DENTRO DO PADRÃO

                            

Despertar no horário de sempre, tinha ido para o beleleu, depois de tantos meses no hospital, aonde lhe davam remédio para dormir, relaxantes, para a dor.   Num determinado momento foi consciente que se seguia assim, se tornaria um viciado, com tanta medicação. 

Pediu para falar com o médico, este tentou argumentar, mas foi irredutível, nesse dia por acaso estava seu companheiro na polícia.

Desista doutor, esse quando coloca uma coisa na cabeça, não há quem faça mudar de opinião.

Tudo o que quero doutor, embora possa ser cedo demais para isso, é começar a reabilitação, tenho que voltar a andar outra vez, voltar ao trabalho, porque senão sairei daqui direto para um psiquiátrico.    

Seu companheiro ria horrores, estou imaginando a cena, pois tu num psiquiátrico, ia deixar todos loucos.  Sou o único que o aguenta, ele é impulsivo, por isso aconteceu tudo isso.

Tinha sido atirado de um 10 andar, por sorte tinha caído em cima de um toldo, que amorteceu a queda.  Rompeu as duas pernas, uma em vários lugares, um braço, além do tiro que tinha levado, ninguém tinha entendido como tinha caído em pé, se estava desacordado.

Alguém teve tempo de roubar sua arma, tirar toda sua roupa, pois quando chegou embaixo estava completamente nu.   

Tinha ido atender uma chamada de emergência, uma voz de um jovem pedia auxílio, estavam querendo lhe matar, falava de um banheiro.

Chegaram 10 minutos depois, seu companheiro atendia uma chamada da central, ele foi em frente, mal abriu a porta, a imagem que tinha era de um jovem, de uns 18 anos, sem calças, com sangue escorrendo pelas suas pernas, com um revolver na mão.  Levou uma pancada na cabeça, caindo desmaiado, o tiro tinha levado depois.   Outro detalhe que se fizesse um esforço se lembrava era a cara do rapaz, distorcionada, pelo ódio, raiva, mais alguma coisa que não saberia dizer.   Depois tudo era uma escuridão.

Ficou sabendo que o rapaz tinha levado um tiro com sua arma, mas que tinha passado de raspão, ele não se lembrava ter atirado, sabia quando fazia isso, pelo cheiro da pólvora, pelo movimento.  Isso ele não tinha feito.

Quando lhe pediram para depor, contra o jovem, disse que o faria, somente depois de ler os documentos, bem como falar com ele pessoalmente.    Não queriam permitir, como era teimoso, ficou irredutível.  

Seu companheiro conseguiu copia dos documentos.  Comentou o que tinha visto, porque os interrogatórios não foram feitos por ele.   Quando chegou no apartamento, o jovem estava jogado no chão, no meio de um charco de sangue, tanto do ferimento a bala, como anal. Tinham abusado dele muitas vezes.

O fiscal que levava o caso, tentou de todos os meios que ele fosse fazer um depoimento, se negou, quero falar com ele antes, algo está errado nisso tudo.   Perguntou quem era o juiz. Quando o outro respondeu, deu um sorriso matreiro.   Pediu ao seu companheiro que o ajudasse a vestir-se, uma cadeira de rodas especial, que apoiava seus pés, foram para o tribunal, o juiz o atendeu a contragosto.   Mas estava chamando muito a atenção aquele homem numa cadeira de rodas.

Disse que antes do julgamento queria falar com o rapaz.  Este tentou negar.

O chamou pelo seu nome  Chaz, era o diminutivo que ele usava com o Juiz, tinham sido amantes anos atrás.  Não vou permitir que prejudiquem esse rapaz.  Aqui tem algo errado, sei que o homem que foi encontrado morto, era uma pessoa importante, sei que o caso terá muita atenção mediática,  mas tenho certeza de que não atirei nele, além de que, se olhas o meu atendimento, verás que tenho uma ferida na cabeça por detrás, isso ele não podia fazer, pois estava na minha frente.

A contragosto Chaz, aceitou o pedido.

Quando entrou na cela que o rapaz estava, o mesmo lhe perguntou se tinha vindo para assusta-lo, vai me ameaçar de mais um processo?                     Já estou fudido mesmo, que mais pode me acontecer.

Sorriu, um hábito que não tinha.  Não se preocupe, eu não fiz nenhuma queixa contra ti, porque sei que não atirei em ti, como tampouco atiraste em mim.   Só quero saber o que aconteceu, que fazias nesse apartamento, quero saber a tua versão dos fatos.  Quem sabe posso te ajudar.

Ficou olhando para ele, como procurando saber se podia confiar nele.

Não podia ser você, pelo seguinte, alguém me acertou na cabeça por detrás, estavas alterado demais, para me retirar toda a roupa, me jogar pela janela.   Olha o teu tamanho, uma pessoa desacordada é um peso morto,  não terias força suficiente para isso.  A não ser que tivesses um cumplice, o que não acredito, pois quando meu companheiro chegou lá em cima, estavas atirado no chão, com um tiro da minha pistola.

Outro detalhe que não sai da minha cabeça, tinhas a cara desencaixada, um olhar de ódio, raiva, os olhos dilatados que quem foi drogado, tua arma não apontava para mim, tinhas sangue descendo pelas pernas,  então quem sabe me contas o que aconteceu.

O outro olhou para ele, porque não foste tu que me interrogaste, nem me deixaram falar, só me acusaram.  Eu não abri a boca para nada, estava muito mal para falar, ainda hoje acordo com pesadelos de tudo que aconteceu.  Não tinha nenhum advogado presente, nada.   Nem meu pai apareceu aqui, esse escândalo todo, o deve ter deixado furioso.  Imagina o filho dele abusado numa orgia gay.    Ah meu pai, é um pastor protestante, nunca me deu atenção.  Quem me cria são meus avós.

Ele conhecia bem os dois policiais que tinham feito o interrogatório, eram dois filhos da puta de muito cuidado, não estranharia que estivesse manipulado tudo.

Não constava que tivessem recuperado sua arma, tampouco suas roupas.

