SORT OUT

                                                       SORT  OUT

Tinha levantado com os dois pés esquerdos como costumava dizer, quando mal abria os olhos se lembrando como seria seu dia.  A primeira coisa que pensou, vai ser uma merda.

Sua tia, fazia questão de todos os anos, mandar rezar uma missa por sua mãe, que já tinha morrido a mais de 10 anos.             Isso incluía aguentar um sermão do padre, que adorava falar complicado para parecer importante, ao que passados cinco minutos ele deixava de escutar, a plateia como ele chamava estava escassa, as velhas estavam todas morrendo pensou. Olhou diretamente na cara do padre, quando esse o olhou, fez um sinal, colocou o dedo sobre o relógio, este ficou vermelho, cortou rapidamente o sermão, afinal não mais que dez gatos pingados ali.

Teria que esperar sua tia se despedir das outras mulheres que iriam lhe perguntar quando se casava.   Estava já a estas alturas fartos, colocou dinheiro na mão de sua tia, disse que pegasse um taxi.

Ela colocou as mãos na cadeira, soltou, é que tua mãe, não te ensinou a ser cortes com as mulheres. 

Sim, respondeu de mau humor, mas não com as chatas que não tem nada que fazer no seu dia a dia, tenho pressa, tenho que trabalhar.

Entrou no escritório furioso, sua secretária de muitos anos, riu, cuidado teus cabelos estão pegando fogo.  Acabou rindo, pois usava a cabeça raspada.

Me fizeste imaginar a cena, quem é a primeira vítima, foi tudo o que perguntou, quando ela entrou enquanto ele tirava o casaco, colocou o café na frete de sua mesa.

Pelo visto o sermão esse ano foi curto?

Ele contou as gargalhadas o que tinha feito.   Agora era a vez dela rir, eu quando tenho que levar minha mãe a missa aos domingos, antes com a desculpa que tenho que falar com o padre, lhe digo se não faz um sermão curto, vou me levantar mandado tomar no cu na frente de todo mundo.              Faz uns sermões de uns 10 minutos, mas ao final me olha, faz um sinal para mim. Embora saiba que quer me mandar a puta que pariu.

Bom vamos as vitimas da quarta-feira, era o dia que ele recebia os escritores, ou para dizer que iam publicar seu livro, ou para mandar reescrever quase tudo, ou dizer que a ideia era boa mas que refizesse o texto inteiro, ou por último que era uma merda.

Nem sempre era agradável, o primeiro era um escritor pedante, que achava que todos seus livros seriam best sellers, normalmente a ideia original podia ser boa, mas ele não queria ter trabalho, vinha com um papel na frente, essa ideia foi usada num filme de Classe B, uma merda.

Sabia quem tinha lido o mesmo, era seu braço direito, nunca poupava a linguagem.  Tinha uma cabeça fantástica, se lembrava dos textos, se eram cópias ou não.

O sujeito entrou na sala com um sorriso falso em toda sua cara, lhe apertou a mão, depois esfregou uma na outra, quando vamos publicar essa maravilha.   Sem uma palavra, para não ter que discutir, lhe entregou o mesmo.   Sua cara mudou totalmente, quase espumava, a ideia pode ser do filme, mas eu a melhorei muito.

Sinto muito, ou mudas a ideia original, ou começas outra vez desde a primeira página. Não posso fazer nada, se um leitor diz isso, sinal que tem razão, ainda mais se tratando do Bradford.

Essa maricona velha, sempre faz tudo para amargar o dia.

Respeito, primeiro Bradford é mais jovem que tu, pelo menos uns dez anos, ou mais, além de que confio totalmente nele.

O outro se levantou, pegou o manuscrito, levantou os ombros, jogou ele mesmo na lixeira. Mais um sonho inalcançável.

Teve que ficar rindo, quando o via descer pelo corredor.   Era um embusteiro de muito cuidado, tinha escrito realmente em sua vida um livro bom, o primeiro, depois jamais foi capaz de escrever outro.   Vivia ainda das vendas do primeiro.

