D.A.X.

                                                     

Meu nome é Dax, ou David Antonio Xavier Cruz, isso tudo uma vingança de minha mãe contra meu pai, que aliás eu mal conheço.  Sei sim que é um grande filho da puta.  Não estavam casados, iriam se casar depois que eu nascesse, mas ao me ver no berçário, disse a enfermeira que esse menino não poderia ser seu filho.   Apesar do teste de ADN, não me aceitou, infelizmente conheceu também os pais da minha mãe, ele como bom Irlandês, não aceitava muito a mistura de raça.   Resulta ser que minha mãe, depois se tornou fanática por isso, pela árvore genética. 

Foi em busca dos seus ancestrais, descobriu que era uma mistura de inglês, Cheroke, mestiços de negros, japoneses, por aí vai, resultado disso fui eu.  Cabelos loiros, quase brancos, liso, olhos rasgados como os japoneses, azuis quase brancos, uma boca rasgada, mas muito sexi, do alto dos meus 1,90 metros de altura. 

Meus poucos amantes diziam que meus olhos azuis eram frios, quando de tratava de bota-los para correr.  As pessoas complicadas sentiam uma especial atração por mim.   Talvez dado que trabalhava com moda, era informático de uma revista, preparava tudo, desde fotografias, diagramação,  ajudava nas fotos de moda.   Ao mesmo tempo, a parte negra, era um hacker da rede profunda.

Minha maneira de vestir, nada discreta, ou enfeitiçava as pessoas, ou as assustava.  A anos atrás tinha conseguido lançar na moda um companheiro de juventude, era o que fazia toda minha roupa, mas claro desenhada por mim, bem como os padrões.   Alguns diziam que quando eu chegava, com meu corpo grande, músculos os justos, magro, com um cabelo imenso, roupas nada convencionais, todos os olhares se dirigiam a mim.   Os mais íntimos, como esse meu amigo, diziam que ele usava tudo isso, para que as pessoas não olhassem sua cara.  

Não entendo, tens uma cara estupenda, devias estar nas capas das revistas.

Parado ali na frente de uma vitrine de sapatos, com um olho observava a si mesmo, segundo alguns pontos de vista, ele era um escândalo, com o outro olho observava o policial que o seguia, quando passou ao lado do dele, viu que o olhava com a boca aberta, aproveitou a distração para apertar um botão do seu celular especial, tinha construído ele mesmo, imediatamente tinha acesso ao celular do mesmo.

O policial que o seguia, era interessante, devia ser descendente de mexicanos, pois era moreno, tinha os olhos verdes escuro, um corpo de cortar a respiração.   O imaginou nu por um segundo, mas cortou a imagem, para não se distrair do que estava fazendo.

Entrou na loja, o seu vendedor preferido, ele era assim, quando era bem atendido por uma pessoa, que essa não tentasse lhe empurrar nenhuma mercadoria, queria sempre ser atendido pela mesma pessoa.    Pediu para provar um tênis que era muito chamativo, ia combinar perfeitamente com uma roupa que tinha desenhado, pintado ele mesmo o tecido.

O vendedor riu, adoro tua discrição, olhando de cima a baixo a roupa que estava.  Um traje, casaco, calças de um tecido estampado, marrom com as estampas em amarelo, laranja, uns toques de azul especial como ele dizia.    Gostou, pintei eu mesmo o tecido?

É espetacular, espera que vou buscar para ti, na verdade, reservei teu número, mas é tão chamativo que ninguém se interessou por ele.

Quando colocou no pé, ficou perfeito, aproveitou para mostrar o outro pé, para o policial que estava olhando da vitrine.    Mostrou como perguntando, gosta disso?   O outro se desconcertou pois entendeu no momento que ele sabia que estava sendo seguido.

Ele aproveitou essa distração, para enfiar no tênis que estava usando, a bolsa que cocaína que tinha comprado, uma larga história, sempre sorrindo, voltou a colocar o seu tênis que tinha a cor de fundo da sua roupa.   Pagou, foi saindo, resolveu desconcertar totalmente o policial.

Saiu, andou mais um pouco, viu que o estava seguindo, se virou lhe disse na cara, “agora não posso, mas se queres nos vemos essa noite”.

O outro se desarmou totalmente, engoliu em seco, não sabia o que falar.

Ele para o confundir mais ainda, soltou “ te imagino nu, com a porra na cintura, o revolver, botas de montar, vai ser do caralho”

O outro se virou, saiu andando rápido em sentido contrário.

Ele rindo entrou rapidamente no edifício que trabalhava, o mesmo era muito conhecido, tinha sido um lugar de abate de cavalos.   Ele trabalhava no último andar, numa sala estupenda.  Foi direto ao banheiro da sala, tirou a bolsa de cocaína do tênis, tinha medo de que arrebentasse, chamou por celular o amigo para quem tinha ido comprar.       Na verdade, como sua mãe dizia ele tinha um fraco por ajudar aos mais débeis.   Seu amigo em questão era secretário do diretor de uma empresa que usava uma parte do andar de baixo.   Este subiu correndo, entrou na sua sala ofegante.  Seu chefe essa manhã tinha-lhe mandado comprar um pacote de cocaína, daria uma festa em sua casa no dia seguinte, queria estar preparado.   Claro se a polícia pegasse seu secretário ele tiraria o corpo fora.  Era capaz de dizer que não o conhecia.

Seu amigo vivia assustado, pois era um homem dado a ataques, jogar objetos em cima dos empregados.   Mas ele não podia perder seu emprego, sua mulher estava esperando um filho. Correu a pedir ajuda a DAX.         Esse escutou, tudo, lhe disse para ficar calmo, vamos fazer o seguinte.  Eu vou pela rua mais movimentada, tu vais pela rua detrás,  eu compro um pacote, evidentemente o lugar esta sendo observado pela polícia.   Eu distraio o mesmo, tenho certeza de que vai me seguir, enquanto isso, compras o que tens que comprar.

Dax, não sabes como passei mal, cheguei aqui, tive que ir vomitar.

Relaxa, agora vamos nos livrar desse teu chefe mal caráter, se ele for mandado embora, quem fica no seu lugar é uma pessoa que conheço, muito legal. Vais gostar de trabalhar com ele.

Vais fazer o seguinte, como quem não quer nada, deixa cair esse pacotinho no bolso do casaco dele.   Me diga o número da placa de seu  carro, além do modelo.

Gostava dessas coisas, sabia que horas o dito cujo saia do escritório, desceu quebrou uma das sinalizadoras da parte detrás do carro, retirou a placa, o carro estava encostado na parede, imaginava que ele colocaria a droga, embaixo do tapete na frente.

Quando chegou a noite, foi ao seu banheiro se vestiu todo de negro, escondeu seus cabelos, numa peruca curta negra, um casaco com capuz.  Ficou esperando escondido que o filho da puta descesse.

Quando ele desceu a garagem, fez o que ele tinha imaginado, escondeu o pacote de cocaína, embaixo do tapete da frente.   Manobrou para sair.  Ele tinha desenvolvido um sistema, que era fantástico, com a voz de seu pai, ligou a central da polícia, setor narcotráfico,  Deu as dicas, carro, a cor, sem placa traseira, sinalizadora quebrada, examinar o proprietário.

Sabia que esses demoravam um pouco, com mesma rapidez, ligou o celular do policial,  escreveu  um mensagem a respeito,   ele estava num carro justo a saída da garagem do edifício, seguiram o carro, de qualquer maneira infringia uma lei. Sem placa, luz traseira quebrada.  Quando pararam o carro, ele e seu companheiro, mandaram o dito cujo descer do carro, este se negou, com a famosa prepotência que era natural dele.  O famoso “sabe quem sou”?

No bolso do casaco encontraram a cocaína, este tinha já perdido a paciência, começou a gritar, querer agredir os policiais.  No que examinaram o carro encontraram o pacote de cocaína, um verdadeiro tijolo.   Ele gritava que não era dele.

Se liberou um braço das mãos do policial que o segurava, deu um murro no outro. Agora tinha fudido tudo.

Ele escondido na escuridão, ria.    Mais tarde escreveu no celular do Policial, que agora sabia que se chamava Robledo.   Mas escreveu como se fosse seu pai, o chefe da polícia da cidade.  Entrou no celular dele, observou o que estava fazendo com o sistema de vídeo, escreveu a mensagem, se mandou de fininho. 

Seu pai, não o tinha visto crescer, um dia se sentou num restaurante, de costa para ele, estava conversando com uma mulher jovem, mas que conversar, estava cortejando a mesma,  Rapidamente clonou o celular dele.    Nunca tinha escutado alguém falar tanta besteira, destas que falam os heterossexuais, achando que são o máximo.   Viu a mulher já não estava gostando, clonou o celular dela, escreveu, não perca tempo, além de idiota, o piru dele é pequeno, não sabe fuder bem, uma amiga que está aqui no restaurante.  Ele é muito chato na cama.  A mulher leu, riu, se levantou, agradeceu o jantar, mas ia embora, não ia perder tempo com um eunuco.

Ele ficou de boca aberta.   Por isso ele agora podia usar o celular do pai, para escrever para o policial.

Inclusive através do celular do pai, entrava em seu Laptop da delegacia, via tudo que queria ver, volta e meia, roubava alguma informação passando clandestinamente para a rede, através de um sem fim de esconderijo.   Por mais que procurasse, iriam acabar na China.

No dia seguinte seu amigo pelo menos respiraria tranquilo, não sabia dos planos da segunda parte, isso era um segredo só dele.

A confusão foi grande, pois mandei matéria para vários jornais.  A verdade sempre anda como equilibrista em cima de uma lamina muito fina.

No dia seguinte não se falava outra coisa, que não fosse isso no Mata-Cavalos.  Os funcionários davam graças a Deus de terem se livrado desse diretor.

Quando sai para buscar um café, escutei uma voz atrás de mim dizendo, hoje estas menos exagerados.  Começou a descrever minha roupa, calças jeans, tênis Adidas, nada de exageros, quando me virei, o Robledo viu a frente da camiseta.  Cancelado o comentário anterior.

Podemos tomar um café?

Sim, se meus exageros não te incomodam?