Bom, tenho vários amigos de universidade gays, era a primeira vez que saia com eles, fomos jantar, depois a uma discoteca.   Não sei dançar, gosto de música, mas de outro estilo, estava com dor de cabeça.  Me encostei na barra, tinham dois homens cada um de um lado, pedi água, riram, um deles puxou conversa, enquanto olhava para ele, o outro deve ter feito alguma coisa, porque em seguida, me senti tonto, enjoado, como se fosse vomitar.  Me levaram pela saída de emergência, porque me lembro do cartaz luminoso.

Depois já não me lembro de nada.  Quando acordei, estava amarrado na cama, com os dois homens nus, esfregando seus caralhos na minha bunda.  Tentei gritar, mas a voz não me saia, riram, não perca seu tempo, lhe demos uma droga para relaxar, assim seu cuzinho virgem vai aguentar muita coisa.  Então vi numa mesa lateral, todos tipos de caralhos de plástico.  Me fizeram cheirar alguma coisa que não sei o que é.   Em seguida, começaram a brincar segundo eles era isso, vamos brincar.  Se intercalava, colocavam alguma coisa em mim, em seguida me penetravam.  Não sei quanto tempo durou isso, me pareceu uma eternidade.   Quando me soltaram, porque diziam que eu iria cagar toda a cama, um deles me levou ao banheiro, era o tipo mais forte, alto, musculoso, com a cabeça raspada, uma tatuagem que faço força para me lembrar, me parece algo militar.  Me levou até o banheiro, me sentou na privada, o outro o chamou,  disse que tinha olhado minha carteira, que eu era menor de idade.   Merda, disse o outro.

Com todas minhas forças, consegui fechar a porta do banheiro, chamei emergência de um celular que estava ali.  Não sei de quem era.  Desmaiei.   Acordei estavam batendo na porta, não abri, o homem arrebentou a fechadura, era o careca outra vez. Me levantou do chão, me levou ao quarto. O outro homem estava esticado na cama, sangrando, não entendi por que, se o rastro de sangue em cima do tapete era do meu rabo.  O homem que me segurava, sem dizer uma palavra, colocou a arma na minha mão, apertou meus dedos, para mais um disparo.

Me soltou no chão, aonde fiquei chorando,   acho que a roupa dele, estava no chão da sala, pois saiu nu do quarto, procurava alguma coisa, fui tomando consciência do que tinha acontecido, porque me doía toda a parte de baixo do meu corpo.  Me levantei apoiado na parede, fui pelo corredor, até chegar na sala.   Nisso você entrou, ele estava atrás de ti, olhavas para mim como se não entendesse o que tinha me acontecido.  Queria te avisar, mas ele foi mais rápido.

Te bateu com alguma coisa na cabeça,  viu que eu tinha uma arma na mão, se abaixou, fez a mesma coisa que tinha feito antes, segurou tua mão, me deu um tiro, cai para trás no corredor, fiquei de lado, a dor era muita, mas vi que te tirava a roupa toda, tem mais o menos o mesmo tamanho que o senhor.  Vestia com muita pressa, enfiou o revolver na parte detrás das calças, o arrastou até a varanda, depois não vi mais nada, porque ele voltou me deu uma patada na cabeça, desmaiei, só despertei no hospital.

Apareceram esses dois, fizeram um interrogatório, em que eu não falei nada. Deveria ter um advogado, não leram meus direitos, afinal sou um estudante de direito, sei como funciona a coisa.  Quando fiquei melhor, me trouxeram para cá.   Ontem apareceu um advogado, desses nomeados pelo juiz, me disse que o melhor que fazia era aceitar minha culpa. Tampouco abri a boca, me deixou um cartão, foi embora.

Tens, esse cartão?

Sim, tirou das calças, estou aterrado desde ontem, nem esses meus conhecidos apareceram para perguntar por mim.   Estou sozinho nisso tudo, já sei que vou me ferrar.

Como te chamas, pois até isso creio que esta errado. 

Sim eu usei uma bilhete de identidade que me deu um amigo, para poder entrar na discoteca, meu nome é Ray Mendez.

O meu é Higth Smith, mas todo mundo me chama de Brother, porque diziam que ele falo isso o tempo todo como se fosse negro.  Culpa de um companheiro que tive, que falava muito isso, eu repetia.

Me dê o endereço dos teus avós, que devem estar preocupados com teu sumiço.

Anotou, num papel.  Irei visita-los.  Vou conseguir um bom advogado para ti, não se preocupe, volto em seguida, pois temos que adiar essa previa, porque faltam muitos documentos no processo.

Quando recuperou seu celular,  chamou um advogado, muito amigo, que lhe devia favores, pediu, tenho urgência que venha até o tribunal, o outro disse que nesse momento não podia.

Agora, eu disse agora, antes que seja tarde, nunca te peço nada, estou te esperando no hall.

Ficou ali, sentado na sua cadeira, olhou de novo todos os papeis que tinha, faltavam os exames do hospital, nada constava que o rapaz tinha sido abusado.  Não diziam que tinham feito contato com a família, claro o nome era falso.

Seu amigo, chegou ofegante, isso que seu escritório, estava do outro lado da avenida.  Soltou, Robert, estas ficando gordo, precisas de fazer exercício.

Preciso que defendas esse rapaz,  uma grande manipulação de provas, venha vamos pedir para falar outra vez com ele.  O Juiz estava irritado, foi direto ao assunto, creio que tudo isso está errado, houve manipulação das provas, esse rapaz foi abusado, porque eu quando o vi, me fixei que pelas pernas dele, escorriam sangue.   Não existe no processo nenhum exame médico, nada, nem do tiro que supostamente lhe dei.  Nem é seu nome verdadeiro, esses filhos da puta, trabalharam tão mal, que nem tiveram o trabalho de verificar.

A cara do juiz era de raiva,  ou das um atraso na vista, ou sabes que farei um escândalo.  Tu sabes do que sou capaz. 

O juiz morria de medo de escândalos, principalmente se falassem que era gay.  O relacionamento deles tinha sido embaixo do maior segredo.

Deu autorização para ele descer com o Robert, quando chegaram na cela, estavam os dois policiais, um tinha acabado de dar um murro na cara do rapaz.   As chaves, estava do lado de fora da cela, disse ao  Ray, para sair, fechou os dois dentro.  Robert, vá faça com que o Juiz abaixe agora mesmo, ameace fazer um escândalo.