Apertou o interfone, avisou a secretária que estava livre.              O segundo era um rapaz jovem, estava nervoso, mas seu texto era muito interessante, ele mesmo o tinha lido por  recomendação do Bradford.   Apertou sua mão, perguntou se queria um café ou água.

Água por favor, estou nervoso, depois que vi esse senhor sair furioso, dizendo que ninguém o entende, fiquei pensando meu texto é uma merda.

Não meu caro, olhe aonde ele jogou o dele, ele mesmo o considerava assim, o teu pelo contrário é interessante, Bradford anotou as páginas, que gostaria que revisasse, bem como melhorar o texto, peça depois a minha secretária, para marcar uma hora com ele, mas recomendo não chegue atrasado, ele odeia.

O sorriso do rapaz iluminou a sua cara.  Obrigado, muito obrigado.

Assim foi toda a manhã, agora teria que ir almoçar com um amigo do Bradford, que vinha tentando publicar um livro com a historia da família, escrito por uma tia, solteirona que não tinha o que fazer, mas que glorificava a família.

Teria que ir com tato, porque essa família possuía ações da empresa.   Isso lhe incomodava uma merda, mas estava em suas obrigações.   Ele mesmo tinha lido o tal escrito, mais tonto era impossível, talvez tivesse algum fundo de verdade no que falava, mas iria interessar mais ou menos meia dúzia de leitores, com certeza amigos dessa família WASP, White Anglo-Saxon Protestant, normalmente todos metidos a besta como ele dizia.

Estava entrando no restaurante, o garçom que o conhecia, sabia qual mesa deveria lhe oferecer, dali poderia olhar o restaurante inteiro, se aparecia alguém, que ia ser um saco, ele saia pela cozinha, dali a porta dos fundos.

Mal se sentou, chegou o homem, vestido no estilo inglês perfeito, estendeu a mão como se fosse um beija mão papal.  Se sentou lhe entregou o envelope, gostava de ir direto ao assunto, assim poupava ter indigestão.  A cara do outro era curiosa.

Assim, antes do aperitivo, da comida.

O senhor me desculpe, mas é minha maneira de trabalhar, infelizmente o texto não merece uma publicação, nos daria prejuízo, o senhor como possuidor de ações da empresa sabe disso.  Acredito que lhe possa oferecer uma outra opção, indicar uma empresa que imprime, encaderna um livro assim, muito bem, para que o senhor possa oferecer aos seus amigos, seria a melhor opção.

Só então notou que tinha uma pessoa em pé.  Era uma cópia melhorada do outro, com uma roupa informal, passou por detrás deste, se sentou sem cerimonia nenhuma, me desculpe ao meu irmão, tão cheio de protocolo, mas eu lhe avisei que o texto era uma merda, uma quantidade de mentiras dessa bruxa solteirona.  Tinha dinheiro, não tinha o que fazer foi para a Inglaterra, inventou que estava pesquisando por la, quando o que mais fez foi gastar dinheiro.

Agradeço sua gentileza, eu também prefiro soltar a verdade, antes de comer, porque pode dar uma azia muito forte.

O outro se levantou, filho da puta, sempre estragando tudo que eu queira fazer.

Virou as costas, foi embora sem se despedir. 

O outro lhe estendeu a mão outra vez, Richard Brakstone, odeio todas essas mentiras, creio mesmo que os nossos antepassados vieram para cá, algemados na galera, por serem bandidos ou coisa parecida.  Mas meu bisavô inventou essas bobagens todas ao respeito da família, para entrar na sociedade, quando ficou milionário.

Meu irmão nunca trabalhou na vida, só me faz essas merdas, ora quer ser produtor da Broadway, ou de cinema, patrocinar qualquer artista que acha que será um sucesso, gastar dinheiro.    Eu sou pelo menos honesto, sou um sem vergonha de muito cuidado, gasto minha parte da fortuna sim, pois sou gay, não penso em me casar, então antes que acabe na mão desse idiota, vou gastando.

