusive por não ter se recuperado bem dos tiros, se retirava do serviço.   Aguardava ser chamado para tratarem do assunto.

Ah, agora entendo, tudo não passou de um mal entendido.

Sim senhor, que faz o coração, bombeia o sangue não é verdade.  Sem ele não existimos.

O homem foi levantar, lhe fez sinal que ficasse sentado.  Lhe estendeu o papel. Leu inteiro sem levantar a cabeça.

Eu imaginei que isso ia acontecer.  Sempre foste muito logico nos teus trabalhos.  Sem poder usar uma arma, fica difícil te defenderes.

Vou encaminhar, é endossar, que te aposentem com louvores.

Saíram, ele com a velha caixa embaixo do braço, o chefe, pediu que todos dessem um minuto de atenção, disse que o Dog se aposentava, pelos motivos que todos podiam imaginar, desde o último trabalho.  Aproveito para apresentar seu filho  Douglas.

Vocês sabem de quem o Douglas é filho, disse o nome do pai dele.  Todos aplaudiram, agora será meu filho.  Qualquer consulta, podem me chamar, mas vou cobrar hem.

Muitos vieram apertar sua mão, abraça-lo. Dizer algumas palavras.  Vais como sempre não é, sem pagar uma cerveja.

Ele aproveitou falou primeiro com o Juiz, se podia recebe-lo.   Para ti sempre tenho tempo Dog.

Dentro de pouco estarei aí.   Sim melhor agora de manhã, porque de tarde tenho um julgamento.

Depois ligou para o médico, disse o mesmo, precisava de um favor dele. 

O que querias Dog, pode ser essa tarde depois do almoço? Se chegas cedo lá pelas duas, podemos comer no café do hospital.

Eu aviso, ok.

Os dois são excelente pessoas.

Justo chamou o Andrew, queriam que eu ficasse, o chefe disse que para aguentar os advogados só eu mesmo.   Mas disse que ia cuidar da minha vida.   Se eu precisasse de referências desse seu nome.

Vamos daqui para o tribunal, te esperamos na porta ok.

Quando se encontraram, BlackDog, foi contando o que tinha acontecido.

Caramba BlackDog, estas sempre metido em confusão.   Nada o tio era boa praça, principalmente por WhiteDog, disse que era seu filho.   Ficaram rindo.

Esperaram nem 15 minutos, a secretária uma negra muito bonita, lhes fez passar.   Eles ficaram surpresos, o Juiz era de um negro azulado.

Quem são esses meninos?

Vão ser meus filhos se você me ajuda.  Contou toda a historia do pai dele, seu velho companheiro de lutas.  Imagina, que esses meninos me procuraram como seu pai tinha dito, como sempre viram dois negrinhos, os mandaram passear.

Já falei com seus tios, estes concordaram.  Andrew, passa o número do celular do teu tio para o Juiz. 

Este perguntou como se chamava,  Andrew, Douglas, este corrigiu, BlackDog para os íntimos.

Que sentido de humor tem seu garoto.  O Dog, é muito conhecido pela sua falta de humor, mas vejo que vai melhorar em boa companhia.

Fredo respondeu imediatamente.  Disse que sim, que ele e sua mulher tinham concordado, explicou que tinha mais 4 filhos para criar.  Não os podíamos deixar na rua não é.

Muito bem, vou mandar preparar os papeis, aviso quando seja preciso que venham assinar.

Saíram contentes.  Eu sempre disse aos meus colegas, que se devia manter sempre a cordialidade com os juízes, fiscais, qualquer pessoa daqui.  Nunca se sabe quando se vai precisar deles.

Bom agora vamos almoçar com meu amigo médico.   Ele me conhece melhor que muita gente, convivemos muitos dias angustiosos, quando sequestraram o filho dele por dinheiro.

Não toquem no assunto, pois não sei como anda o filho, um garoto muito complicado.

Chegaram justamente quando o médico entrava por uma porta.  Pegaram bandejas, se serviram o que quiseram.   Dog, como sempre pegou pouca comida.

O médico observou, contínuas com falta de apetite? 

Mais ou menos, normalmente como mais tarde.

Em que posso te ajudar?

Bem meu garoto, não te apresentei, são meus filhos Andrew e Douglas.   Douglas tem um problema de coração, queria saber tua opinião, se pode ser operado ou outra solução.

Explicou que não tinha nada para apresentar, terá que começar tudo da estaca zero.

Então venham comigo.  Era um hospital para gente rica, chegava a ser meio luxuoso. Acho que por isso sou obrigado a vir muito por aqui, verdade Doutor.

Agora essa, o sujeito virou piadista, antes tinha um humor de cachorro velho.  Esse garotos estão te abrandando.

Chamou a enfermeira que reconheceu Dog, o beijou, uma negra alta, magra, muito bonita.

Lhe disse quais exames ele devia fazer com o BlackDog,  analíticas, scanners, chapas, tudo enfim. Como se fosse um pré- operatório.

BlackDog, acompanhe a senhorita, não chore muito quando vires as seringas.

Dog, estou impressionado com teu novo senso de humor.  Serás um paizão.  Disse ao Andrew para ir buscar agua e café pois teriam que esperar.  Aproveitou, contou tudo ao doutor.

Acho bem, quer dizer que te aposentas?   Já queria eu ter mais tempo para os meus.   Meu filho continua complicado.  Ontem se meteu numa manifestação, que eu não entendi muito bem.

Coração é uma bomba?