Quando o Juiz chegou , o rapaz estava sentado no chão, os dois policiais, estavam fazendo o maior escândalo.   Expliquem agora ao juiz, porque estavam dando murros no rapaz, além de exigir imediatamente um exame médico.

Eu se fosse o senhor, os manteria aí, pois vou apresentar uma denúncia de mala práxis dos dois, são uma vergonha do corpo policial desta cidade.   Um policial que tinha vindo com o juiz, apresentou um papel.  Era de seu gabinete.   Mas eu não autorizei nada disso. Essa assinatura tampouco é minha.  Coloque algemas nos dois, retirem tudo, os deixem nus, para passar vergonha.  Me arrume uma cadeira, pois farei um interrogatório aqui mesmo. Chamou alguém pelo celular.   Ah essa cabrona,  minha secretária deve ter falsificado o papel, me chamem uma taquigrafa, qualquer uma serve.

A taquigrafa riu quando viu os dois policiais pelados.  Soltou estão sempre se insinuando para a gente, olha o tamanho do piru deles.  Tanto músculos para nada.

Primeira pergunta, por que estavam batendo no rapaz?

Um olhou para o outro, levantou os ombros, já não tinha nada a perder. O que parecia levar  as coisas disse, que a secretária do Juiz os tinha avisado que o Higth ia falar com ele.  Isso seria um aviso para confirmar o que escrevemos no depoimento.

Pelo que acabo de saber, foi tudo irregular, o interrogaram no hospital, não aqui?

Sim é verdade, quando nos passaram o caso, foi o que fizemos.

Sem advogado, sem nenhum parente, nada.  É um menor de idade, sabem disso?

Não, estamos cobrindo um companheiro de outra delegacia, foi ele que nos disse o que fazer.

Podem ir soltando o nome do dito cujo.

Nem pensar, ele nos mataria, foi ele quem armou a confusão toda.  Fodia com esse homem rico por dinheiro.  A coisa saiu dos eixo, por isso acabou assim.

Não estou brincando, ou me dão o nome, ou soltarei que denunciaram um companheiro, imagina a confusão.   Um olhou para o outro, deram o nome.

Higth pensou, pior elemento não podia ser, uma vez sai no braço com ele quando trabalhei nessa outra delegacia.   Era um corrupto, mas apadrinhado do chefe.   Pensou a coisa vai feder. Chamou seu companheiro, disse que fosse aonde estavam, o juiz ditou a taquigrafa uma ordem de prisão do mesmo.

Agora me falem, porque falta a parte do exame médico do rapaz, não se fala no tiro que levou, nada disso. Creio mais que ele é uma vítima, não um agressor.

Quando chegamos, estava desacordado no corredor, com uma arma na mão.   Sabíamos que tinham atirado o Higth pela janela, ainda comentei, esse menino, não poderia ter feito isso, aí vimos uma roupa no chão da sala, descobrimos quem era.  Falamos com ele, nos disse para não mencionar nada.   Que o rapaz fosse para o hospital, que ele daria um jeito em tudo.

Mas pelo visto não aconteceu isso, pois depois descobrimos, que o rapaz não foi para o hospital que mandamos.  Talvez isso tenha salvado sua vida.

Nisso chegou um médico,  levou o rapaz para outro lugar, o examinou, voltou falou no ouvido do juiz, que se afastou, chamando o Robert, para escutar.  A cara deste era de fúria.

Seu companheiro lhe chamou, dizendo que o outro estava foragido, que fazia dois dias que não aparecia na delegacia.  Fomos a sua casa, a mesma está fechada, ninguém abre a porta, uma vizinha disse que ele saiu com duas malas, ontem.  Tenho o número da matrícula, mas seria interessante entrar na casa.  Como estavam falando em viva voz,  o Juiz que já estava furioso, estou mandando a ordem por celular, podem entrar.

Isto esta uma loucura, melhor mandar um forense, tem uma pessoa morta aqui.  Lhe destroçaram a cara.  Mas pelo tamanho, não é o policial, tem corpo de garoto.  Mas deixou para trás o computador.  Vamos examinar tudo.

Bom, disse a taquigrafa, vou ditar a ordem de prisão desses dois, bem como ordem de captura internacional do mesmo.

O rapaz pode sair, mas terá que ficar sobre a guarda de alguém.

Higth, que não pensava voltar para o hospital,  chamaria um enfermeiro seu amigo, para lhe ajudar em casa, ele pode ficar sob minha guarda na minha casa.  

Avisou ao Juiz que o outro tinha sua arma regulamentar, que não tinha sido encontrada.

Um deles, disse que estava com eles.  Nos disse para ficar com ela, caso tu recobrasse a consciência.

Aonde está, o filho da puta, diga aonde estava escondida!

Bom que seja anexada ao processo.

Ele iria pedir ao seu companheiro que o ajudasse nisso, afinal eram amigos de longa data.

O médico, deu uma lista de medicamentos para o rapaz.  Creio que ele na verdade deveria ir para o hospital, pois creio que tem uma infecção no reto.

Vou com ele, disse o Higth, não me faz graça voltar a um hospital, mas fico com ele.  Robert, por favor, arrume de um jeito que possamos ficar no mesmo quarto.  O médico era do mesmo hospital que ele tinha sido operado, vieram duas ambulâncias, para levar os dois.

Quando seu companheiro chegou, soltou, o que gosto de trabalhar contigo, é toda a loucura que podes mover. Parece que jogar merda no ventilador, é o que fazes melhor.

Quero que descubra quem é o médico que atendeu o rapaz, encontre pode traze-lo aqui.

Robert que entrava nesse momento, rindo, acabo de perder um contrato milionário por tua culpa, vou comer esse teu cu, grátis uma década.  Os dois riam, se conheciam a muitos anos.

Aonde está o rapaz?

Na sala de cirurgia, pelo visto teve uma hemorragia, na ambulância, chegou mal aqui.  Ficaram de nos avisar. 

Brad, ou melhor Bradford, seu companheiro, vinha arrastando um médico, o homem devia ter 1,60 metros, magro.   Explicaram a situação.