Pediram num Track que vendia por ali, se sentaram no Jardim em frente.

Se apresentaram um ao outro.  Dax.

Robledo, alguns me chamam de Zorro, porque acham que sou mexicano.  Nada mais longe da verdade, sou uma mistura de espanhol com marroquino.  Nasci na España, mas minha família se mudou para cá, quando era garoto.

Me informei um pouco a teu respeito, sei que eres editor de moda de uma revista moderna muito importante, que ajudas novos criadores.  Enfim, coisas que aparecem na internet.

Vê, eu não descobri nada a teu respeito Robledo.   Interessante tua mistura, eu também tenho uma mistura explosiva.   Quem é fanática por isso é minha mãe.

Eu ao contrário estava preocupado em me livrar dos de sempre na escola, que fazem bullying, sempre se achando raça pura.   Mas aprendi rápido dar porrada em que me enchia o saco.

Nunca escondi quem sou, como isso de gostar de coisas exageradas.

Como sabias que estava te seguindo?

Te vi ao passar, ficaste com os olhos arregalados, mas não pela minha roupa, sim pela minha cara, um sujeito que parece japonês, mas com os olhos azuis, cabelos loiros.  Tudo verdadeiro.

Sim não tinha te visto de perto?

Ficaste com a boca aberta, eu ao contrário, fiquei te imaginando nu.

Sempre falas tudo que pensa?

Sim, é mais fácil.  Depois também faço tudo que penso, mesmo que me arrependa depois.  Não suporto a hipocrisia.

Soube que eres um experto em Informática de Moda?

Sim dirigimos vários site de moda, além de dar apoio logístico a alguns outros.  Essas minhas saídas para o café, na verdade, são para relaxar.  A internet hoje em dia, é o veículo mais ágil do mercado, as revistas tiveram que correr atrás para poder acompanhar.  Ainda existe pessoas que compram as de papel, pois gostam de passar páginas, como eu digo.  Mas para trabalhar, não resta dúvida que a internet é o veículo do futuro.

A velha história que em moda nada se cria, sim se transforma, na internet, fica tudo registrado, mas o que se fazia antes na surdina, agora se faz a todo descaro.  Se copia, sem vergonha, o que hoje pensas que foi tu que inventaste, nada mais longe da verdade.

Aquela casa que aparece na reportagem é tua.

Dax riu muito a ponto de se engasgar.  Nada, como tudo é mentira, é a casa do dono da empresa, vivo num apartamento que comprei com um bom dinheiro que ganhei.  Mas simples, tem uma bela vista, minha cama fica virada para um panorama excelente, não tenho nenhum edifício na frente, posso andar nu, que ninguém me vê.

Tai, gostaria de conhecer?

Não, estas te oferecendo para fazer sexo comigo.

E se fosse?

Quiça talvez prefira ficar teu amigo, as pessoas, que não são muitas, nunca conseguiram lidar bem com o fato da maneira como me visto, ou então se sentem atraída por uma pessoa que no fundo não sou eu exatamente.   Eu criei um personagem, para ir pela vida, mas não passa de uma fachada.

Isso gosto de ti, a sinceridade, falas abertamente, coisa difícil hoje em dia. Só me decepcionaria em saber que eres viciado em cocaína?

Viciado em cocaína, riu, te enganas, não bebo, não fumo, detesto qualquer tipo de drogas, vi morrerem a maioria das pessoas com quem convivi, por causa disto tudo, passo.

Mas te vi comprado drogas.  Bem como alguma coisa que escondeste dentro do teu tênis.

Ah, já sei, me viste colocar um algodão branco no tênis. Resulta que tenho um problema nos pés, tenho o peito do pé muito alto, a parte da frente curta, espera, literalmente tirou o tênis que vestia, vê, não sei por que nasci com os dedos mais curtos, o algodão uso para equilibrar isso.

Tirou o algodão, vê, deve ter sido isso que viste.

Me fale de ti Robledo, que eres da polícia eu já sei, pois se estavas me seguindo pensando que consumo drogas, só pode ser.

Sim trabalho na polícia, justamente em narcóticos.

Gosta disso, ou foi por aonde conseguiste escapar?

Escapar?

Sim, sem querer por sermos diferentes, vivemos por causa dos nossos pais, como num gueto, queremos sempre nos evadir, ter uma vida diferente, verdade?

Sim, fiz direito, mas claro, aos grandes escritórios, não lhes interessava mais um que escapasse a média, para cumprir o cupão de ter que preencher as vagas com todas as raças, mas os postos principais sempre para os brancos.

Mas gostava mesmo de ser advogado, eu não gosto desse teu mundo.

Eu estudei informática, mas já direcionando para o meu mundo.   Moda, coisas criativas.

Mas se queres, uma coisa posso de ensinar, anote um site que tenho de desenhos muito particulares meus, fotografias, coisas que amo na arte.  Quase ninguém visita, mas normalmente coloco coisas novas todos os dias.

Robledo ficou olhando para ele, por isso me desconcertei contigo ontem, quando te viraste para mim, falaste daquela maneira, mas a tua cara era completamente seria, nem um sorriso. Realmente imaginavas isso?

Não era para te provocar, isso é uma coisa que faço, principalmente para assustar as pessoas que se aproximam de mim procurando sexo.  As olhos, digo uma coisa que não esperam, se desconcertam, vão embora.

Realmente funciona, levei um susto, pois estava te seguindo, porque tinha suspeitado de ti, mas ao me mostrar os tênis, como me perguntando se eu gostava, não esperava, pensei, ele já sabe que o estou seguindo.  Quando falaste o de me ver nu, fiquei imaginando que eu tinha dado essa imagem.

Não, eu já sabia que eras da polícia, sou muito bom observador, ninguém fica espreitando como tu, dia pós dia, ali naquela esquina.

Que queres acabar com o tráfico na região.   A maioria destes chefes, diretores, usam drogas, para serem eficientes, mas não é meu caso.   Eu não sou chefe de nada, nem dono tampouco, sou sim dono do meu trabalho.    O faço sozinho, tentei ter um ajudante, mas depois de despedir uns vinte, desisti, acompanhar minha cabeça é muito difícil.   Pois, imagina que neste momento, em que estamos conversando aqui, as noticias sobre tudo da moda, já passaram páginas, as  que usei antes de sair, já são velhas.

A cara do Robledo era interessante, o olhava seriamente com aqueles olhos verde, diferente das outras pessoas.  A vontade que teve de se aproximar, beijar sua boca, foi muito forte, abaixou a cabeça.

Que foi?

Melhor as vezes não perguntar as coisas Robledo, pois posso falar a verdade, não ias gostar de escutar.

Ah, Dax, para seu conhecimento, sou solteiro, maior de idade, vacinado.

Bom é que me deu uma vontade louca de te beijar, tive que me controlar.  Afinal não sei se estas de trabalho.

Estou no meio de uma enrascada.

Que foi que aconteceu?

Ontem recebi uma mensagem, do chefe superior, para prender um sujeito, ele me disse que não me deu ordem nenhuma, que nem sabia que eu existia, outro sujeito que se acha o maior.

Mas concordou com tudo, porque o sujeito que foi feito prisioneiro é peixe graúdo, denunciou muita gente de seu círculo.   Descobrimos no carro, um tijolo de cocaína, bem como comprimidos de última geração, que misturados com o álcool, provoca muita merda.  Diz ele que era para uma festa em sua casa.  Por isso o chefe fez valer tudo como se fosse verdade.

Isso, o que tem a ver comigo Robledo, sinto muito a enrascada, mas não entendo.

Te vi com um celular, que é diferente dos outros, muito bem poderias ter mandado tu essa mensagem, trabalhas no mesmo edifício.

Nem conheço direito o homem de quem falas, cruzei com ele, nestas festas idiotas que fazem para as pessoas se relacionarem, não me caiu bem.  Fez uma gozação a respeito de minha roupa, que eu respondi com uma coisa, que o deve ter feito me odiar.

Que lhe disseste? Agora tudo isso por curiosidade.

Ele disse que eu deveria ter vergonha de usar esse tipo de roupa.

Eu lhe respondi que vergonha teria, se tivesse um piru tão pequeno como o dele, que precisa de drogas, orgias para que ninguém repare que é um idiota.

Como sabes das festas?

Todo mundo no edifício sabe, ele convida as pessoas mais jovens, um amigo que foi me contou, que ele incentiva todo mundo a se drogar, se mistura com eles na hora do sexo, para não notarem que é mal dotado.

Quando descobriu que meu amigo via tudo, mas não participava, o colocou na rua.

Tudo isso, se sabes perguntar, principalmente na empresa que ele dirigia, todos sabem.  Talvez seja a empresa do edifício, que menos dure os empregados.

Tu a quanto tempo está na que trabalhas?

Desde o começo, tenho uma pequena quantidade de ações, pois no primeiro ano, ou melhor dizendo até que a empresa desse lucro, me pagavam assim.

Não preciso muito para viver, um lugar para dormir, um grande armário, para minhas loucuras, uma grande mesa de trabalho, basta.  Esqueci, um grande detalhe, muito importante, estantes para a quantidade absurda de livros que vou pedindo pelo mundo de assuntos que me interessam.

Cada vez estou mais curioso de te conhecer.   Queres jantar comigo esta noite?

Ficou olhando para o Robledo, pensando no perigo que isso podia ser, mas se sentia terrivelmente atraído.  Acreditava que tudo passaria como os outros.

Já era de noite quando saiu, antes fez uma coisa, talvez por desconfiança, guardou seu celular no cofre, ficando somente um que usava para contactar com as pessoas, de boa marca, nada a ver com o que tinha construído ele mesmo.

Quando saiu, Robledo, o estava esperando. 

Não achas melhor eu ir até em casa mudar de roupa?

Imagina, aonde vou te levar, faras um sucesso impressionante. Venha meu carro está por aqui. É verdade que não tens carro?

Sim, apesar de saber conduzir, nunca achei prático aqui na cidade.   Ou venho de ônibus, ou de metro, venho desfrutando o escândalo que provoco quando vou passando.

Já que falas assim como fizeste comigo.  Gostei muito do volume que faz tua bunda nas calças, cheguei a ficar de pau duro.