Como sabes disso, contou que tinha sido coisa do BlackDog, contou a ideia do garoto.

Realmente, eu ia justamente brigar com meu filho, quando ele comentou como tinha surgido.

Riram, Andrew tinha café para os dois.  O médico agradeceu. Meus putos filhos nunca fazem essas coisas, nem que peças, são capazes de te mandarem para a cozinha fazer para eles.

Foram se sentar no corredor, esperando os resultados.

O médico os chamou, como sabem o que ele tem, não vejo por que, não explicar na frente deles.  A operação é simples, apesar de ser de peito aberto.  Foi mostrando o que faria, trocaremos a válvula defeituosa, por uma em 3D, muito moderna.  Não poderás fazer esforços físicos durante um tempo, nem preparar revoltas.

Como o senhor sabe?

Meu filho participou, ia levar uma bronca hoje por causa disso, mas vou perdoar.

Dog, se queres, ele fica aqui hoje, fazemos todos os pré operatórios, amanhã mesmo de manhã o operamos. Que os parece?

Eles não tem opinião, sem dúvida nenhuma doutor, estou de saco cheio que esse puto coração viva falhando.

Queria que meus pacientes fossem todos como tu.

Doutor, corre tudo por minha conta.

Nem pensar Dog, ele terá o melhor de tudo, afinal estou em dívida contigo a tempo.  Vou mandar minha enfermeira marcar a operação, vamos ver um quarto, para ele. Melhor estar sozinho, pois assim vocês podem ficar juntos.

Os meninos se abraçavam.  Agora temos que chamar tua avó para contar,  Amanha sem falta ela arrastara seu avô prá cá.

Chamou, ela atendeu na primeira.  Então como foi?

Espera que teu neto te explica tudo.

Ele começou perguntando se ela tinha dormido bem.

Claro que sim, durmo como uma pedra, mas me conta, estou esperando desde manhã.  Ele contou tudo ao detalhe.  Que agora ia acabar os exames, depois ficaria internado, que amanhã lhe operavam.

Queria saber a que horas. Bom de qualquer maneira, quando saíres da operação, já estaremos no hospital. Agora toca convencer esse velho cabeça dura para ir.

Falou com seu filho, estaremos logo cedo, nesse momento sempre é bom a família junto.

Mas não faças muitas perguntas como sempre aos meninos.

Eu nunca faço perguntas, disse rindo.

Viu, não escapamos.  O Velho cabeça dura, nem terá margem para dizer nada, lhe dirá assim, a maleta já está feita, vamos para San Francisco, nosso neto vai ser operado.   Pergunta para ele amanhã se não foi assim.   É o jeito dela.

Logo foram para o quarto, era um verdadeiro apartamento.  Caramba, maior que a casa da tia.

Falar nisso Andrew, liga para ela avisando, ok.  diga aonde estamos, o que já aconteceu hoje.

Gostava de ver o Andrew falando, era sério, educado.  Como o pai dele.  Vai ser ótimo ser pai desses garotos. 

Depois passou o celular para ele, ela tornou a fazer perguntas, como ia pagar essas coisas.

Nem se preocupe, esse médico me devia um favor, resgatei o filho de um sequestro, disse que não vai cobrar nada.  Como amanhã, a operação é logo cedo, acredito, que ele estará no quarto depois do almoço. Se queres mando o Andrew de carro para te buscar.

Esse menino não tem carta de conduzir.

Tinha se esquecido completamente, mais uma coisa para resolver.   Mas já sabia como, nada como ter amigos em todos os lugares.   Eram pessoas a quem ele tinha ajudado de uma maneira ou outra.

Pela tua cara, estas tramando algo, BlackDog, já sabia quando ele pensava alguma coisa. Os dois herdaram coisas do teu pai, ele ficaria orgulhoso.  Bastava ele me olhar, não dizia nada, sabia como tinha que fazer, o que fazer,  botar ordem no pedaço.

BlackDog, só não gostou, era que teria só uma sopa rala para comer.

Ele desceu com Andrew para comer.  BlackDog não gostou, mas aceitou.

Quando viemos para cá, era difícil fazer com que ele desgrudasse de mim.  Como irmão mais velho, parecia que eu tinha virado uma  tábua de salvação.  Era na verdade a única pessoa que ele tinha.   Até localizarem minha tia. A coisa foi feia.

Gostei demais de teus desenhos.  Vou falar com esse meu amigo, mas não deixe de usar tuas mãos para fazer desenhos.   Deverias entrar também para aulas de pintura.

Tinham acabado de entrar no quarto, quando se abriu a porta, eram os velhos.

Mamãe, não disse que a operação é só amanhã.

Mas eu tinha que vê-lo antes de entrar para cirurgia. Pegou a cara do Douglas, lhe deu dois beijos estalados como ela fazia.  Vai tudo correr bem meu coração.  O velho abraçava ao Andrew, seja bem-vindo a família meu neto.  Depois que Douglas ficou livres, ele o abraçou também.   Mais tarde disse, Vocês dormem na minha cama, os meninos se apossaram do quarto que vocês ficam.  Andrew, vá com teus avós para casa, lhe deu dinheiro, passe num supermercado antes, para comprar pão, ou melhor deixe tua avó comprar, veras teu café da manhã, se sobreviveres ao exagero, me contas.

Papai levas o carro, o Andrew conduz muito bem, mas não tem carteira ainda. Temos que resolver isso.

Basta ir a casa, resolvemos rapidamente.