Eles vieram aqui, no mesmo dia que interrogaram o garoto, me ameaçaram, queriam os informes, tirei uma cópia, mas fiz que o original caísse por detrás da impressora.  Depois o recolhi, tenho tudo guardado.  Bom, precisamos de duas cópias, uma para seu advogado, outra para o Juiz.   Brad, proteja o doutor.  Brad tinha 1,90 metros, parecia um armário,  o outro olhava para cima, pode deixar, cuido dele com mimo.

Robert soltou o Brad tem razão, estar contigo é o mesmo que estar no meio de um furacão.

Uma enfermeira, veio trocar suas as bandagens do seus ferimentos. Quando retirou as da perna que tinha rompido em 3 lugares, Robert viu que tinha pedaços de metal.

Vais ficar ai de boca aberta, olhando para isso?

A enfermeira disse que ele devia ter ficado na cama.

Nem pensar, basta, quando esse menino estiver bom, vou para casa, quero ver alguém me segurar.   Rindo passou o endereço dos avós para o Robert, vá visita-los, pode ser que pensem que está desaparecido.

Ele ficou sozinho matutando,  chegou à conclusão de que os dois iam matar o garoto, ou droga-lo suficiente para que morresse na rua.   Devem ter mais coisas escondidas na manga desses dois.

Quando Brad voltou, enquanto lia o relatório original do médico, pediu que descobrisse com os forenses, que era o rapaz encontrado na casa do outro.

Só o escutava dizer hum, ok, hum, ok.  Tinha a cara de fúria, quando se voltou para ele, é  um menor de idade, ainda não se sabe quem é.  Vivia com ele, segundo é o que parece, pois tinha um quarto na casa.  Lá também tinha uma serie de objetos eróticos.  Na parte baixa da casa, tem um quarto que parece de um bordel.   Tinha sangue por todas as partes.  Recolheram tudo.

O policial, devia ser um pédofilo, deveria estar ligado a alguma rede.

Já temos ordens do juiz, para entrarmos na rede do celular dele, para ver o que continha, a companhia telefônica não gostou, mas teve que engolir em seco, parece que o juiz perdeu a calma com eles.

A coisa é maior do que pensamos.  O que achas de tudo isso?

Creio que tinha alguma coisa com esse homem rico, lhe devia arrumar rapazes jovens para fazerem orgias.   No informe o médico diz que ele tinha uma taxa altíssima de drogas, tanto para um tipo de relaxamento anal, bem como drogas pesadas, para ficar sem vontade nenhuma.

O Ray, estava no lugar errado, na hora errada.  Puta que pariu, imagina que confusão tudo isso. Por sorte dele, a ambulância o levou para um hospital que eles não esperavam, senão estaria morto.

Nisso entraram no quarto trazendo o Ray.  Estava num sono profundo.   O médico foi falando, que bem que vieram para cá.  Todos os pontos da sutura interior se romperam, ou lhe deram um chute, pois tem essa região marcada.    Mais um pouco tinha morrido.

Nisso chegava o Robert, vinha furioso.  O pai não deixa os avós vir para ver o neto, disse que não quer o nome da família ligado ao um gay.   Tanta benevolência vinda de um pastor de igreja é horrível.    O sujeito é a pompa e circunstância juntos, se acha acima do bem, do mal, de todas as coisas.  Perdi a paciência, lhe disse que Deus já lhe daria a resposta que merece.  Ele não sabe que gravei tudo, pois ao entrar na sala, nos tratou muitíssimo mal.   Se o menino me permitir, irei a igreja, mostrarei o vídeo do filho da puta.  Quando tentei argumentar que seu filho apenas era uma vítima, que estava no lugar errado, na hora errada, riu na minha cara.

Os homossexuais como meu filho, como o senhor, sempre estão se defendendo entre si, não ia me admirar que o senhor não tenha relações com ele.

Tive que me controlar, lhe disse que era seu advogado, sabe o que foi que me disse?

Que não ia pagar nada, pois esse filho já não existia para ele.  A cara dos avós era de desespero, pois tem muita idade.  Voltarei para falar com eles quando o mesmo não esteja em casa.

Nisso entrava o delegado da sua delegacia,  menino, quando jogas merda no ventilador, jogas numa quantidade tão grande, que o cheiro pode atravessar o pais inteiro.

Não sabem o que estava no computador, a coisa é asquerosa, inclusive dois juízes no meio, a coisa esta feia.   O chefe desse mafioso, já está bem preso.  Nos que temos sempre problemas em conseguir ordens com os juízes, agora pelo menos temos um juiz do nosso lado, o teu amigo, esta na delegacia, vendo o vídeo, assim que cada um é identificado, ele dá a ordem de prisão do mesmo, bem como revistar a casa do sujeito.

É uma rede de pédofilos, imensa, atravessa o pais.  Os que não forem daqui, vamos passar para o FBI, mas os daqui, hoje a prisão vai estar cheia.    Agora o do delegado, fazendo sexo com garotos, a maldade que fazia com cada um, tudo registrado em vídeo, vai dar muito que falar.

Tivemos que pedir forenses emprestados ao FBI, porque é muita coisa para ver.

Viram que Ray começava a despertar, todos se despediram, só ficando o Robert, ele o rapaz, chamaram imediatamente o médico, pois ele despertava.

Olhou para o lado, quando viu o Higth na outra cama, sorriu, obrigado.

Higth, lhe fez um sinal para ficar quieto, fale o menos possível, descanse.  Essa noite teriam dois policiais na porta do quarto, mesmo assim, antes do Brad ir embora, pediu uma arma, nunca se sabe foi o argumento.

Despertou de madrugada, com o Ray olhando para ele, o que foi perguntou, não consegues dormir?

Tive um pesadelo, por isso acordei.  A principio fiquei desesperado, só de imaginar o que me aconteceu,  imagino que não fui o único na mão desses filhos da puta, mas jamais imaginei isso acontecendo comigo.

O que me doeu mesmo, foi as maldades que fizeram comigo, não podia me defender.  Imagina, nunca tinha feito sexo com outro homem, agora, estarei em guarda o resto dos meus dias.