O olhou bem, não me eres estranho, fez um sinal para o garçom, lhe perguntou vinho tinto ou branco.

Me desculpe, não bebo,  no almoço só tomo água, porque depois tenho uma tarde horrível hoje. Podemos pedir se queres comer comigo.

Nem pensar, acabei de levantar-me, acabo de tomar o café da manhã.  Daqui irei jogar tênis para manter a forma.

Já sei de aonde te conheço, te vi uma vez numa festa na casa de alguém ou um jantar não é.

Ia concordar, mas nunca o tinha visto, não frequentava esse tipo de ambiente, suas saídas estavam com seus amigos de sempre.

Creio que não, basicamente odeio festas fúteis, como lhe disse, não bebo, não fumo, odeio ficar escutando besteiras superficiais, desculpe se sou franco.

Eu gosto, no nosso meio, tudo que escuto é isso, tens razão, tens razão.  Se levantou, com educação, estendeu a mão, espero não ter estragado o seu almoço.  Bom apetite.

Foi embora, realmente era uma bela figura de homem, mas todos os dois estavam fora da sua lista, odiava esse tipo de comportamento, tanto de um como de outro.

Pediu finalmente seu prato predileto das quartas-feiras, para alguns um gosto um pouco tonto, pois era uma comida leve. 

Acabou de comer, pagou, saiu, foi direto para a editora, na sua sala, estava esperando o Bradford, rindo.    Pela sua cara queria saber como tinha se saído.  Ao contrário dele, ele adorava essas festas, para depois sacanear todo mundo.  Na verdade, o convidavam, pois, pensavam que ele ainda tinha o dinheiro de sua família, nada disso, trabalhava porque não tinha muito dinheiro.

Bom fiz como sempre fui direto ao assunto, mas apareceu o irmão.

O Richard é muito louco, as festas que ele dá, são as melhores, dizem que na cama é uma fera, com um apetite insaciável.

Sim me deu essa impressão.  Mas não faz o meu tipo.

No final do dia, fazia um calor infernal, antes de sair, tirou a gravata, arregaçou as mangas, ia se encontrar com os amigos para uma cerveja.   Se surpreendeu em ver o Richard lhe esperando.

Estava te esperando, não pudemos nos conhecer direito.  Podemos tomar uma cerveja pelo menos. 

Ia dizer que o estavam esperando, mas resolveu aceitar.                 Falaram de mil assuntos, ficou intrigado, ele sabia tudo sobre ele.

Pelo visto fizeste uma investigação ao meu respeito, verdade?

Sim, nunca faço isso, mas achei interessante alguém que plantasse cara ao meu irmão, ele sempre se mete com gente que não deve, os esfolam depois o mandam a merda.

Porque essa curiosidade ao meu respeito, eu mesmo poderia te contar melhor a minha vida, sem problemas.    Não tenho nada que esconder, ao contrário, para não ser chantageado por ninguém procuro ser reto.

Quase soltou, que a pouco tempo um editor tinha ido para a rua, por ter misturado sua vida particular com a profissional, se encantou com um escritor, esqueceu que era casado com filhos, foi chantageado pelo outro que queria quer fosse editado seu livro.  Quando se negou, fez um escândalo.   Resultado o outro perdeu o emprego.    Mas não disse nada.

Bom o que gostas de fazer, já sei que não te posso convidar para nenhuma festa, pois não gosta, como é a tua vida?

Trabalho, amo os livros, ia agora tomar uma cerveja com meus amigos, depois iria para casa, pois comecei o dia com mau humor, me tocava uma missa, pela alma da minha mãe, que sua irmã faz questão de fazer todos os anos.   Ela ia odiar, pois nunca ia a igreja.   Mas para me livrar durante meses da minha tia, vou, depois a quarta-feira é o dia que vejo os escritores, para dizer sim ou não, julgamento como Salomão.

Agora o que quero é ir para casa, tomar um banho, escutar uma música, talvez até cochilar um pouco, depois trabalhar outro tanto.

Uma vida sem emoção nenhuma como pode ver.