Quando ficaram os dois sozinhos.  BlackDog comentou, ela parece um furacão. Sim, sempre é assim, imagina quando estávamos em casa todos, a bagunça que era, meu pai falava, não estávamos nem aí, mas bastava ela dizer chega.  Todo mundo ficava quieto.

Até ele a obedece, sem pestanejar.

Gostei dos dois, mas ele me olhou com uns olhos amorosos, como pode ser xerife. 

Creio que foi o xerife mais simpático que a cidade teve.

Ficaram conversando os dois, até que ele viu que  BlackDog, fechava os olhos para dormir. Ficou ali olhando, por ser quem era já amava seus filhos.

Como estava acostumado com o ruído do hospital, dormiu, sonhou com seu amigo, que agradecia, o via como tinha sido da última vez que o tinha visto.

Despertou com a enfermeira entrando de manhã, lhe trazendo café, ela sabia como ele gostava, nada da água suja que serviam.

Logo entraram os enfermeiros, tens direito a uma última mijada, antes de cortamos fora isso ai que tem pendurado, disse um brincando.

Vou só operar o coração.

Não é o que pões aqui, aqui diz, mudança de sexo.

Entendeu que era brincadeira deles, vou me vingar, vocês vão ver.

Foi ao banheiro mijar. 

A enfermeira disse, seu filho é uma criança interessante.

Ficou orgulhoso. Aonde espero, aqui, ou na sala de espera.

Como já sei que sua mãe esta aqui, melhor na sala de espera.  Ela vai deixar as enfermeiras nervosas como sempre.  Me lembro dela, com os olhos fixos no conta gotas, nas máquinas, vigiando tudo, chamando sem parar as enfermeiras.

Tens razão, mas posso ir com meu filho até a porta da sala de operações.   

Normalmente não pode, mas como es conhecido desses corredores, vou deixar.

Acompanhou BlackDog, até a entrada da sala de cirurgia, se curvou deu-lhe um beijo, não se preocupe, daqui a pouco nos vemos.

Foi para a sala de espera, ao longo dos anos, tinha recuperado rezar, embora fosse mais uma conversa que tinha com os espíritos.   Não queria que os meninos fossem arrebatados dele. Já sentia um profundo afeto pelos dois.  Sentiu uma mão no seu ombro, a princípio pensou que fosse seu pai.  Acabou sua reza, abriu os olhos, levantou a cabeça.   Mas quem estava ali era Price.

Eu disse que voltava, fiz o mesmo que tu, pedi as contas, a merda essa vida, estou farto. Ontem a noite levei um surto tremendo, dei outro nas pessoas que estavam em tua casa.  Não mudaste a fechadura todos esses anos, por quê?

Talvez esperasse que voltasses.

Já sei de tudo, tua mãe me contou, conheci o Andrew. Gostei dele, falou de ti, de seu pai, do irmão que devem estar operando, era por isso que rezavas?

Sim, não os quero perder, agora por pouco tempo que sejam, são partes importantes da minha vida.

Sabe que é por isso que te quero.

Ontem ainda tentaram fazer chantagem comigo com as fotos, pensei caralho, todo mundo tem essas fotos, que mas dá.         Soube que tinhas pedido aposentadoria, sinal que não te importava nada mais.   Pensei, se a ele nada disso importa, vou fazer igual, já estou ficando velho, longe da única pessoa que sempre me importou, deixei que esses filhos da puta manejassem minha vida. Quase morri nessa última operação.  Se não fosse por essa garota com quem me casei, como maneira de me esconder, não sei o que seria de mim.  Creio mesmo que tentaram desfazer-se de mim.   Mas todos os documentos estão muito bem guardados. Isso eles não vão conseguir.

Por culpa disso tudo, me tornei um neurótico. Terei que fazer uma terapia para me livrar disso tudo.

Nesse momento, os dois estavam de mãos dadas, chegaram Beta e Fredo, os apresentou como tio dos garotos.    O acompanhei até a porta da sala de cirurgia.   É um garoto valente, vai sair tudo bem.  Este é Price, foi meu companheiro a muitos anos, veio me dar seu apoio.

Nisso, chegaram sua mãe, seu pai, Andrew, este estava ansioso, recontou que o tinha levado até a porta da sala de operações.   Agora é rezar, esperar, que é a parte mais difícil.

Ele dormiu bem a noite, perguntou Andrew.

Sim estivemos conversando, depois lhe deram um tranquilizante, apagamos os dois.  Eu porque já conheço o ruído do hospital.  Ainda brincou com os enfermeiros hoje de manhã.

Sua mãe, sentou-se ao lado de Beta, passou o braço pelo seu ombro, começaram a conversar baixinho.  Essa era a mãe que ele amava. Que sabia consolar as pessoas.

Andrew que estava mais desportivo, disse que ia buscar café, quem queria. Fredo e seu pai foram com ele.

Sua mãe virou rindo, que susto essa noite. Alguém entrando no quarto, sem acender as luzes, eu já ia gritar, acendi as luzes dei de cara com o fujão.

Pensei que tinhas tirado a chave dele.    Mas sei como eres, sempre perdoas as pessoas que queres.

O que vão fazer agora, formar uma família?

Se ele quiser sim, ainda não conheço o Douglas, mas gostei demais do Andrew, estava hoje de manhã fazendo o café para todos. 

Quando me levantei, nem me deixou aproximar da cozinha.

Eu lhe disse como são teus cafés da manhã?   Não se precisa mais comer ao meio dia.