Ele chamou a enfermeira, pediu que aproximasse sua cama da outra, agradeceu, ficou segurando a mão do Ray.    Sei o quanto isso é traumático, mas um dia encontraras alguém a quem amar.  Ai será melhor.

Tu encontraste alguém para amar?

Bom tive vários amores, que acabaram ficando meus amigos.  Mas com a vida de levo, é muito difícil, lidas com brutalidade todos os dias, chegas em casa exausto, tudo que te passa na cabeça, queres borrar,  fica difícil, desligar, vamos dizer, cortar os cabos.    A pessoa que te espera, quer uma cabeça livre de problemas.   Mas isso não é possível.     Procuro, entrar em casa, me esquecer de tudo.   Quando saio mais cedo do trabalho, ou se passei a noite trabalhando, o que faço é ir a uma piscina, ficar nadando, até me relaxar, tomo um bom banho, vou para casa, caio na cama, durmo.   Mas se não faço isso, fica difícil.  Primeiro porque não bebo, a maioria da polícia sim, por isso quase todos que são casados, se divorciam, as mulheres não aguentam.  

Venham tenta dormir, ficarei aqui segurando tua mão, dormiram os dois de mãos dadas.  Despertou com o Brad, do outro lado da cama, estava rindo, a imagem dos dois de mãos dadas, não podia ser a melhor, quase fiz uma foto, para colocar na internet. 

Ray despertou quando ele se moveu.   Só disse obrigado, creio que segurar tua mão, me fez sentir num porto seguro. Consegui finalmente dormir.

Ia dizer ao Brad o que tinha acontecido, ele fez um gesto, não importa, te conheço.   Quais são as novidades?

Passei pela delegacia, o pessoal, não pregou o olho a noite inteira, o FBI, trouxe gente, vão separando os dos outros estados.  Descobrimos que dopam os rapazes, os mandam como mercadorias de um estado a outro, deixando nas mãos de pédofilos.  Se sobrevivem ou  não sabemos.  Isso levará meses de investigação.  Aqui um dos imputados, era professor numa escola de crianças pequenas, tinha fotos de todos seus alunos sem roupa.   Quando o prendemos disse que lhe pagavam mal na escola, mas que nunca tinha abusado de nenhum aluno.

O chefe me disse para assumir um grupo.  Tu nem penses, disse ao notar o movimento do Higth, tens que te recuperar.   A única maneira será, ficares no escritório controlando tudo.

Pois eu prefiro isso a ficar em casa. Não aguentarei, posso me suicidar, ai vocês ficaram com remorsos.

Olha o chantagista, remorsos, vamos é ficar contente de estar livre de ti, meu amigo.  Admiro muito tua coragem nisso tudo, não sei o que farei sem a tua intuição ao meu lado.

A cara do Ray escutando a conversa era ótima.  Vocês dois parecem aquele casal que discute, mas ao mesmo tempo ama o outro. 

Deus me livre Ray, o meu companheiro é como estar no meio de uma tormenta de neve, misturada com uma de areia, tudo ao mesmo tempo.   Podes imaginar isso.

Posso, o vi atuar ontem, fiquei literalmente impressionado.   Sinto não ter podido avisar que o outro estava atrás dele, não conseguia falar, meu grito ficou grudado na garganta.

O médico veio examinar os dois.  Vamos transferir os dois para um apartamento, paga a polícia, porque esse movimento de entra sai gente, dois policiais na porta esta causando problemas no andar.   O delegado pediu, fizemos uma concessão, vamos te deixar trabalhar desde a cama. Vão instalar um sistema de internet aqui, diretamente para ti.

Os enfermeiros foram levando as camas, parecia uma procissão, seguidos, pelos policiais armados.

Era um quarto bom, grande, com poltronas, lá estava um grande amigo do  Higth, instalando um computador no quarto, nem assim fico livre de ti.   Era uma pessoa graciosa, loiro, olhos azuis como agua, os cabelos compridos, bem proporcionado.  Viu que Ray olhava para ele, com curiosidade.  Dependendo do ponto de vista, James era bonito.  Mas estava sempre calado, nunca ria demasiado.   Tinha sido hacker, Higth, o prendeu numa redada sobre a internet profunda, o protegeu, na época ele tinha 16 para 17 anos,  depois de insistir muito, o convenceu de fazer faculdade.  O argumento tinha sido, sei que sabes mais que os professores, mas assista algumas aulas, faças a provas, tenha um diploma.  Depois arrumo um emprego para ti.

Ele vivia num apartamento ao lado do Higth, muita gente falava que os dois tinham um romance, mas claro nunca se atreviam a falar abertamente na cara dos dois.   Higth, nunca misturava as estações.   Quando Brad veio trabalhar com ele, foi a mesma coisa, um dia os dois tomando uma cerveja, comentou isso com ele, olha Brother, vão falar muito que vais comigo para a cama, não me importaria, mas trabalho é trabalho.

Brad o olhou de cima a baixo, que dizer que não te importaria que eu comesse teu cu.  Bom um dia que não tenha nada que fazer, se estiver chovendo canivetes abertos, farei um esforço supremo, pois teu cu deve ser fedido.  Se mataram de rir, nunca mais tocaram no assunto.

Se entendiam com um simples olhar.   Um dia o Brad estava tomando banho, depois do serviço, não lhe dava tempo de ir para casa fazer isso, quando alguém entrou no banheiro, comentou sobre sua bunda, ele soltou, acho que não deves ficar olhando, isso é propriedade do Brother, o outro saiu de fininho.   Ele ficou as gargalhadas, quando lhe contou, riram muito, o pior foi o que fizeram com o outro.   Ia saindo, Brother o segurou, encostou na parede, que historia é essa de ficar querendo minha propriedade, tens o piru muito pequeno para aquela coisa mimosa.

Bom o sujeito passou a ser chamado de mimosa pelos dois.   Quando descobriu que era tudo gozação deles, acabou rindo, lhe obrigaram a pagar uma cerveja.  Se minha mulher descobre isso, é capaz de cortar meu piru fora. 

Não sabes quem será meu companheiro, a mimosa. 