Não tens namorado, ou alguma aventura.

Não, tenho paciência, as pessoas são absorventes, te querem possuir, minhas experiencias foram desastrosas.   Então prefiro ficar na minha, tenho claro aventuras sem compromisso.

Hum, acho que gostaria de ter uma aventura contigo.  Ficaram rindo, mas um olhando para o outro.   Ele acabou na sua casa, entrou olhando tudo, não acredito numa sala de visita com tantos livros, não cabem na biblioteca?

Está lotada, preciso de espaço para trabalhar, acendeu a luz da mesma, ele disse, caramba podias vender isso, já sei, colocas uma banca ali na quinta avenida, vou vender para ti.

Gostava desse jeito dele irreverente, em contraste com seu humor severo.

Mas na cama, foi uma loucura, ele era um furacão, ele quando tocado também, era insaciáveis os dois.   Ao final estavam exausto.

Richard soltou, porque não te encontrei a mais tempo.

Acabou dormindo, quando o despertador tocou as 7 da manhã resmungou, virou para o lado, seguiu dormindo, ele se levantou, fez a barba, tomou banho, se vestiu, ele não se mexia.  Deixou um bilhete, com seu número de celular, quando desperte, é só bater a porta que se fecha por dentro.

Teve pelo menos três reuniões, na qual a norma era, celulares, sem som, não atender nenhuma chamada.

Ao final do dia, viu que estava exausto, um amigo lhe chamou para tomar uma cerveja, mas disse que era impossível, estava morto.

Quando abriu a porta, sentiu cheiro de comida, o Richard na cozinha nu, preparava comida, estou te esperando, vá tomar um banho enquanto coloco a mesa, depois de jantar, lhe perguntou como tinha feito as compras, se não tinha saído. 

Oras por telefone, eles existem para alguma coisa.  Gosto de cozinhar para alguém, não quero te perder de vista.

Richard, hoje tive um dia  cansativo, se fizer o que fizemos ontem a noite, amanhã, não consigo trabalhar.

Entendi, não queres mais me ver?

Não é isso, eu levanto cedo, minha cabeça precisa funcionar, para tomar decisões, quiça no final de semana, sim podemos passar juntos.

Merda, esse é o problema, tenho uma festa na casa de praia em Los Hamptons, com alguns amigos, começou a rir, ias odiar, pelo menos umas 200 pessoas.

Realmente, nem pensar.

Bom, posso cancelar se for para ficar aqui contigo.

Não creio que você possa gostar, pois pretendo trabalhar.  Veja isso diz logo de cara que temos vidas completamente opostas.  Nada daria certo.

Mas a verdade, foi que ele cancelou para ficar com ele, o deixou trabalhar, jogado numa poltrona lendo um livro.

Saíram para jantar, fizeram sexo muitas vezes, lhe dizia ao seu ouvido, não posso ver o seu caralho que o quero para mim.

De repente de uma hora para outra, mudou, encontrou o que fazer, mas chegava na sua casa no horário, o apresentou para seus amigos, caiu bem a todos, se interessou pelo que fazia cada um, quando lhe perguntava, o que fazia, ele dizia sou um vagabundo, cheio de dinheiro, não escondia o que era.

Meus amigos diziam, Henry, ele não é nada do que parece, ouvi dizer que esta agora indo as reuniões da empresas da família, se interessa pelas coisas.

Se acostumou, de chegar em casa, o encontrar nu, andando por ela, ou fazendo algo especial para ele, se interessar como tinha sido seu dia.  Assim foi durante dois anos, um dia lhe perguntou se queria se casar com ele.   Levou um susto, ficou olhando para ele, agora sabia quando falava sério.

Eres a melhor coisa que me aconteceu na vida Henry, quero viver contigo, o resto de minha vida.

Ficou olhando para ele, estamos bem assim, para que complicar.  Mas tanto fez que acabou concordando.   Estava acostumado a ele.    Um belo dia o foi buscar na hora do almoço, foram ao fórum, se casaram.