Sabes que o café da manhã é a refeição mais importante do dia.

Estava dizendo a Beta, para virem passar o final de semana conosco, tem quartos, sobrando naquela casa. As vezes tenho a sensação de que os fantasma passeiam por la.

Beta, educaste muito bem os meninos.

Que nada, só lhes dei responsabilidade, sei que minha irmã, o fazia.  Tento fazer o mesmo com os meus,  mas são como o pai, cabeça dura.

Da porta falaram os dois, essas mulheres, estão falando da gente. Com isso o clima relaxou um pouco.  

Dog, estava ficando ansioso, já tinha passado da hora que o doutor lhe tinha dito que duraria a operação.

Sua enfermeira entrou, desculpe, mas o doutor tinha que entrar em outra operação, me tocou a mim leva-lo a reanimação.  Porque não entram as senhoras primeiro.  Andrew cortou, acho que o pai tem que entrar primeiro, está aqui muito nervoso, lhe vai dar um troço.

Vens comigo, desculpe Beta, procurarei não demorar. 

As duas olharam uma para a outra, ele já assumiu que os meninos são seus filhos, acabamos de formar outra família, eles os pais, vocês os tios, nos os avôs de todos.

Estavam as duas abraçadas.

Ele estava recuperando a respiração, já tinham lhe retirado sondas, estava com boa cara.  A enfermeira disse que a operação tinha corrido perfeitamente. Agora descansar um pouco, mais a tarde, o descemos para aquele quarto.

Melhor colocar mais cadeiras, porque já percebi que certas pessoas não se moverão dali.

Ele segurava a mão do irmão fazendo carinho, em todas suas operações nenhum de seus irmãos o tinha vindo visitar.  Mesmo quando estava com seus pais, era raro aparecerem.  Entendia que o fato de o descobrirem gay, não tinha feito graça a eles que se comportavam como machões.

BlackDog, abriu os olhos, sorriu. Já estou bem, não precisam se preocupar. Virou-se para o irmão dizendo, nossos pais estavam ali cuidando de mim.

Ele agora acreditava nisso, esse encontro tudo parecia planejado.

Não deves te cansar, as matracas, que querem cuidar de ti, não vão deixar você descansar.

Ah, creio que teremos outro pai.

Como assim, sabe o da fotografia,  apareceu durante a noite, deu um baita susto nos velhos, pois ia se metendo na cama com eles.  Ele ia começar a rir. 

Não o faça rir, pois doera as costuras.  Daqui a pouco eu volto filho, agora tua tia, tua avô vão entrar, depois os velhos , depois volto com o Price que quer te conhecer.

Assim fizeram, quando ele entrou com Price, se surpreendeu, o viu passando a mão pela cabeça do BlackDog.  Como estas?

Eu bem é tu, depois do susto?

Nem me fale. Foi tremendo, fiquei foi com  medo de tua avó.  Ela é uma fera.

Também querer se meter na cama com eles foi demais.  Ai, não posso rir, mas imagino a cena.

Não é que esse menino tem humor.

Cada um se sentou de um lado da cama, segurando uma das mãos.

Caralho arrumei duas babas, barbadas.

Nisso o médico entrou para examinar o paciente, só então vira os grampos que seguravam as costelas do peito aberto. 

Olha a cara dos dois doutor, dois barbados, assustados.  Estamos fodidos, não nos deixaram em paz, nem ao senhor, este pobre paciente.

Já vejo que estas bem, com esse humor.

Iam perguntar pelos grampos, ele se adiantou, por dentro são suturas, mas por fora hoje usamos esse tipo de grampo, para  segurar bem as costelas separadas.  Daqui uns dias tiramos, mas vou tirar sem anestesia, para ver se o humor dele passa.

Os chamou para fora, disse que a operação tinha corrido maravilhosamente bem, mas que nos primeiros meses, fariam um seguimento, todos os meses, creio que futuramente não necessitará de outra.

Ah, Dog, meu filho depois vem visita-lo quando ele for para o quarto, quando falei do teu filho, para minha surpresa ele disse que viria vê-lo.  Coisa rara nele.   Os dois devem ter a mesma idade.

Vou contar para os outros, mando o Andrew entrar, assim banca a segurança .

Contou para todo mundo, as notícias,  terá que ficar uma semana por aqui, para a recuperação, ele vai querer assustar as senhoras, mostrando os grampos.  Mas o médico já explicou que é como fazem hoje o fecho das operações.   Preparem-se.

Beta, graças a deus tudo correu bem, ele disse que viu os pais na operação.   Contou para seus  pais.  Sabe quando eu estava aqui, ele leu pelos jornais, disse que sonhou que fui visita-lo, me avisou que eu era que iria encontra-los.

Isso realmente aconteceu, quando vi aquele garoto sentado na ambulância me assustei, me parecia tê-lo visto em algum lugar, sabes que sou bom observador, fiquei procurando na minha cabeça, me lembrei quando estava em coma, que fui a muitos lugares, uma coisa extra sensorial.

Tem uma coisa esses dois, nunca mentem, sempre falam o que pensam, a verdade.  Quando os vi chegando contigo no teu carro, com a sirene posta, quase morri.  Sei que foi uma brincadeira, pois ele sempre dizia que um dia chegaria em casa no carro da polícia.

Graças a ti, foi operado.   O juiz já conversou com a gente.  Talvez fiquemos um pouco mais folgado agora, pois somos seis, com eles oito, numa casa para alimentar todo mundo, mas sobrevivemos.