Uau, cuidado, vai te agarrar no carro.   A cara do Ray era de curiosidade.  James, rindo lhe disse, cuidado esses dois estão sempre assim, na brincadeira, contou a historia do mimosa. Ray até riu.  O pior que o coitado, tem três filhos, trabalha como um condenado.  Diz que não pode ir para casa, porque podem vir mais um.

Vendo o James contar a história, os dois ficaram olhando, olha só o garoto, contando nossos podres, o que vai pensar o Ray da gente.

Quando tudo funcionava, Higth começou a trabalhar.   James perguntou ao Ray, se ele queria um laptop, para se distrair, mas aviso, desde aqui estará censurado, não podes falar nada do assunto.   

Prefiro livros,  se alguém puder ir até a casa dos meus avos, faço uma lista dos livros, eu preciso estudar, tenho que manter as notas, para avançar no curso.

Por que foste escolher logo direito para estudar?

Pensei que meu pai ia gostar, mas eu não existo para ele.  Quando minha mãe morreu, logo em seguida se casou outra vez, sua mulher não pode me ver, é muito ciumenta, logo tiveram dois filhos, está o vigia como um bulldog.

Por isso fui viver com meus avôs.   Ela é muito boa comigo, o velho é meio ranzinza, mas nunca me tratou mal.

Irei até lá disse o Brad, assim vou ver se consigo que venham te ver.

Meu pai deve ter ameaçado os dois, não tem muito dinheiro, vivem da pensão do meu avô, sempre ameaça com dinheiro.   Eu quando entrei para a Universidade, consegui uma bolsa de estudos, pelas minhas notas.   Agora me arrependo, gostaria de fazer outra coisa, mas ainda não me decidi.

Brad, lhe deu papel, caneta, ele fez uma lista dos livros que queria.   Eu também gosto demais de ler.

A casa do Brad, parece um labirinto, é livro por todos os lados.

Ora a tua não fica atrás, o bom é que gostamos das mesmas coisas, um vai passando para o outro os livros que compra.

James soltou, Ray, cuidado, esses dois quando estão juntos não param de falar, parecem dois papagaios.

Olha o chefe mandou esses aqui para verificares tudo que possas encontrar sobre eles.

Ray, estava olhando pela janela, viu que as lagrimas caiam pela sua cara.   Que isso rapaz, James se sentou ao lado dele na cama.   Calma, tudo vai se resolver.

Estou chorando de inveja, nunca tive amigos assim. Com os que sai, os conheço da faculdade, mas não somos amigos, eu desapareci, nem sequer procuraram saber o que tinha acontecido.

Bom agora esta no meio de amigos.  Eu virei aqui duas vezes por dia, iremos conversando.

Na cabeça do Higth, isso era bom, pois James, tampouco encaixava com o resto dos policiais, era muito jovem, devia ter no máximo três a quatro anos mais que o Ray.  Teve uma infância infeliz, uma mãe alcoólatra, que gastava tudo que ganhava com bebida.  Agora andava sempre atrás dele, por pensar que ganhava uma fortuna na polícia.  Tanto que nem sabia aonde ele morava.   Seu apartamento era justo ao lado do Higth, era menor, quando ficou vago, ele o avisou, ficou como seu fiador.

Uma semana depois, saíram do hospital, Higth, tinha conseguido que a reabilitação fosse a primeira do dia, chegava no hospital as 7 da manhã, as oito Brad passava para leva-lo para a delegacia.  Ray estava usando o outro quarto do apartamento, ia acompanhado a faculdade fazer os exames.  Depois entraria em férias.

Não tinha conseguido capturar o polícia que tinha fugido, por isso, estavam sempre de sobre aviso.   Tinham encontrado em sua casa, vários passaportes numa gaveta.   O idiota não era muito criativo, os nomes, variavam em cima de seu próprio nome.   Agora tinha a Interpol bem como a CIA, atrás dele.

O caso do Ray, nem foi levado a julgamento, o juiz concordava com o Higth que ele era a vítima, não o outro.   Um dia conversando com o Higth, disse que idiota fui pensando que podias prejudicar minha carreira.  Agora vivo sozinho, amargurado, não sabes como esse caso mexeu com a minha cabeça.  Sabia que existia gente assim, mas claro, como juiz mantenho distância para analisar.    Mas desta vez trabalhei de cabeça no caso.              Posso te dizer que ver esses vídeos, me deu vontade de mandar todos esses filhos da puta para um paredão.

Agora que acaba a instrução, consegui vários juízes para estudarem a sentença de cada um.  Eu vou mais é sair de férias, tomar novos ares.   Olhou sério o Higth, queres vir comigo.

Higth, ficou sério, adoraria, mas nosso tempo já passou, agora que já ando normalmente, pretendo voltar a trabalhar nas ruas.

Um dia chegou para trabalhar, viu que Brad, conversava com Mimosa no carro, chegou devagar, foi dizendo, pode soltar o piru do meu namorado, mas parou, viu que mimosa, estava com os olhos cheio d’agua.  O que aconteceu?

Minha mulher me pediu o divórcio, diz que não aguenta mais meus pesadelos, que meus gritos de noite assustam as crianças, vai embora com elas para a casa de seus pais em Miami.   Não sei o que fazer.  

O que tens que fazer Mimosa, é procurar um psicólogo, teu problema, é que ficas com tudo guardado dentro de ti,  temos que colocar para fora tudo isso.

No dia seguinte, voltou a trabalhar com o Brad, este disse que desconfiava que o Mimosa tinha se apaixonado por ele.  As vezes no carro, olhava para o lado, ele estava me olhando fixamente.

Não sei se sou gay ou não, tive romances, mas estou a muito tempo sozinho, entendi que ter alguém é problemático.

Se ele está apaixonado por ti, ira conversar contigo, deixe que ele coloque para fora isso, é uma boa pessoa.  Mas realmente é uma maldade da mulher o separar dos filhos.

Me disse que ela não quer nada com ele a meses, que já fez de tudo para se reaproximarem, mas ela sempre diz não, que tem medo de ter mais filhos, ficar viúva, essas coisas todas.

Ele vai ficar  fudido, tendo que pagar pensão de três crianças.  Diz que vai ter que viver outra vez na casa de seus pais.