Dax, caiu na gargalhada.  Cobro muito caro, sou mais caro que uma boa puta.

Viu que saiam do centro urbano, não estás me sequestrando, verdade?

Por quê?

Estas saindo do centro da cidade, esse caminho faço para ir a casa de minha mãe, vivi muitos anos por esse lado.

Significa, que saberás escapar de mim, falou isso colocando sua mão que era grande, sobre seu joelho.   Dax, vou ser honesto contigo, só tive uma aventura na minha vida, quando servi o exército, ele era meu companheiro, morreu na guerra.   Quando voltei, tentaram me casar por todos os meios até que perdi a paciência, numa festa em que estava várias garotas, que queriam que eu conhecesse para me casar, soltei que era gay, que não pensava nisso.

Mas hoje vamos estar apenas com uns amigos, nada mais.

Chegaram a uma casa normal, desceram, ele chamou, abriu a porta um homem moreno, com uma barba imensa.  Ele apresentou meu tio Ahmed, depois foi apresentando outros homens que estavam ali, alguns eram árabes, outros espanhóis.   O tio explicou que uma vez por semana se reunião para conversar.

Sentou-se quando olhou para o lado, viu uma pilha de revista, eram aonde publicava seus artigos.

O senhor lê essa revista?

Sim, gosto de moda, trabalho na indústria, sempre tive o ofício da família, sou alfaiate, trabalhei muito tempo numa fábrica de roupas de homem, principalmente para fazer casacos.  Depois fecharam aqui em NYC, levaram tudo para a China, queriam que fosse para lá, mas nem pensar. Comecei a fazer o que gostava, faço as roupas dos meus amigos, tenho uma boa clientela.

Por exemplo essa tua roupa, está numa foto da revista, a copio, misturo com alguma ideia minha, assim os jovens daqui podem comprar.

Era verdade o casaco que estava, tinha sido presente do meu amigo, mas o desenho era meu.

Ele riu, olhou para o Robledo, que sorria.  Esse sem vergonha do seu sobrinho, me armou uma arapuca.  Estendeu a mão outra vez, sou D.A.X. veja na página 23 dessa revista. 

Falava do casaco, numa entrevista com seu amigo de juventude, ele dizia que o desenho do casaco era do D.A.X.

O homem se levantou, o abraçou, adoro teu trabalho, hoje em dia ninguém dá trabalho para uma pessoa como eu, emigrante, já na meia idade. 

Gostaria de ver o trabalho do senhor?

Me chame só de Ahmed, sou o irmão caçula do pai dele, não sou tão velho assim.

 O pessoal, se despediu, tinham que trabalhar no dia seguinte. 

Ele se levantou, Robledo disse que não iriam embora, vamos comer com meu tio.   Eu me levantei para pedir que me mostrasse seu trabalho.

Mas primeiro vamos comer, tenho preparada a comida que meu sobrinho adora, uma mistura de comida árabe com espanhola.

Se sentaram numa mesa na cozinha, ele suspirou, menos mal que foram embora, estão sempre com fome, devorariam isso em minutos.

Depois de comer, ajudaram a lavar tudo, me sigam, os levou ao fundo da casa, aonde havia como uma velha garagem que tomava todo o espaço do terreno.  Acendeu as luzes, uma mesa de corte, uma estante cheias de tecidos, três máquinas de costura, uma para cada tipo de coisa. A empresa quando fechou aqui, alegaram que não tinham dinheiro para me pagar, me pagaram com que o que eu quisesse do tailleur de alfaiate, trouxe tudo que cabia no caminhão de um amigo.   Se não fosse isso, não veria dinheiro nenhum.

Tinha um cabide coberto por um lençol velho.  Esse copiei de um trabalho teu, para um jovem daqui que começa a aparecer em filmes, pequenos papeis.

Colocou o casaco em cima da mesa, pediu ao Robledo que buscasse sua bolsa na sala.  Colocou um óculos para ver de perto, bem como uma lente, começou a examinar toda a costura, o corte, no final virou-se para Ahmed, perfeito.

Mas creio que para os jovens podias fazer assim, me dê papel,  pegou um lápis, começou a desenhar. Vê, isso combinado com um simples jeans negros, fica fantásticos.

A cara do Ahmed era ótima.  Virou-se para seu sobrinho, se tivesses me dito que o DAX vinha comer na minha casa, eu a teria arrumado decentemente, bem como teria feito uma comida melhor.

Esqueça Ahmed, gostei demais, no fundo, como disse ao Robledo, pois pensei que me sequestrava, eu fui criado por aqui.   Minha mãe, ainda vive aqui.  Não tenho vergonha das minhas raízes de maneira nenhuma.

Já era tarde, ele trocou número de celular com o Ahmed, tenho uma pulga atrás da orelha, prepara esses desenhos, mostrou dois tecidos, vê esse de risca de giz, o outro era um príncipe de galês, escuro, negro com um azul profundo.  Me telefona, marcamos, para ir aonde trabalho.  

Aonde vais dormir hoje, com tua mãe, ou te levo de volta para tua casa.

Porque não vamos a tua.

No fundo sua cabeça funcionava como uma máquina, não disse uma palavra.

A cara do Robledo era de curiosidade.   Estás quieto por quê

Primeiro porque adorei o trabalho do Ahmed, segundo, porque uma parte de mim, está com medo do que possa acontecer.   Não tenho estofo de sofredor, detestaria sofre por te perder ou coisa parecida.

Ele vivia num prédio de três andares, vivo no térreo, porque todos tem medo de assaltos, infelizmente, é mais barato, mas claro tem um inconveniente, tenho que ter grades nas janelas.

Mas ele não viu nada disso, foram entrando tirando a roupa um do outro, se beijando, sentia uma ânsia por ele, como nunca tinha sentido antes por ninguém.  Quando se deram conta, estavam na cama, um olhando para a cara do outros.   Retornaram agora mais suavemente a se beijar, me sinto contigo no meio de um vendaval de areia, só consigo ver você.

O penetrou suavemente, com ele sentado em cima dele, gosto de fazer sexo olhando para ti DAX.                 Não sabia precisar, mas num determinado momento alcançaram o clímax juntos.

Estavam cansados, dormiram abraçados um ao outro.   Quando despertou, primeiro se assustou, pois demorou a descobrir aonde estava, só quando viu o corpo moreno do Robledo, aí sorriu.

Nunca tinha estado com ninguém assim, agora não sabia o que fazer.  Robledo despertou, sorriu, merda esqueci de uma coisa.

O que?

Da porra, do revolver, das algemas para te prender na cama.  Ficaram os dois rindo, só posso dizer Dax, que foi ótimo.

Uma coisa não descobriste Robledo, meu nome verdadeiro.  David Antonio Xavier Cruz.

Caramba, tudo isso?

Cruz é o sobrenome da minha mãe, meu pai nunca me reconheceu como seu filho. Então ela para sacanear, resolveu que eu deveria ter um nome imenso. Eu abrevei para trabalhar, ficava mais fácil.

Eu sou só Robledo Camargo, um nome raro em espanhol, é da cidade da família do meu pai, Camargo, Cantabria, fica perto de Santander na España.   Estive lá uma vez, com meu pai, antes dele morrer, conhecendo sua família.  Já minha mãe é de Fez no Marrocos.  Ahmed, também é de lá, veio criança, mas seu pai, seu avô todos foram alfaiates.   Lá costuravam basicamente com agulha, linha. Nada de máquinas.

Trabalhas amanhã, podíamos passar o final de semana fora.

Ainda não sei, podemos falar mais tarde. Tenho que ir para casa, para tomar um banho, me vestir, ir trabalhar.

Te convido para esta noite ir dormir na minha casa.  Bem podias trazer roupa, ai se queremos sair, podemos.

Vou te levar.

Não é necessário, vou de taxi, assim descansas mais, mas não paravam de se beijar.

Chegou em casa, voou para o banheiro, pensou duas vezes em entrar embaixo do chuveiro, gostava do cheiro que tinha ficado no seu corpo.

Mas não tinha jeito, tomou banho o mais rápido que podia, fez o de sempre, se vestiu sem pensar, depois não sabia, se tinha sido por causa do Ahmed, uma calça negra, tênis negro, uma camisa branca imensa como ele gostava, por cima um casaco que tinha muitos anos, fora o primeiro que desenhara.

Saiu correndo, encontrou um taxi, quase na esquina.   Quando entrou no escritório, todos olhavam para ele, estava diferente, nada extravagante, mas muito elegante.

Abanou a mão para todo mundo, se dava bem com os de todas as áreas.  Jacob, um velho amigo, era o fotografo de quase todas as reportagens, entrou na sua sala, devias fazer uma foto assim, estas super elegante.    Rindo disse, isso pode ser o amor.

Me deixa trabalhar.  Ia sair para almoçar, quando tocou seu celular, era o Ahmed, já tenho as peças posso ir te mostrar.

Não me diga que trabalhaste a noite inteira?

Sim, sentia como que tu tinhas carregado minhas baterias. 

Aonde estás?

Aqui embaixo do edifício, mas não me deixam subir.   Passe seu celular ao porteiro, ele se identificou, como te atreves a barrar este senhor, é um criador de modas. O acompanhe, carregando o que traz.

O homem entrou primeiro, desculpe, mas não me deixou pegar em nada, como se eu fosse roubar.  

Pode ir.

Quando entrou o Ahmed, ficou de boca aberta para o panorama que se via.

Fecha a boca Ahmed, com o tempo deixamos de olhar para fora, o trabalho não permite.

Tens fome?

Caramba, me dou conta que não como desde ontem a noite.

Colocou os cabides que estavam cobertos, numa arara de roupas, venha comigo, fechou a porta a chave.  Podemos comer aqui embaixo mesmo.

Vamos no meu preferido, é muito simples.    Mal saíram do prédio, entraram num lugar de comida para levar, que tinha duas mesas, uma estava ocupada, se sentaram na outra, Cris, gritou, tenho fome.    Uma mulher negra, colocou a cara para fora da cozinha, já vou até aí.

Quando veio, apresentou Ahmed, um alfaiate de estirpe, coisas que não existem mais hoje em dia.