Beta, agora somos todos uma grande família. Era o senhor Xerife, como sempre acalmando as coisas. já conversei com teu marido, quem sabe não seja mais fácil, ele arrumar emprego aonde vivemos, a vida é mais barata, os meninos poderiam ir a uma boa escola.

Gostas de cozinha, Beta, eu faço doces para fora. Na verdade, mais para me ocupar, naquela casa vazia, quem sabe as duas podemos montar um negócio.

Primeiro eles já estão convidados a nos visitar.  Tem lugar para todo mundo.

Price olhou para Dog, riu dizendo, desta vez não escapas da família. 

Quem disse que não tenho o meu barco.

Que historia é essa de barco, o Andrew comentou hoje de manhã, perguntando que tipo de veleiro era.   Fiquei curioso.

Se não tivesse fugido, saberia.  Deixa para lá.  É um veleiro que comprei, levei anos recuperando nos momentos de folga, com um velho marinheiro que me ajudou, depois me ensinou a navegar.  As vezes vamos pescar, assim sempre temos o que comer.

Eu que o diga, a última vez que ele foi a sacramento, levou uma dessas geladeiras, que vai no carro, cheia de peixes.  Tive que comer peixe semanas.  Eu que gosto de uma carne.

Mas te fez bem, fala a verdade.

Era interessante, ele nunca tinha participado desse tipo de conversa.  Terei que me acostumar pensou.

Fredo comentou que gostava de fazer peixe na brasa, ficam uma delícia.  Seu pai, disse que tinham uma para fazer carne, quando reuniam a família toda, mas agora isso é cada vez mais impossível.  Cada um tem uma vida diferente, nem se veem entre si.  Uma lastima.

Isso tudo por que souberam que eu era gay?

Bom eles sempre tiveram um certo ciúmes de mim, por ter-me destacado mais do que eles, me davam umas surras de fazer gosto.

O Xerife, sempre dizia a verdade.   Em parte, sim, ficaram putos da vida, como tu um agente do FBI podia ser gay, acharam que estávamos mentindo.  Eu soltei que por isso mesmo te amava mais, pois era mais corajoso que os outros.   Tinhas assumido isso, no meio de um setor duro, nem por isso deixavas de cumprir tuas obrigações.   Nesses anos que passaste a nos visitar mais, isso pareceu ofende-los.   Mas a mim não importa, nunca foram respeitosos comigo e com tua mãe.  Foram os que mais ajudamos financeiramente.  Cada um deles deve a estabilidade que tem graças a nós.  Nunca cobramos nada, mas nos ignoram.

A diferença entre teus filhos e os outro netos é impressionante. São respeitosos, imagina que um deles quando estivesse em casa, ia se levantar para fazer café para tua mãe.  Ainda tem que os ficar chamando para saírem da cama.

Isso os meninos sempre fizeram, me ajudaram com os nossos filhos, preparar o café da manhã com o que tivesse, leva-los a escola, ir busca-los, ajudar a estudar, tudo isso faziam eles por nós como uma maneira de ajudar.   Andrew quando recebeu seu primeiro salário, o entregou todo, só pediu uma parte para comprar um terno para ir trabalhar.

Andrew entrou nesse momento, rindo a não mais poder.   O que foi.

Quando eu entrei lhe disse BlackDog, Price, me chamou a atenção, ele rapidamente disse ao Price que ele é que tinha decidido isso, que tu serias WhiteDog.  A cara dele era espetacular.

É que não estou acostumado que Dog tenha sentido de humor.

Pois é em dez anos as pessoas mudam.

Teriam que conversar muito para se entenderem.     Dog, não o esperava ver nunca mais.  Ele já não fazia parte de seus planos de vida.   Mas queria ver no que poderia fazer, talvez em nome do velho amor entre eles.

Nessa noite ficaram os dois no hospital.  Durante o dia, ficariam Andrew, sua mãe, Beta sempre que pudesse escapar.

Nessa noite entendeu o que ele tinha dito.  Pois se despertou assustado, pensando que era BlackDog gritando, mas não era Price.   Levou tempo para despertar, do pesadelo que estava.

BlackDog, tinha tomado uma pastilha para dor, outra para dormir.  Não escutou, Price, segurava a mão de Dog, que este chegou a sentir dor.   Isso era mais sério do que ele tinha dito.

Teriam que conversar a respeito. Quando finalmente despertou, olhou assustado, lhe perguntou o que estas fazendo aqui no inferno.   A enfermeira lhe deu um relaxante, voltou a dormir.

Dog, já não o conseguiu.  De manhã falou com o seu amigo médico, ele recomendou que falasse com o psiquiatra do hospital.  Depois foi uma batalha convence-lo, mas concordou em falar com o psiquiatra. Voltou com a cabeça baixa.   Ele me disse que poderei ter surtos de psicose, que me devo tratar. O que aconteceu ontem à noite?

Me despertei contigo gritando, não havia maneira de te despertar, apertaste tanto minha mão, que chegou a doer.

Olha, vou preparar uns documentos, podemos falar com teu amigo juiz.  Preciso te confiar aonde estão os documentos que tenho comigo. Para te proteger e aos meninos.  Depois me internarei.

O médico o chamou a sua consulta, aonde estava o psiquiatra.   Olha o caso é grave, creio que seu amigo, sofreu torturas.  Está num plano muito sensível.  Me disse que tem sensação de que o estão seguindo, falou de todas suas paranoias.   Pode se perigoso o ter por perto. Mesmo agora com teu filho em estado frágil.