Queria que ele fosse viver na sua mansão.   Disse que nem pensar, gostava de sua casa, foi um dia com ele até lá, achou um absurdo uma pessoa viver sozinha numa casa como aquela.

Depois queria dar uma festa para comemorar que tinham se casado, se negou, mas ele agora mostrava suas garras, fez a festa sem ele.

Apareceu três dias depois bêbado, drogado. Foi o começo do fim, se comportava uma semana, depois desaparecia.  Lhe disse que queria o divórcio. 

Nem pensar, gosto de estar casado contigo.

Cuidado, foi fazer um exame, completo, tinha medo de ficar com Aids, embora desde o primeiro dia tinha se cuidado.

Estava irritado, pois isso o impedia de se concentrar no seu trabalho.  Tomou uma resolução, lhe disse que não queria mais vê-lo, que assim não queria estar com ele.

Sua reação o surpreendeu, ninguém me deixa, sou eu que deixo as pessoas.  Saiu batendo a porta.   Ele prudentemente, mandou trocar a fechadura da porta, avisou o porteiro que não o deixasse entrar mais.  Se fosse o caso, inclusive falou com seu advogado pedindo uma ordem de que ele não podia se aproximar dele, até que considerasse o divórcio.

Uma semana depois, acordou com a campainha da porta, levantou de mal humor, pensando que era ele.    Era um policial.

Lhe perguntou se era casado com Richard Brakstone, ao dizer que sim, lhe pediu que o acompanhasse a sua mansão.    Tinha sido assassinado.

Quando entrou, aquilo parecia o inferno, gente bêbada, drogada, caída pelos cantos, sendo atendida por enfermeiros, o fizeram subir, ele estava numa cama imensa com dois garotos ao lado, cada um com um tiro na cabeça.

Quem fez isso?

Não conseguia passar da porta.  Quem fez isso perguntou de novo.  Ali aos pés da cama estava o irmão dele, com uma aparência horrível.   Foi ele, diz que estava farto dessas orgias que não o deixavam dormir.

Não posso ficar aqui, sem conseguir se controlar, começou a vomitar.  Merda, foi tudo o que pode dizer, além de agradecer o inspetor que o ajudou.

Sabemos que o senhor pediu divórcio, como o irmão esta incapacitado, tinha que ser o senhor.

Ok. Posso ir embora.  Depois o senhor sabe aonde me encontrar.

O sorriso do inspetor era amargo, a pergunta que o senhor está se fazendo é aonde eu fui me meter, verdade?

Sim, sem dúvida nenhuma, viveu comigo dois anos, maravilhosos, insistiu que nos casássemos, em seguida voltou a sua vida de antes.  Pedi o divórcio,  me disse que não, que era ele que deixava as pessoas.  Depois desapareceu.   Segui com minha vida, trabalhando, esperando que aceitasse, me deixasse em paz.

Bom, como o senhor já reconheceu o cadáver, não tem que ir ao necrotério, não sabemos quando liberaram os corpos, primeiro teremos que analisar tudo aqui.  Pode ser que tenhamos que falar outra vez com o senhor.

Foi para casa, avisou que não podia ir trabalhar, ficou primeiro andando pela casa, feito um louco, que idiota, com tudo que tinha podia ter feito algo de útil com sua vida.

Depois chorou, mas chorou muito, estava assim, quando tocaram de novo a campainha, foi atender, era o inspetor outra, vez,  posso entrar.

Já falei com o porteiro da noite, me disse que horas o senhor chegou, que não saiu de casa a noite inteira, me desculpa, mas tenho que descartar todas as possibilidades.  O irmão não é coerente.

O senhor aceita um café, eu necessito de um bem forte, fez café se sentaram na sala, pode perguntar o que queira.

O senhor sabia que quando ele começou o relacionamento consigo, tinha saído de uma clínica de desintoxicação?

Não, mas ele sabia, que eu não bebo, não fumo, não tomo drogas, eu lhe disse isso no primeiro dia.  Necessito minha cabeça limpa para pensar, para trabalhar.