O departamento de polícia, devia ter apartamentos, para a quantidade de homens que perdem suas famílias por culpa do trabalho.

Higth se sentia vivo outra vez,  Ray, agora estava dividindo apartamento com o James, tinha arrumado um emprego na biblioteca da universidade.  Tinha sorte, de que seu caso não tinha saído nos jornais.   Quando estourou o caso, a única pessoa que apareceu, foi o Higth, por ter sido jogado do edifício, mas dele não falaram nada, afinal era menor de idade.

O do Mimosa, foi a pior, sua mulher foi embora com as crianças, bebia demais, os dois tentaram ajudar, mas não funcionava.   A coisa piorou quando o Chefe queria com a cara que tinha, se infiltrasse numa banda que estava distribuindo drogas.   Brad, Higth foram contra, porque sabia de sua situação.

Sabiam que o chefe tinha perdido uma promoção que queria muito, não se dava conta, mas agora quando dava ordens gritava, não admitia de maneira nenhuma ser contrariado.

Um dia tomando cerveja com o James, comentou, teríamos que começar a gravar todas esses gritos, essas ordens absurdas, porque um dia isso se vai virar contra nós.   Depois se esqueceu do assunto.

Mas quando deu a ordem ao Mimosa para se infiltrar, quase saiu nos muros com Higth, pois esse disse claramente que o outro não tinha condição psicológica para enfrentar um caso assim.  Por mais que argumentasse o chefe era irredutível.  Acabou o Higth dizendo que ele acabaria com o peso na consciência da morte do Mimosa.

Tentaram argumentar diretamente com este, mas ele disse que precisava desesperadamente de dinheiro para mandar para a mulher. Vai se o último que faça, o chefe me prometeu que se faço isso, me conseguirá uma aposentadoria antecipada.    Isso era impossível, a menos que ele saísse ferido no caso.     Não houve maneira, eles ficaram como elo de ligação do Mimosa, com a polícia.

Chegou duas vezes ao encontro, totalmente drogado, discutiram com ele sobre isso.  Tudo o que fez, foi falar alguma coisa no ouvido do Brad, este não quis contar o que era ao Higth.

Tentaram argumentar com o chefe outra vez, falaram que ele estava se drogando, mas nada, estavam desesperado, ninguém os escutava.

Uma semana sem dar notícias, acabaram encontrando o Mimosa morto.  Ficaram os dois arrasados, Higth perdeu o controle, entrou na sala do chefe, com o dedo em riste.   Te disse que o acabarias matando, pela autopsia, devem ter descoberto, pois ele tem picadas de agulhas por todo o corpo, isso não é normal, além da quantidade de drogas, encontrada no corpo, passa de uma overdose.

A única resposta ele estava fazendo seu trabalho.

Devias conseguir para sua viúva, um salário fantástico por isso.

Eu não prometi nada a ele.  Era um idiota, estava fazendo merdas aqui, arrumei esse caso para ele, mas meteu o pé na merda.

Quando comentou que o tinha avisado que ele estava se drogando, o chefe nem quis escutar.

Montou uma operação, para prender o bando.  Tudo muito mal planejado, os dois reclamaram outra vez.   No tiroteio, Brad levou dois tiros, uma em cada perna.  Higth teve o ombro esquerdo estilhaçado, teria que colocar uma prótese.

Estava furioso, depois da operação, ficou dias sentado ao lado da cama do Brad, resmungando.

Se vamos fazer alguma coisa, temos que ir a um juiz, poucos nos darão atenção, se trata de subordinados, contra seu chefe.   Não temos nada para provar.

Da porta James, perguntou, provar o que?

Comentaram, como podemos pedir a um juiz uma ordem contra nosso chefe, se não temos provas de nada.   Ele é culpado da morte do Mimosa, bem como uma operação mal planejada, temos aqui no hospital, mais três homens feridos.

Quero saber, se realmente querem ir contra ele.   Eu de qualquer maneira depois disso tudo, resolvi sair da polícia, vou montar uma empresa de proteção de dados, com o Ray.  Tem trabalhado comigo, só nos falta financiamento.

Higth sorriu, estamos falando de quanto, posso financiar, mas quem sabe preciso de emprego.

Bom, assim que pudermos falar, vamos fazer uma reunião em casa, mostro umas coisas.

Quinze dias depois saíram do hospital, o chefe não tinha visitado, nenhum dos feridos.

Na casa do James, já faltava espaço, para tantos computadores.  Higth ainda tinha o braço no cabresto, tinha perdido basicamente 50% da mobilidade.   Brad, levaria menos tempo em reabilitação.

Bom vocês disseram que não temos provas.   Higth, lembra que conversamos tomando uma cerveja?   Que me disseste que um dia tudo viraria contra vocês, porque ele não escutava.

Escutem isso, eram as discussões do Higth com o chefe, tudo o que esse tinha falado, os gritos, ameaças aos outros do departamento, tudo estava ali.    Mesmo suas conversas particulares, ele falando com um amigo, dizendo que esses idiotas mereciam morrer por discutir com ele, afinal ele era chefe para isso, dar ordens, certas ou erradas não importava.

Higth, perguntou ao Chaz, se ele tinha tempo para conversar com eles.   Depois do caso do Ray, tudo o que ele tinha ajudado a destapar, junto com a CIA e o FBI, tinha sido promovido, era coordenador de grandes casos.

Se vocês me chamam é por algum caso especial, claro que vou.

Quando viu o apartamento do James, disse, não estas outra vez trabalhando de Hacker?

Não, o senhor pode ficar tranquilo, tomou rédeas do assunto.   Depois da primeira discussão do Higth com o chefe, disse que nós íamos fuder, com o descontrole que este estava.  Eram contra o Mimosa infiltrar-se numa banda, devido seus problemas particulares, estava bebendo muito, já talvez nas drogas.     Depois tentaram que o chefe os escutasse, pois Mimosa apareceu para render contas, completamente drogado.   Posteriormente foi encontrado morto, com muitas picaduras de drogas.   A quantidade em seu corpo dava para provocar overdose em vários elefantes.  Posteriormente o chefe promoveu uma redada, sem preparação nenhuma, sem ajuda da SWAT,  que acabou com vários feridos, inclusive o Brad, destroçou o ombro do Higth.