Podes convence-lo ha se internar.  Como ele é do FBI, tem direito a um seguro medico que cobre tudo.  

Me disse que tinha pedido demissão.

Não foi o que nos informaram, dizem que não o veem a meses.  Mas que seu salário é sempre depositado.

Porra mais essa merda.  Price sempre tinha uma tendência a mentir, mas essa agora. Podias arrumar uma sala para conversar com ele.

Vou pedir que ele venha até aqui.

Quando viu os outros dois médicos ali, se desarmou.

Price, como necessitávamos saber do teu sistema médico, falamos com o departamento pessoal do FBI,  nada consta que tenhas pedido demissão, ao contrário, não sabem de ti a meses.

Os ombros foram caindo,  Estive metido de drogas até o pescoço. Eram as únicas coisas que me deixavam calmo. 

Virou-se para o Dog, tu me queres, acha que devo me internar, porque eu o farei por ti, senão vou desaparecer.

Não Price, tem que ser decisão tua, não jogues para cima de mim teus problemas.   Não se esqueça que os meus, a maioria foi causado por ti, que me abandonou mais de uma vez, a última, dois dias antes me dizias que me amava.  Nunca tinhas feito isso. Devia ter desconfiado, pois essa declaração me soava falsa.

Eu te amei, hoje me cobrava isso, como seria, pois eu mudei, fiquei de luto por ti, durante dez anos.  Agora me dou conta, que não fazes parte do meu plano de vida, aprendi a viver sozinho, agora tenho que pensar nos garotos.  Esse amor que tinha por ti, quase me matou.  Não posso me permitir mais isso.

Eu acredito que se tu decidires te internar, acredite, eu virei te visitar, serei teu amigo como sempre fui.  Mas não tem o direito de pedir que eu decida por ti. Isso tem que partir de ti, pois eu nada sei do que aconteceu nesses dez anos.

Foi como ver um balão desinchar.

Ok, fiz muita coisa errada, que me persegue, me atormenta.  O do filho do senador é verdade, fui eu quem o atirou pela janela, bem como o outro.  Queriam me prejudicar por causa de uma coisa que descobrir sobre o pai dele.   Por isso o FBI teve que me esconder.  Outra verdade, é que tive muitos amantes russos, sadomasoquismo, coisas no gênero.   Me perdi nas drogas, desapareci para o próprio FBI.  Não foi uma garota que me salvou, mas sim um homem com quem tenho relações a anos, mas ele não aguenta mais meus problemas.  Por isso corri para ti, sempre me salvastes.   Perdão, necessito do teu perdão.

Price, talvez eu até fosse investigar tudo isso, essa chegada surpresa, sempre mentiste muito bem. Agora a coisa é contigo.

Saiu da sala, com uma vontade de gritar, tudo que verbalizou foi filho da puta.

Depois o médico veio lhe avisar que o tinham internado,  lhe fizemos um exame toxico, a coisa é feia. 

No dia seguinte, o filho do médico veio visitar BlackDog,  quando meu pai me contou, nos conhecemos na faculdade, sempre te vejo pelo jardim.  Sempre tens bom humor para falar com todo mundo.  Também fiquei gritando Coração Bomba. Entendi que querias dizer que não somos uma máquina como o coração.  Mudou a minha cabeça.  Acredito mesmo que muitos que gritaram te entenderam.  Quando se despediu comentou, já nos vemos na universidade.

Durante a semana, ninguém perguntou mais pelo Price, ele simplesmente disse que tinha se internado, porque o tinham torturado em sua última missão. Precisava de um tratamento psicológico.

Nas vésperas de BlackDog ir para casa, o mandaram chamar. Foi até a sala do psiquiatra, lá estava a pessoa com quem ele tinha estado muitos anos.  Era como se olhar num espelho, o homem era parecido com ele. Quando se apresentaram, disse rapidamente eu sei quer é você, sei que estava comigo porque os parecemos. Mas se desequilibrou muito nos últimos anos, nos seus últimos ataques me dizia, tu não é como ele. Ele me queria, tu não.  Desaparecia, voltava dias depois totalmente drogado, pedindo ajuda.  Até que desapareceu, só agora soube que estava aqui.

Querem que ele nos veja junto, podes me fazer esse favor.

Claro que sim.

Quando os viu juntos, vê doutor, um complô contra mim, se uniram para me humilhar.  Mas na verdade eu sou melhor do que eles nas mentiras. Soltou uma gargalhada de arrepiar. Depois começou a chorar, eu amei os dois a minha maneira, juro que os amei.

Quando saíram o outro, Brad Wilton, era um elo de ligação da CIA, com a Casa Branca, disse que ia pedir um afastamento do cargo, do serviço, ficaria na cidade, para qualquer coisa.

Podes contar comigo Brad, sinto muito tudo isso.

Era horrível, ver quem tinha amado tanto nessa situação, mas como sempre o sensato era o Xerife.  Filho não tens culpa disso.  Ao contrário, saíste sempre prejudicado, cada vez que ele estava contigo.  Melhor assim.

No dia que foram para casa, viu Brad pelo corredor, lhe passou seu celular, seu endereço, qualquer coisa conta comigo.   Não estou fazendo por ele, mas por ti.  O sujeito lhe caia bem.