Pelo que sei nesse tempo se manteve limpo, queria fazer um casamento por todo o alto, me neguei, só estive uma vez nessa mansão, queria que fossemos viver ali, eu acho um desperdício, quando chegou o verão queria ir para a casa de Los Hamptons, tampouco fui pois tenho que trabalhar.   Não só é o meu ganha pão, como amo o que faço.

Sim eu sei, o senhor é muito respeitado no meio, já tinha essa informação, quando vim busca-lo de manhã.

Mas a que hora aconteceu isso?

Pelo que vimos aconteceu de madrugada, ninguém na festa viu nada, só quando o irmão apareceu na escada, com o revolver dando dois tiros no ar, mas estavam acostumado que ele fazia isso, realmente o teto esta cheio de buracos de bala.

Os conheci ao mesmo tempo, o irmão queria publicar um livro escrito por uma tia, muitas mentiras a respeito da família, dizendo que eram nobres essas besteiras Wasp.

Me neguei a publicar, ele chegou justo quando eu dizia isso ao irmão.  Nesse dia me foi buscar para conversar, sem me dar conta, me apaixonei por ele.   Mas me neguei a sair de minha casa, ir a qualquer festa com ele, tampouco proibi.

Pode ser que  tenha visto no senhor um lugar seguro, para viver.  

Sim viveu aqui comigo dois anos, estávamos bem, por isso não queria me casar.   Mas ele era uma pessoa envolvente, nunca desistia de nada.   Quando vi tinha me casado.   Quando voltou a beber, drogar-se essas coisas, desaparecia, depois pedia desculpas.  Mas cortei pelo sano, pedi o divórcio, disse que em sua família isso não acontecia.  Lhe disse que não queria nada dele, só que me deixasse em paz.  Acionei meu advogado, dei ordem que não entrasse mais aqui, troquei a fechadura da porta.   Enfim, passei levar uma vida mais segregada do que levava antes.

Só assim podia ter paz para trabalhar.

As pessoas dizem que fui um privilegiado, mas para nada, primeiro sou filho adotivo, minha mãe, era uma pessoa fabulosa, nunca quis se casar, mas queria um filho, me viu num orfanato me adotou,  da para perceber que não sou branco, sou um mulato claro.  Mas a adorei com todas minhas forças, me deu um futuro.   A única coisa que discuti com ela, foi que comprou ações da editora, para que me deixassem trabalhar lá, por isso tive que ser melhor que os outros, não ia deixar ninguém me pisar, me chamar de protegido.

Mas não sou o dono, vivíamos nesse apartamento, o reformei, pois precisava de lugar para meus livros.

Agora se me pergunta, me sinto perdido, eu o amava, acreditei nele, agora me sinto perdido, mais do que antes, quando tudo acabou.   Se o visse agora, lhe daria uma surra, dessas que os pais davam antigamente nos filhos quando eram desobedientes.

O senhor me faz um favor, pois conhecendo meus amigos, dentro em breve todos vão querer vir aqui. Diga ao porteiro que eu não posso receber visitas, preciso ficar sozinho.

O inspetor lhe apertou a mão, depois passo para saber como está, meu nome é Duke Almagro, lhe deixo meu cartão se precisa falar com alguém.

Tirou toda roupa, entrou embaixo do chuveiro, ficou pelo menos meia hora ali. Tinha a sensação de que precisava limpar-se de toda essa merda.

Depois se sentou na mesa de trabalho, apoiou a cabeça nas mãos, algo lhe chamou a atenção num texto, começou a ler, acabou dormindo cansado, com a cabeça encostada na mesa.

Não sabia quanto tempo tinha estado ali, dormindo.   Mas pelo menos se relaxou.

Pediu comida pelo telefone de noite, viu a quantidade de mensagens que tinha no celular, borrou tudo, não queria conforto de ninguém.   Ia começar a comer, quando o inspetor Duke chegou outra vez.  Trazia comida também.  Se sentaram os dois na cozinha comendo em silencio.