Escute até o fim tudo.  A cara dele era espetacular, num determinado momento, abriu a boca, não a fechou mais.

Bom teremos que fazer um escândalo, pois ele tem apoio em altas esferas.  O jeito seria fazer esses ficarem contra ele.

Vocês façam a denúncia, vou aceitar, me deem uma cópia desse material.  Terei reuniões com essas pessoas que lhe cobrem, para ver quem vai apoia-lo, para poder montar nosso caso.  Mas seria importante James que instalasses um sistema desse no meu escritório.  Quero registrar a reação desses filhos da puta.  Vamos ver como saímos do caso.

Com tudo pronto, gravariam inclusive em vídeo os encontros.  Nenhuma câmera, dava mostrar de estar acesa. Instalaram um controle na sala ao lado.

Chaz, começou a conversar com o primeiro, quero que saibas, que o que vou te mostrar é um material altamente secreto, necessito que assines um termo de compromisso, que esta de acordo com o fato de ser confidencial.   Se vaza algo, saberei quem divulgou o assunto.

O deixou escutando a conversa.  A cara do outro era fantástica, o primeiro que soltou, era que não sabia nada disso.  Que podia contar com ele.

Deixou para último, justamente com quem o chefe tinha falado por telefone.  Este disse que de maneira nenhuma ia trair seu amigo, antigo companheiro.  Queria pegar o papel da confidencialidade para rasgar.  

Tu até podes rasgar, mas escute mais isso, era a chamada do chefe para ele, inclusive o que lhe tinha respondido.  Se isso vai a juízo, estarás no meio do furacão, te faltam menos de dois anos para aposentar.  Vai queimar isso, apoiando um louco?   Tens dois filhos na universidade, se lanço isso, ficaras sem aposentadoria, como vais fazer?

Não podes fazer isso comigo, arruinaria minha vida.

Teu amigo arruinou a vida de um oficial que estava sobre seu mando, o mandou a morte, depois que lhe foi negado o ascenso, virou outra pessoa, totalmente desequilibrada, não podemos ter como chefe de polícia, um sujeito assim.

Esse dois que vão apresentar a denúncia, são gays, além de dormirem juntos, usou na verdade a palavra fornicar.

Sim o Higth é gay, como eu também, queres que eu faça a listas dos comandantes gays da polícia?

A cara do outro era fantástica, acabou assinando.   Mas mal saiu as sala, tentou chamar o chefe por celular, o mesmo foi interferido pelo James imediatamente, cercado por policiais que vigiavam os corredores.

Foi preso em seguida, tinha rompido o compromisso de confidencialidade.   O Chaz, disse na sua cara, quem cagou tua aposentadoria, a vida de teus filhos na universidade foste tu.  Eles gostaram de saber que seu pai, dá mais valor apoiar um homem desequilibrado, do que a eles.

Deu a ordem de prisão, quando os homens da polícia judicial, entraram na delegacia, foram direto a sala do chefe, este saiu algemado, por ter resistido a ordem de prisão.   Quando o processo foi levado a cargo por outro juiz, ele inclusive ameaçou o próprio, dizendo que era mais poderoso que todos dali.   Perdeu seu cargo, todos os direitos de polícia, seu amigo idem, inclusive foi divulgado num processo a parte, toda a sequência em vídeo, em que ele assinava os papeis, em seguida sua chamada ao chefe, tentando lhe alertar do perigo.   Outro que apesar de ter costas largas, como o caso era mediático, ninguém quis apoia-lo, perdeu tudo também.  Ao mesmo tempo, conseguiram uma pensão robusta para a mulher do Mimosa.

Os dois pediram demissão da polícia iam trabalhar com o James, levar uma vida mais tranquila. Foram os quatro depois da firma montada, passar um final de semana numa praia, pois queriam relaxar-se antes de oficialmente abrirem um negócio.

Os dois dividiam quarto.   Enquanto esperava que Brad tomasse banho, tirou sua roupa, ficou só de cuecas, caiu na cama, adormeceu.  Só sentiu, uma mão lhe fazendo carinho na cabeça. Quando abriu os olhos, lá estava o Brad fazendo isso.  Sonhei muito com isso, agora que já não estamos na polícia eu posso fazer.  Os dois se gostavam, mas impunham limites.  Agora os limites tinha indo para a casa do caralho.  Ficaram depois abraçados na cama, sempre sonhei com isso.  Cada vez que tentava ter um relacionamento, buscava alguém parecido contigo, mas claro não era, desisti.    O que foi que o Mimosa falou na tua orelha aquela vez que o encontramos drogado.

Me disse para não perder tempo, que eu me declarasse para ti, ele sabia que eu gostava de ti. Podem me chamar de Mimosa, realmente fiquei louco quando vi o teu corpo, mas já sabia que amavas o Higth, como sei o quanto ele gosta de ti.  Um dia vocês estão velhos, amargados, pois deixaram a pele como polícias, chegarão à conclusão que não valeu a pena.

A empresa funcionou, não queriam ser uma grande empresa, apenas uma que podia atender os clientes honestamente.   Brad que tinha uma presença impressionante, fazia os contatos, eles o resto.

Um dia apareceram numa reportagem do Times, com dois jovens empreendedores na área de segurança de internet, podia fazer sucesso.  Na capa, James, Ray abraçados.   O pai deste veio falar com ele, que estava orgulhoso do filho.  Mas ele, simplesmente respondeu, que ele ao contrário não tinha orgulho nenhum de um pai que pregava uma coisa, se comportava de outra, não tenho nada para falar consigo.  Tenho uma família, que me cuida, não preciso de ti.

Quando viu que o pai ia falar merdas, lhe avisou, o senhor está sendo gravado, posso usar tudo que diga contra o senhor em qualquer processo.

O homem colocou o rabo entre as pernas, desapareceu da vida dele.

Ele tinha o Higth como um pai para ele, bem como o Brad, amava profundamente o James, era correspondido, o passado, sempre estaria em sua cabeça, apesar de todo tratamento que tinha feito.  Mas tinha superado tudo, graças a eles.

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