Na verdade, ele não sabia nada do passado do Price, de aonde era, quem era sua família, ele só tinha falado sobre a família, na vez que se beijaram pela primeira vez na piscina.  Contarei isso ao Brad quando o veja.

Quando o BlackDog ficou melhor, saíram de compras, iriam passar um final de semana com seus pais, iriam todos.  Estavam na loja, viu uma roupas modernas, estampadas. Pensou, riu sozinho, disse para os meninos, meu luto acabou.  Estou vivo graças a vocês, comprou roupa para ele também.  Tinham convencido Beta e Fredo para irem com eles.  Sua mãe tinha insistido.   Quando chegaram, enquanto ela colocava todo mundo nos seus quartos, seu pai o chamou de lado, o abraçou muito, filho, não se preocupe, um dia conheceras uma pessoa que te ame.

Ah, convidei seus irmãos para uma churrascada,  lhes avisei que se quisessem vir, seriam benvindos, senão que fossem a puta que os pariu.  Levaram um susto.  Creio que estavam acostumados a levar broncas da tua mãe, não minhas, se passarem contigo, me avisa, meto a mão neles.

Mas só apareceu o pequeno com seus cinco filhos, vivia no campo, com a ajuda dos pais como ele dizia, tinham comprado um campo, as coisas agora estavam melhores.   Os meninos eram da idade dos filhos de Beta. 

No domingo foram todos a Igreja, sua mãe, o apresentou ao Pastor, seu filho, seus netos, seus tios,  que agora faziam parte da sua família.

Sejam bem vindos a nossa comunidade.   

O Xerife, tinha saído com Fredo que não eram os dois muito de igreja, os foi apresentar seus amigos.   Logo lhe ofereceram trabalho.  

Acho que por enquanto vocês podiam ficar em casa.  Ou se quiserem, mas é muito pequeno, tem um apartamento em cima da garagem, que está cheio de traste, mas tem cozinha, banheiro. Os meninos podem dormir em nossa casa.   Até que vocês se estabeleçam.

Andou com eles pela cidade inteira, mostrando tudo, escola, o hospital.

BlackDog, soltou, creio que vamos ter que vir mais vezes visitar os tios, os primos e claro os avos.  Pai ela faz uns doces, que se não tomo cuidado, vou ficar imenso.

Acabou que foi isso mesmo que aconteceu, Beta e Fredo, resolveram aproveitar a oferta, vieram morar ali.

Eles continuavam em San Francisco, Andrew estava aprendendo a usar o computador para desenhar, ao mesmo tempo que fazia aulas de pintura.  Fez um retrato de seu pai, que agora estava na sala.

Cada vez que o via Dog, se emocionava.

Uma vez por semana ia visitar o Price, o notava cada vez pior.  Esteve um dia conversando longamente com Brad no jardim em frente ao hospital.

Acreditas que tem escapatória?

Falar verdade Dog, creio que me estou enganando.  Nunca soube por que estava comigo, mentia tanto que nunca soube em que me apoiar.   Não consigo descobrir em que ele andou metido.   Esta cada vez mais metido em sua cabeça, fala línguas diferentes, o russo eu entendo, as outras não,  grita muito quando estou, normalmente me confunde contigo.

Outro dia tentou agredir dois enfermeiros, foram necessário quatro para pará-lo, teve que passar dias numa cama amarrado.  Não se parece nada com o homem que amei com loucura.

Vamos sair de barco esse final de semana, eu os meninos, o senhor que cuida de tudo para mim, queres vir.

Em serio, eu adoro o mar, tive um barco quando garoto.

No domingo todos embarcaram, iriam até uma praia que ele tinha descoberto, era uma pequena baia, um pouco mais acima de San Francisco.   O tempo ajudou, os meninos adoravam o velho que já conheciam. Ele os ia ensinando o nome de tudo,  Assim, Dog podia conversar com o Brad.   Comentou com ele, o que tinha pensado um dia no hospital.  Que a única vez que Price tinha falado de seus pais, tinha sido no dia que tinha uma carta na mão, na piscina. Foi quando me deu o primeiro beijo.  

Ele me contou esta estratégia, queria saber se descobria que estava mentindo.  Ou seja, o filho da puta mentia para ele desde o começo.  Mas me disse que te amava com loucura.

Descobri na verdade, que ele vinha de um orfanato, que esteve em várias casas de adoção, mas logo criava problema.  Nunca descobri aonde o FBI o recrutou.

Vou ver se consigo descobrir.

Os dois juntos faziam boa companhia, deixaram de falar do Price, falavam do que gostavam. Estiveram mergulhando, ele sempre preocupado com BlackDog.  Esse dizia, não basta meu irmão me proteger, agora tu também.  Abraçava o pai, se acostumou com os beijos dos dois.

Imagina Brad, que mesmo do tamanho que tem, eu ainda os coloco na cama quando não estão por aí com os amigos.

Mas sei que terão que seguir seu próprio caminho, eu ficarei para trás.  Agora Brad, estava sempre na casa deles.  Dizia, eu me repito, mas cada vez que olho esse retrato teu, feito pelo Andrew, vejo que ele conseguiu captar uma coisa nessa tua maneira de olhar, que me fascina.

Agora os finais de semana que os meninos tinha alguma festa ou algo para fazer com os amigos, os dois iram velejar.  Nadavam, pescavam.  O velho agora, arrumava desculpas para não ir.

Quero que você conheça bem esse homem, ele te faz feliz. De uma chance.