Acredita que não acabamos de interrogar todo mundo que estava lá.  A maioria tinha uma alta dose de drogas.     Pela autopsia, ele morreu no ato, mas a alta concentração de drogas, estimulantes, além de esperma anal, a cama era uma verdadeira sujeira.  Me perdoe contar isso, mas o senhor tem que saber, pois isso acaba nos jornais.

Pare de me chamar de senhor, meu nome é Henry, nada mais.   Sim, creio que é bom saber tudo, assim não me assusto.

O advogado já me mandou um e-mail, dizendo que o enterro é amanhã.  Mas nem sei se irei, não conheço toda a família, odeio essa coisa dos pêsames.

Queres que te leve?

Duke, porque estas fazendo tudo isso por mim, me achas culpado de alguma coisa, ou tem alguma coisa que não sei?

Não te lembras de mim, não é?

No momento, com minha cabeça como está, não.

Estivemos juntos no orfanato, dormíamos em camas pegadas, Henry o tonto te chamava, a mim me chamavam de Duke el chicano.

Agora sim, sorriu, claro, me lembro, chegamos no mesmo dia no orfanato, cada um de um lado, estávamos mortos de medo, você me deu a mão, entramos de mãos dadas.  Mas você foi adotado antes, não é?

Sim fui adotado por um policial, que não tinha filhos, como era de ascendência mexicana, me adotou, foram uns pais maravilhosos para mim.

Quando fiquei maior, fui te procurar, queria saber quem tinha te adotado, quando vi aonde morava, pensei, ele está bem.

Ok, se podes amanha irei contigo ao enterro, é melhor estar com amigos.  Mas aviso, ficarei afastado, não quero nada dessa gente.

Assim, foi, veio busca-lo cedo, ele se vestiu todo de negro, com uns óculos negros também, ficou afastado, tinha muita gente, mas ele não se aproximou de nenhum, na verdade não conhecia os outros.

Um senhor se aproximou, perguntando se ele queria dizer algumas palavras, disse que não, não conhecia essa gente.  Sou o advogado do Richard, amanhã o senhor tem que ir a leitura do testamento, antes, enfiou a mão no bolso, isso ele deixou para o senhor.  Mas é necessário ir a leitura do testamento, pois vocês se casaram com comunhão de bens. 

Fez cara de surpresa, perdão, mas não sabia disso.

Lhe deu o cartão, disse a hora que devia estar, era perto de aonde trabalhava, pensava em voltar a trabalhar no dia seguinte.   Iria depois disso.

Viu que todos iam embora, um senhor já maior, com uniforme de chofer se aproximou, dizendo, eu o conheci desde criança, o tempo que esteve com o senhor, foram os melhores de sua vida.

De uma pessoa simples ele podia entender.

Ficou de contar ao Duke, depois como sairia da leitura, depois nos falamos.

Ficou em casa trabalhando, falou com sua secretária, ela ia dizer algo, mas ele cortou, não diga nada, não suporto isso de pêsames, diga ao pessoal que nem se atreva.

Amanhã chego mais tarde que tenho que ir ao advogado, depois irei trabalhar.

No dia seguinte se arrumou como outro dia qualquer para ir trabalhar, antes passou no escritório do advogado, aquilo parecia um jardim zoológico.   Se sentou nos fundos, mas o advogado foi busca-lo, o senhor é o viúvo, tem que estar na frente.  Viu que a família toda o olhava com desprezo.    Leu a carta que lhe entreguei ontem. Fez que não com a cabeça.

Sentou-se sem olhar a ninguém.

Ele leu as formalidades.   Quando leu o testamento, só escutava murmúrios de raiva, ele não tinha entendido nada, só escutava arrastar de cadeiras, em seguida a sala ficava vazia.
Perdão não entendi nada!

Ele deixou tudo para o senhor, pelos melhores anos da vida dele.  Tudo que tinha no banco, bem como a renda do fideicomisso que tinha da família, a mansão, a casa da praia, tudo é seu.

Que vou fazer com essa merda.