Nos coloque alguma coisa de comer, desde que não seja carne de porco, porque sabes que detesto.

Ahmed comentou, pareces mulçumano.

É verdade, mas tenho uma digestão horrível, com esse tipo de carne.

Me conta, como pudeste trabalhar a noite inteira. Não tinha tanta pressa assim?

Sou assim Dax, quando tenho uma coisa na cabeça tenho que fazer.  Alias foi uma surpresa, tu apareceres com Robledo, ele é sempre muito fechado, sua família nunca o aceitou direito, nem a mim, viramos pairas das nossas famílias, só quando tem problemas é que procuram.

Ele te olhava de uma maneira como nunca vi.            Tu também, só te peço uma coisa, não o faça sofrer, pois quando ele se assumiu gay, com seu companheiro do exército, quando vieram a primeira vez de licença, estava eufórico.   Quando ele morreu, foi duro demais, seu mundo veio abaixo.   Ele diz que o que gosta de ti, é que falas tudo que pensa.

Comeram, conversando, Ahmed dizendo que ganhava justo para sobreviver, que seus sonhos de jovem, embora não fosse velho, tinham ido para as cucuias, pois nunca encontrou ninguém para tocar nenhum negócio.

Voltaram para o escritório, quando tirou as cobertas dos cabides, as peças estavam exatamente como ele imaginava.   Foi até a porta, gritou pelo Jacob.

Que passa, disse este, aparecendo na porta.   Olhou Ahmed de cima a baixo, não posso acreditar que depois de todos esses anos te reencontre.

Vocês já se conhecem?

Ah, uns 15 anos atrás, mas perdemos contato.

Olhe Jacob, ontem conheci o Ahmed, vi seus trabalhos, desenhei essas duas peças, ele levou a noite inteira executando, queria fotografar, para colocar no meu site, no site da revista. Podes fazer isso agora.

Para o Ahmed faço o impossível, o abraçou, quanto tempo. Ficaram rindo, um olhando para o outro.

Creio que estás perfeito para colocar  esse casaco por cima da tua roupa, só esse com azuis que seria interessante uma gola alta azul profundo.

Mexendo nos cabides, tinha uma ali que tinha usado em uma foto a tempos.

Venham para o Studio.  Não era muito grande, mas perfeito.  Dax o usava muito para as fotos de emergências.

Colocou o de risca de giz, com uma gola alta negra, soltou os cabelos loiros, mas colocou um óculos que estava por ali, de pasta negra.

Se colocou na posição que valorizava o casaco, que ia até quase a altura dos joelhos, um corte assimétrico, era totalmente diferente dos casacos que as pessoas usavam.  Faça também uma foto aproximada do desenho da gola.  O lado direito era diferente do esquerdo.   Mas quando colocou a gola alta azul, com o casaco príncipe de galês, Jacob soltou, caralho, fica sensacional, melhorou a iluminação,  o colocou de tal maneira, que a parte traseira do casaco, que era mais comprida, aparecesse bem, vamos fazer assim,  uma de frente, uma em diagonal para a direita, outra para a esquerda.     Já monto as fotos, envio para teu computador.

Quando na outra sala viram a montagem, Ahmed, caramba, parece feito numa casa de alta costura francesa.   Dax lhe deu uma palmada no ombro.  Ficou sensacional.  Agora toca vender isso.

Como vender?

Ora Ahmed, meu trabalho é lançar as pessoas no mercado.  Algumas vezes me associo, outras somente dou um empurrão. 

Dax, eu sei seguir um desenho, mas criar como fazes tu, não é o meu.   Então nos associamos, ou te procuramos um sócio.

Prefiro fazer alguma coisa contigo. Temos que inventar uma marca.  Começou a desenhar, o que achas. AHDA,  que fica parecendo anda, mova-se, pois, essa roupa tem movimento.

Acho bem.  Mande para o meu celular, assim mando uma cópia ao Robledo.

Abriu um armário,  ali tinha rolos, mais rolos de tecidos, escolhas as que queira, algumas comprei em alguma loja que ia fechar, outras, na última viagem que fiz a moda Paris, também em lojas que iam fechar.  Abriu uma gaveta fechada a chave, toma esses desenhos, vê com que tecidos gostaria de fazer.

Ao já estar na internet, puxou uma cadeira para o Ahmed sentar-se ao seu lado, veja, os comentários.   Mas ficaram surpresos, pois a maioria, perguntava o preço, aonde podia comprar.   Dax imediatamente colocou um texto, falando de uma nova marca que surgia no mercado, que a cabeça que confeccionava era um artista, em que a alfaiataria tinha passado de muitas gerações.

Jacob estava eufórico. Reencontrar alguém, de um momento a outro fazendo sucesso.  Vieste como para cá?

Vim de ônibus é claro.

Não acredito o mesmo de sempre.

Bom Ahmed, veja os tecidos, escolha o que queira, o mesmo com os desenhos, mas uma coisa, devagar com o andor, o santo é de barro.  Temos que pensar como vamos fazer isso ok.

Jacob, se ofereceu, venha eu te levo, porque com esses rolos de tecidos, será impossível ir para casa.

Dax pensou, vou descobrir o que rolou entre esses dois.   Mesmo o pessoal do escritório, queria ver os dois casacos.    Ele olhou os preços que tinham os casacos de dois costureiros franceses, preços é claro de internet.   Viu que Ahmed, tinha colocado o tamanho da mesma. Colocou na internet, subiu o preço, colocando que eram peças únicas, mas que só poderiam ser entregues dentro de uma semana.    Meia hora depois estavam vendidas.  Telefonou para o Ahmed, que não atendia o celular.

Quem lhe chamou foi Robledo, sua voz estava estranha, perguntou o que acontecia?

Depois te comento, achei fantásticas as fotos, já estão na internet?

Sim, o mais incrível, já vendi as duas, mas estou chamando o Ahmed, não atende.

Jacob foi leva-lo em casa, com mais desenhos, rolos de tecidos.

Dizes Jacob, um fotografo?

Sim, por quê?

Foi o grande amor da vida dele.

Ah, creio que do outro também, pois Jacob ficou imensamente feliz de encontra-lo.

Estão ocupados, matando a saudade.   Perdão, a que preço vendeste os casacos?

Lhe disse, escutou um silencio. Depois uma pessoa rindo.  Ele vai ficar louco, cobra nem um terço disso para os que faz copiando teus desenhos.

Vens para conhecer meu apartamento?

Não sei se estou boa companhia hoje.

Bom, vens, podemos conversar a respeito.

Está bem, passo para te buscar na mesma hora de ontem.

Quando olhou de novo, duas cadeias de lojas se interessavam pelos casacos.

Quando conseguiu finalmente falar com Ahmed, ele disse, estou nas nuvens, reencontrei o amor de minha vida, esta aqui comigo, está olhando no Ipad o que você disse, quanta gente interessada.  Ahmed, vendi os casacos, para entregar daqui uma semana.  Disse o preço.

Estas de gozação comigo, nem fazendo uns vinte, consigo vender por esse preço. 

Vou pensar numa solução, pois duas cadeias de lojas estão interessadas.  Amanhã falamos, ok, desfrute do Jacob, nada de trabalhar hoje.  Escutou de fundo a voz do Jacob, ele já tem os tecidos esticados, ia começar a fazer os moldes.

Não faça nada, temos que conversar, pensar.  Aproveitemos o fim de semana.

Quando saiu, a cara do Robledo, estava muito séria.

No carro perguntou o que tinha acontecido.

O filho da puta do chefe, levou toda a glória, sequer mencionou que fui eu que fiz a prisão do sujeito.  Tudo bem ele me chamou, mas quem executou fui eu.   Inventou uma historia sem pé nem cabeça, que não encaixa.  Quando fui falar com ele, me perguntou quem eu era, porra trabalhando a anos ali, ele nem sabe meu nome.

Dax, pensou, bem típico do meu pai.  Mas ele não ia deixar barato.  Isso não ia.

Mostrou o apartamento ao Robledo, este ficou encantado com a vista.  Não era grande, tinha um salão regular, uma pequena cozinha americana, banheiro social, depois ele tinha juntado os dois quartos, quando entrava, se passava por um vestidor, até chegar ao quarto, o banheiro era bom.            Na janela, uma poltrona, com uma mesa pequena cheia de papeis com desenhos em cima.       Aqui me sento, olhando a paisagem, até que de repente começo a desenhar. As vezes durmo sentado aqui, me arrasto depois para a cama.

Bom por que essa cozinha não tem movimento, não é?

Sim, não sei cozinhar, nunca gostei muito, tenho coisas para sanduiches na geladeira, ou peço uma pizza, mas normalmente como algo na rua antes de vir.

O dia hoje foi movimentado, o Ahmed quando viu o Jacob, ficou parado com os olhos esbugalhados, os dois tem a mesma idade, não é?

Creio que sim, se conheceram, na época, Jacob fazia um certo sucesso, ia para Paris fotografar a semana da moda, essas coisas, um belo dia desapareceu, na mesma época que a fábrica fechou, nunca mais se encontraram.   Não existiam os celulares.

Estava nervoso, pois sua cabeça estava fervendo.

O que pensas fazer contra seu chefe, odeio injustiças.

Nada, porque sei que é uma pessoa vingativa, não admite que ninguém o contradiga, me tratou como a merda do cavalo do bandido, nem para dizer, parabéns pelo seu trabalho, eu levo a glória, muito obrigado.

Ele a muitos anos, tinha feito uma montagem, tinha colocado a cara do pai, num corpo de um ator pornô que estava dando o rabo.  Ele tinha horror a qualquer coisa ligada a homossexualidade.   Ia pagar caro por isso.   O pior era o sentimento, como nunca tinha estado aí para ele, não sentia nada, apenas sabia que era um bom filho da puta.

Robledo, disse que queria dormir com ele outra vez, mas que precisava ir para sua casa processar tudo o que tinha acontecido.  Preciso tirar essa raiva do meu corpo.

Ficaram se beijando, deitados na cama. Mas viu que ele não se relaxava.  Permitiu que fosse para casa.  Me chama amanha quando despertes, para ver se fazemos alguma coisa juntos.