Quando comentou isso com Brad, estavam ancorados na Bahia.  Tinha começado a chover, estavam os dois abrigados.  Não sei por que me disse isso, eu realmente me sinto muito a vontade contigo, como nunca antes estive com ninguém.  Brad não disse nada, simplesmente o beijou.   Ficaram os dois se olhando, se beijavam, ficaram segurando a mão um do outro.

Nessa noite tomando um vinho que Brad tinha trazido, a lua tinha saído entre as nuvens, iluminava o mar, fazendo um belo espelho.   Estavam sentados com as pernas penduradas  em cima da água.   Sabe essa semana, conversei com o psiquiatra, ele acredita que o perdemos.

Bom eu fui fazer o que te disse, consegui com um amigo, acesso ao expediente dele.  Alguém que ele conhecia, o colocou lá para espiar os outros estudantes.  Pelo que diz esse meu amigo, esse sujeito já morreu a tempos, era conhecido, por encontrar jovens nas ruas, para ter sexo, de alguma maneira os colocava em pontos estratégicos para conseguir informação.  Acredita que ele entrou por aí, era como um prostituto.

Deram o nome para o psiquiatra, esse disse que ia gravar a reação dele.

Comentou com ele, já escutaste falar de fulano.   Ele parou seus movimentos rapidamente, soltou um filho da puta, acabou com minha vida, virei uma marionete em suas mãos.  Quando queria sexo, me chamava.  Mas eu amava o Dog.  Não podia fazer isso, soluçava, inventei que minha mãe tinha morrido, para conseguir beija-lo, ria, como era inocente meu menino.

Mas a esse filho da puta o matei, nunca descobriram quem foi, tinha tanta merda até o pescoço que até ficaram contentes.

Desandou a falar o nome de todas as pessoas que tinha matado.  Uma vez pensei em matar o Dog, mas se adiantaram. Quase o conseguiram, eu queria seu lugar na agência. Mas eu o amava.  Por isso fui embora, ele representava tudo o que eu não sou.   Mas ele morreu, eu soube que ele morreu, eu vim ao seu enterro.

Ele embaralhava tudo. Parou de repente, olhou para o psiquiatra, riu, foi esse filho da puta do Brad que descobriu isso não é, esse cretino sempre se perguntou por que estava com ele, primeiro porque se parecia em o Dog, mas não sabe trepar como ele.  Depois quando dormia, eu vistoriava seus documentos.  Pude vender muitas informações a troco de drogas.

Olhou de novo ao psiquiatra, ficou parado, de um salto se jogou na sua jugular, foi o tempo exato dos enfermeiros entrarem para o sujeitarem.  Babava, eu vou te matar filho da puta, eu vou te matar.  Nessa noite, conseguiu escapar do seu quarto, entrar na enfermaria, procurou um bisturi, cortou os braços em zig-zag, ficou ali dessangrando até de manhã quando entrou uma enfermeira.

Mas, já era tarde.  Só depois do enterro, foi que o psiquiatra mostrou o vídeo. O desequilíbrio dele é antigo, só que ninguém percebeu. O Primeiro a notar, foi o Dog.

Foram para o barco, ali estavam em paz. Agora tinha se acostumado com ele, a beber um bom vinho branco, ali sentado conversando.

Brad foi o primeiro a falar, esse filho da puta, que descanse em paz, só fez uma coisa boa, eu te conhecer. Contigo vivo em paz. Para que saibas, pedi demissão da CIA, alegando que quero aproveitar minha vida.  Concordaram em me dar uma aposentadoria, pelos anos trabalhados, não preciso de muita coisa.  Queria que tu e os meninos viessem conhecer meus pais.  Sou filho único. Meus pais vivem numa residência, em Los Angeles, aonde nasci.

Ultimamente vinha me obrigando a ir ao hospital, mas não o via, me fazia mal.  Como pude me deixar enganar por ele.

O mesmo penso, perdi 10 anos de minha vida, em luto por ele.  Acho agora mereço estar contigo.  Alias porque não vens viver definitivamente lá em casa.

Queres viver comigo, ou casar comigo?

O que tu queiras, os meninos te adoram, estas sempre conversando, os anima.  Mas terá que ser depois da individual.   A exposição do Andrew, será em breve. Por nada do mundo a perderia.

Alias, esse semana tive uma surpresa.  

Anda conta de uma vez, sabes que sou curioso.

BlackDog veio me dizer que me entende com respeito aos homens, começou de amizade com Peter o filho do médico.  Parece que se enrolaram.  Estão os dois estudando juntos sempre, não dei pela coisa.   O médico veio me dizer que o filho deixou de ser uma preocupação.  Lhe contou tudo.  Era a primeira vez que falava de tudo com o pai.

Como ficou isso com o Andrew,  ele diz que a vida é do irmão, que ele faça o que queira. Está de namoro com uma garota que também pinta, diz que não é nada sério, porque a garota nem pensa em casar.  Ele diz que tem muito que apreender ainda da vida.

Sabe que pediu meu quadro para a exposição, depois tem um vídeo, interessante que fez em homenagem aos pais.

Bom podemos tomar mais uma copa de vinho, ou queres ir para a cama.

Contigo sempre. Falar nisso  o que fizeste com minha mãe?

Porque, nada, gosto de conversar com ela.

Pois não para de perguntar se te vejo, como vamos.  Lhe digo que saímos a velejar, ela sorri.

Vou convida-la para ser minha madrinha de casamento, achas que aceita.

Deixa de falar, vamos para cama de uma vez, quero te explorar mais e mais.

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