Mal ele, saiu, desceu para a garagem do edifício, ali, ele tinha dois armazéns que tinha juntado, ali seu lado escuro saia a toma.   Buscou o tal vídeo, tinha ficado tão perfeito, que tinha conseguido colocar o tom de voz de seu pai, nos gemidos do ator.

Com o seu celular especial, que quando ele chamava, era como se a chamada viesse de lugar nenhum, pois ia pulando de cidade em cidade da Europa.   Ele via seu pai, mas este não o via.

Atendeu o celular a contragosto.   Escutou sua própria voz falando com ele, olá filho da puta, mais uma vez, pisas até o fundo na merda.  Esqueces que não fizeste nada no que fiz eu ontem, te proclamas o herói, quando não passas de uma merda.

Só o escutava dizendo, quem está falando, como podes usar minha voz.

Amanhã se não te retratas,  elogias publicamente  as pessoas que fizeram a detenção, que aconteceu graças a mim, eis o que publicarei em internet.

Colocou o vídeo no ar.

Que merda é essa, parecia que ia ter um enfarte.   Não te atrevas, porque irei por ti, verás sou capaz de te matar.

Cuidado com o que dizes, pois estas sendo gravado ao mesmo tempo.

Agora estas nas tuas mãos, se os jornais de amanhã, não saem com a notícias, tu reconhecendo que não teve nada, que quem fez tudo foi a sua equipe.  Agradece pessoalmente a cada um, ou publicarei nos jornais da internet, bem como mando cópia para os canais de televisão.

Quero tua palavra, embora saiba que ela não vale nada.

Quero saber quem esta falando comigo, com a minha voz.  

Ele soltou uma gargalhada, respondeu, tua consciência.   Resposta Sim ou Não.

Está bem Sim, mas farei isso na segunda-feira.

Nada disso, agora, que  a notícia saia em todos os jornais. ADEUS

Seu pai não sabia que estava ao mesmo tempo sendo gravado.  que ele podia seguir vendo o que estava fazendo.

A quantidade de palavrões que soltou, foi imensa.  Tirou um lenço do bolso traseiro da calça, para enxugar o suor.  Depois deu um soco na mesa, vou fazer porra nenhuma, esse filho da puta não vai ter coragem de fazer isso.

Só mandou uma mensagem, publicou no Youtube, mandou para ele.

Tu escolheste, agora é tarde.

Mandou para todos os jornais, site de notícias.  Apesar de ser seu pai, não tinha sentimento nenhum por ele, só chegava realmente à realidade que era um bom filho da puta.

Fechou tudo, quando saiu, comprou uma pizza, quando chegou lá em cima, Robledo estava sentado diante da porta.  Chamei, mas não atendeste.

Me deu fome, desci pelo elevador de serviço, fui comprar uma pizza, um dia te levo lá, eles não tem entrega, mas é a melhor do mundo. 

Sai daqui, era como se faltasse uma parte de mim, primeiro fiquei assustado com isso.  Mas depois só podia pensar que estaria melhor aqui contigo, que sozinho, por isso voltei.

Fizeram sexo, lentamente, um olhando para o outro, se beijando, depois ficaram abraçados até dormirem.

Despertaram pela manhã, com o celular do Robledo tocando sem parar, eram seus colegas dizendo para olhar as notícias.  Quando olharam as manchetes, dizia, delegado de polícia é obrigado a demitir, por filtrações de um vídeo pornô Gay.   O ator que contracena com ele, já morreu a alguns anos com AIDS, portanto não pode dizer nada.   Delegado se diz vítima de um complô, mas não tem como explicar.

Seu companheiro de trabalho lhe chamou, disse que tinha que ir até a delegacia, pois haveria uma reunião.   Vira o Chefe de Polícia para escolher um substituto.

Robledo tomou um banho, se lembrou que tinha roupa no carro, foi buscar.  Que merda disse, justo o final de semana que pensava passar contigo.

Não faltaram oportunidades. Tenho que ir olhar um local, tenho uma ideia para o Ahmed, mas antes de falar com ele, tenho que ter certeza de que consigo o que quero.

Mas antes de sair, desceu, foi olhar as notícias todas por internet, um dos seus computadores, registrava tudo que ele queria.   As notícias, sobre seu pai, davam volta ao pais inteiro, todo mundo sabia o que tinha acontecido.  Alguns o criticava por ter levado a vida inteira, com a fachada de homófono, é resulta que é um viado dos mais idiotas.  Diziam que tinha sido analisada o vídeo, mas que era perfeito, alguns falavam em manipulação, mas não encontravam aonde se pegar.   Ele tinha escolhido esse vídeo, porque sabia que era caseiro, é que o ator já tinha morrido.

Dali, saiu pela parte detrás do edifício, falando pelo celular com sua mãe.

Esta estava preocupada, espero que não penses ir dar apoio a esse idiota?

Mãe, ele nem sabe quem eu sou, como vou falar com ele, nunca o vi, nem falei com ele, não há de ser agora.   Não tenho dó dele, cada um paga pelas coisas erradas que faz, como eu também pagarei, todos pagamos pelos nossos erros.

O local que ele foi olhar, era uma esquina no Village, um edifício estreito, tinha sido do pai de um conhecido seu.  Ali tinha começado o império familiar.                 Agora tinham boutiques nas principais cidades, principalmente em shoppings, o local estava fechado a muitos anos.  Falou com o dono, não pertencia a família.   Perguntou quanto ele queria de aluguel, mas antes queria ver o local, para saber se precisava de muitas obras.

O proprietário, pedia um valor um tanto absurdo, quando ele olhou, viu que basicamente, estava era para derrubar.  Não valia a pena, saiu andando, para fazer com que sua cabeça funcionasse.   Nem dois quarteirões depois, fora da área mais comercial, encontrou outro lugar similar.   Com a vantagem que esse tinha porão do mesmo tamanho, com pequenas janelas, ai poderia ser o tailleur, Ahmed, podia viver no andar de cima, que era pequeno, mas um pequeno apartamento perfeito.

Depois de conversar com o proprietário, chamou pelo celular o Jacob que imaginou que estaria com o Ahmed, lhe pediu se podia traze-lo até aonde estava.

Em sua cabeça, funcionava a todo vapor.  Tinha dinheiro que tinha ganho com seu trabalho desenhando para todo mundo.  Como também tinha dinheiro que ganhou fazendo trapaças na rede profunda.  Tinha desenhado jogos, sistemas de trabalho para várias empresas.  Esse dinheiro estava todo guardado, acreditava que tinha chegado a hora de realizar um sonho.

Disse ao Ahmed, que  gostava do local, que tinha uma ideia.  O outro o olhava desconfiado.

Ahmed, não nos conhecemos suficiente, mas o Jacob me conhece a muitos anos, fizemos mil trabalhos juntos, me aconselhei inclusive com ele várias vezes, pois sei que tem uma noção excelente do mundo da moda.

Minha ideia, é uma alfaiataria moderna.  A coleção, fazemos nós, sempre um tamanho médio de pessoa, depois atendemos quem queira encomendar um desenho, a execução seria contigo, o mais importante seria, trabalharmos com tecidos diferentes do mercado, recuperar por aí, tecidos antigos.  Isso teríamos que procurar.   Nossa sociedade se formaria de igual para igual. Cinquenta por cento para cada um.

Mas eu não tenho dinheiro Dax.

Quem falou em dinheiro, entro com o capital, posso conseguir algum investidor.  Jacob que estava parado escutando, soltou, eu te ajudo Ahmed, agora que nos reencontramos, não penso em te perder, tenho economias, mas nenhum herdeiro ou família.  Alias basta olhar na minha cara, estou melhor da minha vida.  Hoje me olhei no espelho, meus olhos sorriem de felicidade.

Acredito no Dax, isso pode dar super certo.

Quando Robledo chamou, eles já tinham dado mil voltas no pequeno edifício.  Em qualquer caso podes viver comigo Ahmed, eu vivo aqui perto, ia adorar isso.

Eu posso trabalhar desde aqui, a porta estaria fechada, funcionária conforme uma pessoa viesse com hora marcada.   Será uma loja super exclusiva.  Em que a pessoa tenha uma roupa especial.

Terias que ter uma ou duas pessoas trabalhando para ti.

Quando Robledo chegou, contaram tudo para ele.  Achou a ideia excelente.

Foram almoçar ali perto, Ahmed estava quieto.    De repente soltou, a última vez que fui ao Marrocos levar as cinzas do meu pai, fui a Fez, Marrakesh, Casablanca, andei pelo Zocco, as lojas de tecidos, tem coisas antigas, muito interessantes.  Principalmente lã, tecidas nas próprias aldeias.  Dariam trabalhos interessantes.   Outra coisa, tinha uma companheira que era excelente fazendo calças.  Vou falar com ela.

Como funcionários por encomendas, o importante seria uma parte cobrar adiantado, a outra na hora da entrega.

Teríamos que ter uma cabine de provas.  Vamos anotar cada um o que acha que deve ter, depois chamamos arquitetos para fazerem o projeto.

Robledo estava feliz, olhava seu tio com amor.  Apertou a mão do Ahmed por cima da mesa, que bom te ver outra vez feliz tio. 

Segunda-feira fazemos o contrato do local, bem como cada um venha com as ideias que tenha, aí resolvemos.

Bom, como foi a reunião Robledo?

Os companheiro que estavam de plantão disseram que o delegado fez um puta escândalo, era sempre conhecido, por não saber perder.   Aliás, na última promoção levou meses sendo um filho da puta, pois não alcançou o que queria, para ter uma aposentadoria perfeita.  De qualquer maneira agora, se aposenta, mas com menos dinheiro.   Pior disso tudo, que sai, sem ter amigo nenhum que o console.   Pois o corpo inteiro ficou contente, sempre foi filho da puta com todo mundo.

Bom quem fica no lugar dele. 

Bom o Chefe de polícia, resolveu dividir o cargo. Serão dois inspetores, dividirão, com  os grupos.   Um trabalha de manhã, até o final do dia, outro faz a noite, semana seguinte troca, mas os grupos são sempre os mesmo.

Me ofereceu um dos grupos, tenho que dar resposta segunda-feira.   Poderei trabalhar com os polícias que quero.  Montar o grupo que me toque, como queira.  Teremos um terceiro grupo encarregado da coisas administrativas.  Esse ficará ao cargo da chefa de departamento anterior. Ela sempre funcionou bem.

Mas vou pensar, terei menos tempo para mim.

Robledo, tens que pensar nos teus sonhos, queres ser chefe, bem, aprenda a manejar seu tempo. Depois logo se vê.

O final de semana foi tranquilo, se falaram por telefone.  Na segunda-feira, era um dia de decisão para todos.

Dax, falou com o dono da empresa, poderia seguir trabalhando do local, sem problema nenhum, teria sim que mudar a história, se fosse escrever sobre seu local, teria que ser outra pessoa, mas poderia divulgar no seu site.  Lhes disse ainda que levaria tempo, pois o local precisava de obras.

Robledo logo cedo com o chefe de polícia aceitou o cargo, bem como seu companheiro, sempre tinham se dado bem.  Agora iriam formar os grupos, com liberdade inclusive de trazer pessoas de outra delegacia.   Os dois tinham um ponto em comum, queriam melhorar o sistema informático.

Quando foram se reunir com o proprietário do local, ficaram surpreso com a aparência do Ahmed,  tinha cortado o cabelo, aparado a barba, se vestia muito bem, mostrou as calças, feitas pela sua antiga companheira, esse tecido trouxe do Marrocos.   Acho que enquanto fazem as obras podemos ir até lá.

Assinaram o contrato, se reunirão com os arquitetos, um casal que  Dax, conhecia a muito tempo, tinham feito a reforma de seu apartamento.   Conversou com eles das necessidades, elétricas, a partir que no primeiro andar, estariam muitos computadores, embaixo as máquinas que gastavam muita energia.  A loja teria um aspecto diferente.  Só uma vitrine, uma porta moderna, depois um provador,  somente duas araras para roupas, seriam sempre exclusivas.

A parte de baixo, precisava de muita luz, bem como lugar para a mesa de corte, as maquinas, isso viria tudo da casa do Ahmed.  

Quando começaram as obras, resolveram ir ao Marrocos, primeiro iriam os três, Dax, Ahmed, Jacob, no último  momento, Robledo, conseguiu uns dias de licença para ir também.  Fariam um roteiro ao contrário.   Iriam primeiro a Marrakesh, depois Casablanca, por último a Fez.

Ahmed, reclamou que o Zocco de Marrakesh estava muito desvirtuado, pois existiam verdadeiras boutiques francesas no local.   Mesmo assim, conseguiram contatos para comprar tecidos de lã, de um homem que tinha vendido seu local.   Compraram tudo o que ele tinha de estoque.    Em Casablanca, conseguiram brocados, sedas, muitas coisas diferentes.  Mas foi em Fez que realmente encontraram coisas boas,   ainda tiveram que esperar uns dias, para reunirem tudo, colocarem num só container, viram que a demora seria superior a inauguração da loja.  O jeito foi despachar tudo de avião, aos poucos.  Robledo teve que voltar, Dax, tinha que ver como estavam as coisas, quem ficou para trás foram os dois, um aproveitando para fazer fotos, Ahmed, olhando os alfaiates que trabalhavam a maioria costurando partes da roupas a mão.   Gostou do trabalho de um jovem, perguntou se tinha família, lhe disse que não, era órfão, perguntou se queria ir para NYC, trabalhar com ele.  Disse que sim, mas que não sabia aonde viver lá, falava um pouco de Inglês.   Jacob foi ao consulado americano, resolvendo a situação, ele iria com um contrato de trabalho, de seis meses, depois lutariam para ele poder ficar.

Dax achou excelente a ideia. Assim poderiam produzir coisas a parte.

Como a parte de cima já estava pronta, o trabalho consistia em fazer uma ligação, entre seu local, a revista.  Montou ele mesmo tudo, inclusive, um acesso a rede negra, camuflada.

Robledo que não sabia que ele tinha essa capacidade, ficou impressionado, disse que queriam alguém para trabalhar na delegacia, para modernizar a parte de informática.  A única pessoa que ele conhecia era um Hacker dos melhores, com quem tinha aprendido muitas coisas, mas achou que seria um problema, o Robledo saber coisas dele.

Tinha confiança nele, mas tinha medo de que descobrisse seu lado escuro.

Quando Ahmed voltou, fizeram uma reunião, teriam um mês para montar uma coleção única, peças para colocar na loja, para fazerem propagandas, etc.

Dax, começou a conversar com seus contatos, os convidava para vir ao local, que ainda estava fechado ao público.  Conseguiu uma coisa difícil, que a  diretora de Vogue fosse até lá, olhasse a qualidade da costura, dos desenhos únicos.  Gostou da ideia, sabes que copiaram cada roupa que faças não é.  Embora seja peças únicas. Tens que inventar um sistema para saber quais são as tuas, quais as copias.  Ele já tinha pensado no assunto.  Colocariam um chips nas peças que comprovava a marca, bem como a época de execução da mesma. 

Ela pediu três peças para uma reportagem da revista.   Duas masculinas, uma feminina. No que andaram por Marrocos, viu como as mulheres improvisavam nos mercados, algumas inclusive usavam toalhas de banho, na falta de um tecido diferente, ou mesmo toalhas de mesa.  Resolveu o problema, criando uma roupa que era um verdadeiro Patch Works, o rapaz que tinha vindo de Fez, entendeu imediatamente a ideia, foi recolhendo troços dos tecidos que tinham sobrado, primeiro as uniu com um fio de prata, ou de ouro, fazendo uma composição. Como uma colcha de retalhos.  Ele desenhou um casaco, que um lado era como um fraque, do outro um casaco de três quartos.   Desenhou uma saia, a parte de baixo jeans negro, por cima bordados de tule, criando uma superfície diferente.  Para os homens criaram um traje completo de jeans negro, com risca de giz muito finas, pintadas a mão. A gola era de veludo negro, de um lado, se lembrou de Paco Rabane, pediu a um conhecido, que ele tinha divulgado, que trabalhava com metal, era como um pano feito de alumínio, maleável, que bem podia ser como um lenço que saia do colarinho, podia ser jogado para trás.

A terceira roupa, fizeram de lã, tecida em cru, mas pintada por cima com brochas muito gordas, aonde tinha feito ele mesmo um trabalho muito sutil de pintura abstrata.  Quando ficaram prontas, levaram eles mesmo a Vogue.  Foram muitos oh, ahs, sairia na primeira página, queriam uma entrevista com ele, mas só concordou se incluíssem o Ahmed,  os dois juntos eram um contraste muito grande.

A entrevista saiu dias antes da inauguração, as roupas foram capas da revista, vestidos pelos melhores manequins do momento.  As mesmas estava na vitrine da loja.  Nas araras umas roupas desenhada pelo Dax,  Estavam feitas de tal maneira, que podiam ser aumentadas ou diminuídas conforme o cliente.  Todas levavam o chips.

Quando perguntaram isso, de ser peças únicas, como fariam com as copias chinesas, ou mesmo dos outros costureiros.   As roupas levam um chips, que irei mudando a cada tempo.  Mesmo que consigam reproduzir o chips, teremos nosso seguro, registo de peça por peça, dos detalhes, desde o desenho inicial, organizado pelo Jacob, que tinha saído da revista.   Tinham montado um sistema de monitorização da loja, viam as pessoas que entravam, examinavam as roupas.  Riam sempre, quando olhavam uma ideia de preço.   Na etiqueta constava assim, o preço é a partir de………. peça única.

Sua revista, fez uma reportagem com eles dois, posando para o Jacob, era engraçado a ideia, os três sócios juntos.  O rapaz do Marrocos vivia na casa do Ahmed.   Estava se desenvolvendo, algumas vezes sugeria uma ideia, para o corte, ou mesmo a maneira de costurar.

Um ator famoso, queria uma roupa para um gala, gostava do exagero das coisas do Dax, ele tinha comprado um dos primeiros casacos da marca.  Foi até a loja, tiraram as medidas, ele escolheu o tecido.  Acabou fazendo a maior propaganda da roupa.

Foram convidados para participar da semana da Moda em Paris, patrocinados pela Vogue, tiveram que parar para conversar, isso seria crescer em demasia.  Ir além de sua proposta inicial, não teriam tempo para nada, além da pressão de competir.   Agradeceram o convite, mas escapava de sua produtividade.   Só de pensar em contratar mais gente, ficar com um espaço mínimo para trabalho, era demais.

Tinham muito trabalho, mas seguiam regras, por mais que o cliente dissesse que queria para o dia seguinte.  Antes de nada lhe era mostrado o calendário, as possibilidades que tinha, a partir do impossível, Dax, procurava para a pessoa, trabalhos de outros profissionais.  Dali nunca saiam de mãos abanando.

Queria ter tempo para viverem suas vidas em paz.

Mas essa bendita “PAZ”, nunca dura muito.

Um belo dia estava trabalhando, no andar de cima, tinha atendido um cliente que queria forçar a barra, dizendo inclusive que colocaria na internet se não fizessem o que ele queria. Se escutou a si mesmo ameaçando, Dax, virou o corpo do computador, mostrando que o mesmo estava sendo gravado.   Tu podes falar o que quiser na internet, nos não enganamos os clientes, desde o primeiro momento, avisamos que para está época é impossível, temos outros clientes em lista de espera.  Sinto muito, mas agora nem nessa lista de espera, queremos ter você como cliente.

O outro viu se publicava uma mentira, sairia perdendo.

Estava furioso com isso, alguns famosos ou pseudo famoso, sempre estavam ameaçando quando sabiam da fila de espera, se negava a deixar a chantagem ganhar.  Avisou ao Ahmed, podem fazer o que queira, desde que entram na loja, estão sendo gravados.

Na semana anterior, um cliente, enquanto estava provando sua roupa, parou para cheirar cocaína.  Se interrompeu o trabalho imediatamente, pediram que se vestisse, saísse da loja, quando os ameaçou, ele mostrou o vídeo dele cheirando, sendo avisado que não o fizesse.

Seu humor hoje estava de rebentar, conversava com o Jacob disso, essa gente é idiota, pensa que a fama é eterna, mal sabem que dura cinco minutos.

Nisso levou um susto, viu que seu pai entrava na loja.

Gostaria de falar com o senhor Dax.

Me acompanhe por favor, o levou para o andar de cima.

Ah claro, tu eres o Dax. Que aspecto estranho tens, não podes te vestir normalmente como as outras pessoas.

Primeiro lugar, esse é meu lugar de trabalho, posso saber o que o senhor quer aqui.

Falar contigo, tentar recuperar o tempo perdido.

Ele começou a rir, para recuperar o tempo perdido, entras, vai logo me criticando.  Sabia também que sou gay.

A cara do pai era impressionante. Estava confuso, esperava outra coisa, ou tinha imaginado que este se jogaria nos seus braços.

Ainda não me disseste o que queres?  Comigo há que ir direto ao assunto, não tenho tempo a perder.

Bom necessito de um transplante de medula óssea, como eres o único filho que tenho, vim pedir se podias fazer o favor de ser examinado, para ver se somos compatíveis.

Dax, ficou de boca aberta.   Essa visita, não é para recuperar porra nenhuma o filho que nunca reconheceste, tampouco quiseste, por ser diferente.  Mas não abaixas do teu pedestal, chega criticando como eu sou.  Sinto muito, o senhor não existe para mim, me nego redondamente fazer isso.

Mas se morro, ficaras com um peso na consciência.

Não esperava a resposta, consciência, custa muito caro ter consciência, vindo de um tipo como tu.    Gostaria inclusive que o senhor saísse imediatamente de meu escritório.  Antes que faça alguma ameaça, aviso, que tudo aqui é gravado, sua conversa está gravada.  Por favor se retire.

Quando ficou sozinho, colocou a cara entre as mãos, queria urrar de raiva, o filho da puta, tinha a pachorra de aparecer, com conversa mole, ainda pedir uma doação de medula óssea.  Nunca o tinha visto na vida, tanto que não o reconheceu.

Falou com sua mãe, está já sabia da história, ele apareceu aqui, pediu o teu endereço, confesso que fui má pessoa, pois sabia exatamente o que iria acontecer.

Como uma pessoa pode ser tão má.   Pior me senti, quando nos disse que não nos queria em sua vida.  Eu com você nos braços, coloquei o rabo entre as pernas, fui à luta, trabalhei em tudo o possível para te criar, educar.

Sou honesta filho, que eu não lhe daria nem um cuspe de minha vida.  Se ele já estava morto, acaba de se enterrar para mim.  O resto é contigo.

Robledo tinha chegado justamente na hora que seu pai saia, mas nem reconheceu o mesmo, passou por ele como se nada.

Quando subiu, ele estava falando com sua mãe.  Lhe fez um sinal de ter paciência.

Depois lhe contou tudo, que o tinha rejeitado ao vê-lo no berçário, nunca mais o tinha visto, na verdade nunca o tinha conhecido pessoalmente.  Ele tampouco me conhecia, pois entrou perguntando por Dax, nem me disse bom dia, foi me criticando.  Lhe explicou da medula óssea, evidentemente que me nego a doar.

Passaram-se meses, já tinha esquecido disso tudo, o dia para ele faltavam horas,  um dia lhe chamaram do hospital, seu pai queria se despedir dele.   Respondeu a enfermeira, que lhe desculpasse, creio que é um engano, não tenho pai.  Este morreu no dia que nasci.

As notícias que saíram no jornal pela sua morte, o deixou de boca aberta, como a sociedade podia ser tão hipócrita.   A jornalista falava do enterro com honras da polícia, etc.

Tinha vontade de escrever um artigo sobre isso, mas pensou muito, conversou com Jacob, que tinha uma cabeça muito pratica.

Não perca teu tempo, não vai mudar nada, os que homenagearam sem dúvida nenhuma, antes o condenaram, sempre foi, sempre será assim.

Lembra-se quando outro dia falávamos da gloria de cinco minutos, isso é igual, se escreves um artigo, criaram uma grande confusão, ele será glorificado, mas se ficas quieto, logo esqueceram dele.                     Tu não porque infelizmente eras seu filho, um pai que nunca conviveste, que te abandonou mal tinhas nascido, mas só te procurou, porque talvez fosses a única chance que tinha de viver.

Deixa para lá.   Eu estou farto da hipocrisia também.  As vezes escuto os que veem aqui, ajudo atender, falam barbaridades de outros lugares, mas quando escutam nosso preço, saem correndo como ratazanas de esgoto.  Não sem antes nos fazer perder tempo, achando porque tem no momento alguma chance de serem famosos.

Lhe lembrou de um ator que iria a entrega do Oscar, até o momento que lhe cobraram 50%, ele os elogiava, pensou que o fato dele usar uma roupa feita especialmente para ele, isso os faria oferecer a roupa.  Mas ao ser cobrado, achou um absurdo.  Pela primeira vez, vi  Ahmed ficar bravo, disse que o que ele queria, custava, tempo, dinheiro, horas de trabalho, que aqui não era uma empresa de beneficência.   O outro lhe disse que isso lhes trairia publicidade.   Não precisamos, olha nossa lista de espera,   O que faziam agora, ao ter a lista de espera, era com um mês de antecedência, confirmar que a pessoa seguia interessada, remarcar uma data, para o atendimento pessoal.

Pouco tempo depois, foram chamados para uma entrevista num dos programas noturnos, mais concorridos em termos de audiência.

Quando lhe perguntaram sobre isso, Dax, replicou, antigamente os alfaiates trabalhavam assim, os mais famosos, tinham sua lista de clientes preferenciais, estes era atendidos primeiro, porque sempre voltavam, pois sabiam que teriam um trabalho de primeira qualidade.  Segundo, revisamos sempre com antecipação se a pessoa esta interessada.  Marcamos o dia para o atendimento personalizado, tirar medidas, escolher o que quer a pessoa.   Nunca temos modelos repetidos,  sabemos que depois alguma fábrica chinesa cópia mais ou menos o modelo, mas cada peça teu seu chips de identificação, para certificar que é peça única. De resto alguns famosos, ou pseudo famoso, acham que tem todo direito a cortar a lista de espera. De maneira nenhuma fazemos isso.  Depois o preço as vezes assusta, mas algumas parte são feitas a mão, mostraram os da costura trabalhando, como toda casa de moda, isso custa caro.  Fomos convidados várias vezes para participar de semana da moda de algum lugar, declinamos o convite, não porque somos os melhores do mundo.   Mas porque não temos uma empresa enorme, que possa arcar com a repercussão, seria contratar muita gente, ao mesmo tempo perder em qualidade.            Seriamos caros porque temos que pagar os empregados, mas com pressa, já não iriamos oferecer o que gosta nosso cliente, exclusividade.

A matéria foi comentada nos outros jornais no outro dia.            A maioria dos jornalista lhes dava razão, porque realmente entendia do assunto.          Outros os criticavam por venderem caro seu trabalho.

Bom vamos seguir enquanto tivermos trabalho.  Seguiram como se nada, 

Semanas depois foi procurado por uma garota, devia ter uns 16 ou 17 anos.  Se apresentou a ele dizendo, que era sua irmã por parte de pai.          Ele quando me procurou, me neguei a lhe fazer a doação de medula óssea,  minha mãe, é extremamente religiosa, pois foi o que lhe aguentou depois que ele a abandonasse.   Me tratou a princípio como um bibelô, no momento depois do exame, em que minha medula óssea não lhe servia, não me disse sequer obrigado.   

Furiosa fui procurar a ele, foi extremamente desagradável, disse que realmente não tinha me reconhecido como filha por isso, que ter uma filha mulher que não servia para nada, a não ser fornicar, lhe dava igual meu futuro.   Ele tinha esperança de que tu o fizesse, de última hora, com remorso.   Lhe disse que na verdade ele iria morrer sozinho, que ninguém ia lhe salvar, foi realmente o que aconteceu.   A cada doador que o hospital conseguia, ele ficava furioso, porque não servia, tratava todo mundo mal.                 Acreditava realmente que tinham obrigação de lhe encontrar um doador fiável, já que esses filhos que tinha tido, eram pessoas de baixa categoria.

Como sou pesquisadora, estou fazendo universidade nessa área, pelo nome dele fui pesquisar sobre sua família, seu passado.  Para não ir muito longe, sempre foram gente muito má, complicados, ladrões, ele entrou pera a polícia, quando saiu de um reformatório, por ter assaltado uma senhora armado. A partir disso fez tudo para subir na polícia, pisando na cabeça de cada um que estivesse pela frente.           Se notas  no enterro dele, os que estão são policiais acusados de alguma coisa errada.       Vim aqui porque fiquei curiosa ao teu respeito, não quero nada, nem tampouco preciso de nada.                Estou fazendo a universidade, com uma bolsa de estudo, pelas notas que tirei.         Vejo que não me enganei, saímos as nossas mães, que lutaram para nos educar.  Esse sem vergonha não merecia ajuda nenhuma.

Embora não estivesse se culpando da morte dele, agora sabia que realmente não tinha mudado nada.

Robledo, estava cansado do trabalho, um dia chegou em casa, dizendo, nada funciona direito, tenho que estar atento a tudo, pois sempre tem um que escorrega no dinheiro para ocultar alguma coisa.

Não vejo possibilidade de ensinar a essa gente que bandido é bandido, pronto, nada mais que isso.

Estou pensando em deixar o posto, me concentra somente em ser um bom policial, ou buscar outra coisa.

Que outra coisa, que foi que deixaste para trás?     Porque quando falamos assim, deixamos para trás alguma opção que não seria fácil de encarar.           Ou por problemas outros, entramos num caminho que não nos completa no fundo.              Eu engoli muito sapo antes de ser Dax, tive que aguentar saber que meu pai não me queria, bullying na escola, mas persisti num caminho difícil, pode ser por isso que hoje não aceito certas coisas.          As pessoas ditas normais, olham para o outro lado, como não se passasse nada, dormem como os anjos.            Só passa uma coisa quando tudo isso acontece contigo, não perdoas.         Uma vez escutei alguém falando, que essa historia de perdoar, dar o outro lado da cara, era uma manipulação de alguém que sacaneou muito outra pessoa.          Infelizmente sou assim, não perdoo, essa pessoa que espere chegar do outro lado para reclamar do senhor Deus.

Quanto anos achas que levei para chegar aqui, ou o Ahmed, quantas injustiças teve que aguentar, a sensação de que fracassou, quando é um excelente profissional, não só isso, hoje em dia não existe gente que trabalhe como ele.   Se vais dizer que eu o ajudei, te enganas, ele é quem me ajuda a realizar um sonho.                Apenas encontrei uma pessoa que gosta das coisas perfeitas como eu.

Agora temos esse legião de invejosos, gente que se acha melhor que os outros, para sacanear, um filosofo chinês já dizia “ melhor arma de defesa, é o ataque”.   Eu tenho um lado negro que não conheces. Mas deixa prá lá.  Temos que encontrar uma saída para ti, tem que haver alguma coisa que gostaria de fazer.

Sim é verdade, mas tenho que pensar muito nisso.          Eu sou uma pessoa ruminante, necessito como que pensar, analisar, pensar, analisar.  Ao fazer isso gradativamente vou rompendo minha inercia, quem sabe explodo de uma vez.

Quando fiz a faculdade de direito, fiz junto um curso que escritura, gostava de contar historias que tinha visto na minha comunidade.    Tu sabes o quanto eu gosto de ler, se o escritor não faz com que eu veja o personagem como uma pessoa, tá ferrado, deixo o livro de lado.

Tens alguma coisa escrita?

Sim, coisas antigas, mas tenho.   Antes de te conhecer quando não tinha nada que fazer, pegava esses textos, os corrigia, atualizava, colocava o personagem na pele de hoje.  Tem um texto que gosto muito, porque o que fiz foi deixar o que tinha escrito antes, depois criei duas sequencias em épocas diferentes, em que a informação mudou, vou atualizando o personagem.

Uau, acho isso interessante, se confias em mim, me deixa ler.

Robledo, lhe deu uma cópia do texto, começou a ler, achando desde o primeiro momento, claro que o personagem tinha muitos pontos autobiográficos.   Mas não falou nada, até terminar as quatro épocas distintas da história.   Comentou com ele, que a única coisa que faltava, era um elo entre elas, como falar de assuntos do mundo nesse intervalo. Criar um elo de ligação com cada época, como que historiando, o fato.  O que aconteceu entre esses espaços de tempo no mundo.  Inclua isso no personagem.

Quando comecei a estudar, assistia aulas de escenografia que não fazia parte do meu curriculum, cada vez que escutava falar num estilo, ia pesquisar, até que cheguei em consideração do que se fala.  “Que em moda nada se cria, se copia, transformando”.  Hoje os tecidos já não são os de antigamente.   Para cada coisa há um substituto.  Mas a moda, pode surgir do nada, por exemplo, hoje não tenho o que vestir, simplesmente faço uns buracos numa roupa, bordo isso, coloco aplicações, uma roupa que usei mil vezes, vira nova.   Saio com ela, alguém gosta, é começa a procurar alguma coisa parecida, de tanto falar, ou de ter uma fotografia do que viu, alguém esta copiando para fazer, para ganhar dinheiro.

As vezes numa peça que desenho, são troços de alguma coisa que vi.   Como um patch Works mental.  Escrever é a mesma coisa, temos que insertar o que aconteceu no mundo, entre uma época é hoje.            O telefone, virou celular, o velho computador de torre, substituído por um Laptop como me mover a qualquer lugar, existem milhões de exemplos disso.

Tens razão, vou tentar, tenho uma semana para tirar, pois se não uso essas horas, as borram, mas ficarei em casa escrevendo.

Agora com Robledo basicamente vivendo com ele, ficava difícil descer para seu esconderijo de Hacker, mas teria que chegar a hora que isso aconteceria.

Estava ele trabalhando em casa, quando vieram avisar, que a parte que pertencia ao Dax na garagem cheirava a queimado.

Largou tudo que estava fazendo, foi correndo para casa.   Quando abriu a porta, viu que um circuito tinha se queimado, desligou a luz, para fazer o reparo.  Robledo olhava tudo aquilo com os olhos bem abertos.

Quando acabou, este estava sentado na única cadeira sobressalente dali o olhando fixamente, como dizendo vai me explicar isso.

Vê, esse é o meu lado negro.  Talvez tenhas que me prender, sou hacker.  Aqui faço coisas que talvez a sociedade acredite erradas, mas a minha maneira tento consertar coisas erradas.

Bom saber desse lado negro. Estive analisando mentalmente, deixaste de usar aquele celular estranho, construído por ti.   Creio que se não exagero, ele tem esse sistema que copia o de outro celular, só por encostar, ou por estar perto.   Foste tu, não teu pai quem deu aquela ordem de prender o cara com a cocaína, verdade?

Também foste tu, sabendo como ele era, aquele vídeo dele dando o cu.  Pois o colocou em evidência, por isso gravas os clientes, reclamando, ou tentando abusar de vocês.  Ou fazendo como o sujeito que queria cheirar cocaína durante a prova.

Agora entendo, de uma certa maneira me protegeste contra teu pai.

Sim, eu conseguia entrar no celular dele, ver como ele planejava depois do ocorrido, além de se apropriar do que você, os outros fizeram, em seu próprio benefício.  Não era uma vingança de minha parte, mas sim que não prejudicasse a ti, aos outros.  Ele pensava em mandar vocês para uma delegacia mais longe possível, para não reclamarem as glorias.

Vingar dele eu fiz de várias maneiras.  Contou a historia da mulher, além de outras coisas que fiz, porque tinha uma fonte privilegiada, ele mesmo.  Não tens ideias das coisas que ele planejava, muitas consegui abortar.   Ele ficava furioso, porque não conseguia descobrir quem lhe atrapalhava.  Essa foi minha vingança.  Mas também era justo com as outras pessoas.

Tento equilibrar meu lado negro, com o outro. Mas posso te dizer uma coisa, são esses dois lados que te amam.  Eu só existo se tiver esses dois lados.

A cara do Robledo era uma incógnita, não saberia dizer se lhe condenava ou, esse ou era a incógnita.

Se levantou devagar, foi se aproximando, eu desconfiei, quando te vi, tiveste a falta de pudor, de passar me olhar na cara, creio que esses segundos de me desconcertei, me apaixonando por ti, entraste em meu celular, verdade?

Sim, mas eu também me apaixonei por ti,  quando te vi me olhando provar sapatos,  te provoquei pedindo tua aprovação, quando sai, queria realmente ir para cama contigo.

Me conta como, o porquê fizeste prender o sujeito da cocaína?

Lhe contou toda a história, todos odiavam o dito sujeito, as maldades que ele fazia com os empregados, foi um ajuste de contas com ele, nada mais.  Quem rompeu a lanterna traseira fui eu, bem como tirei a placa.

Mas eu não te vi, por  perto.

Estava totalmente vestido de negro, escondido na escuridão.

Quanto ao meu pai, veja isso, acendeu um laptop que estava ali, buscou um arquivo, mostrou ele conversando com o pai.  Pedindo que compensasse quem tinha realmente feito o trabalho, mesmo com a ameaça, ele ignorando.  Se ele fosse uma pessoa honesta, teria retificado imediatamente que não teve participação nenhuma, daria os méritos aos outros, mas sua sede de ser o mais importante, lhe venceu.    Não era ser o melhor, porque ele sabia que não era, por isso tratava todos assim, uma pessoa vai pisando nas outras para subir, até o momento, que ela acredita que isso é o correto.  Eu provei para ele que não era.  Mas veja bem, os iguais a ele, transformaram sua morte numa coisa gloriosa, só faltaram dizer que tinha morrido para salvar a pátria.   Vemos isso todos os dias.  As notícias hoje, são manipuladas constantemente, qual é a verdade. Caralho , nesse vai e vem, certo ou errado, Nunca mais vamos acreditar numa notícia, ela virou lixo puro.

Robledo, chegou perto dele, pegou sua cara com as duas mãos, o beijou, acredito em ti,  sei que tens um código de conduta, posso as vezes discordar, mas uma coisa vejo importante, eres honesto consigo mesmo.

Quando o livro do Robledo ficou pronto, leu a consciência, já tinha levado uma parte a um editor que tinha conhecido através da revista.  Este gostou do livro, disse que inclusive se estivesse sido escrito como roteiro de filme seria interessante.

De qualquer maneira iam publicar.  Fizeram o contrato, com a opção de venda para filme.  O livro logo foi um sucesso.  Ele tinha aconselhado ao Robledo fazer um curso de roteirista, aproveitou o curso para escrever uma ideia que tinha, de um caso que tinha resolvido a tempo.

Levou todas suas anotações para casa. Como tinha feito da vez anterior, escreveu de uma maneira diferente, foi a cadeia, conseguiu falar com o rapaz, o entrevistou, para saber como tinha chegado até o momento do crime.  Esse não tinha nada a perder, lhe contou sua história.

A vítima, ao contrário não tinha família nenhuma, mas mesmo assim pesquisou sobre ela. Criou a historia de ambos os lados, até chegar o momento do crime.

Apresentou o texto no final do curso, todos gostaram, o professor fez duas ressalvas, que ele corrigiu imediatamente.

Depois de conversarem, pediu demissão da polícia.   Tinha chegado à conclusão que não gostava do trabalho.            O fazia bem, mas isso fazia parte de sua personalidade, fazer bem as coisas.  

Depois de muito conversar com  Dax para entender como pensava, como usava a internet profunda, aprendeu tudo sobre o assunto, escreveu um livro inspirado no Dax, sobre a parte negra de uma personalidade.   Aprendeu ao mesmo tempo ir transformando os livros em roteiro de filme.

Os dois seguiam vivendo da mesma maneira, não precisavam de muito.

A AHDA, seguia funcionando como sempre, tinham uma lista de espera de muitos meses, mas isso as pessoas sabiam desde o momento que faziam contato.   Não iriam de maneira nenhuma aumentar a empresa,  fugia de seus critérios.

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