O senhor faz uma coisa, coloque tudo a venda, quando estiver vendido me fala, como vamos distribuir esse dinheiro.  Não quero nada.

Se alguém da família quiser comprar, posso vender para eles?

Me importa um caralho quem compre, desde que seja um preço de mercado. Depois darei uma parte ao orfanato aonde fui criado, obra da igreja que minha mãe ia. Depois resolvo isso.

Saiu dali tonto, o homem ainda correu atrás dele, com um envelope, aqui tem as contas de bancos, para saber quanto existe.

Estava furioso, como podia ter feito isso com ele, pensar que ele queria seu dinheiro.  Não disse bom dia a ninguém, foi direto a sua sala, fechou a porta, chamou o Duke.  Estou farto dessa merda que me meti.  Contou para ele tudo.  Já disse que uma parte vai para o orfanato de aonde saímos, vou distribuir o dinheiro dessa canalhada toda. Filhos da puta.

Posso passar por tua casa de noite?

Sim, pode, preciso falar com alguém, que me possa clarear a cabeça.

Sua secretária, abriu a porta, colocou a cabeça para dentro, lhe disse reunião da diretoria, tome um copo de água, pois as coisas por aqui andam quentes.

Entrou na sala, todos fizeram menção de lhe dar os pêsames, mas ele cortou rapidamente, não façam isso.

Bom qual o problema.  Ele na verdade tinha uma ninharia de ações, seu voto não valia para nada, que não fosse decidir o que devia ser transformado em livro ou não.  

Acabam de lançar uma OPA, para comprar a editora, vamos aceitar, pois estamos com o barco furado, os lucros são uma merda, preferimos ficar com o nome bem alto.

Ele perguntou e os funcionários?

Os que quiserem ficam, os outros podem fazer acordos para saírem.

Ok, eu vou embora, preciso de uns dias para refletir.  Podem me considerar na rua.

Saiu, pediu a sua secretária que mandasse, chamar o Bradford, quando este chegou, a chamou também.  Contou a situação, creio que montarei uma pequena editora, para fazer o que eu quiser.   Já os aviso, se quiserem seguir trabalhando comigo, façam um acordo com a empresa, peçam para sair.

Os abraçou, lhe pediu para recolher as coisas que eram dele, bem como sua lista de escritores que ele representava, essa ele enfiou em sua pasta,  por enquanto trabalharemos da minha casa ok.

Amanha os espero as 10 da manhã, tenho uma coisa para fazer antes.

Quando Duke chegou de noite, lhe contou tudo. Não abriste a carta?

Não tive coragem, porque se tem besteiras escritas, ficarei furioso, preciso ter a cabeça fria.

Amanhã preciso de um advogado para consultar, alguém honesto, em quem eu possa confiar.

Ele riu, eu sou advogado, mas quem ia querer um advogado mexicano, a não ser os das drogas por isso entrei na polícia.  Posso tirar férias que tenho vencidas, como já entreguei o relatório do caso, estou livre.

Se abraçaram na hora da despedida.

Tens família Duke?

Só meus pais, estão velhos, mas firmes, falei de ti para eles, mandaram abraços para ti.

Então amanhã podes vir tomar café comigo, assim discutimos tudo isso, nem abri o envelope do banco, mas não quero fazer isso sozinho.

Sentou-se sozinho na sala, com a carta do Richard nas mãos, só pode dizer, filho da puta, eu te amei tanto, como pudeste fazer isso comigo.

As lagrimas caiam pela sua cara, sentia como se todas as portas estivessem fechando em sua volta, mas se lembro de sua mãe, quando ele sentia isso ela, dizia.  Não importa, se fecham, meta o pé numa delas, que abre.  Mas o fazia literalmente, levantava uma das pernas como dando uma patada na porta.

Acabou dormindo, ali no sofá, a carta escorregou ficando em pé em cima do tapete.

Não sabia quanto tempo ficou ali, despertou com um ruído, no andar de baixo.  Se sentou no sofá recolheu a carta, vamos fazer isso de uma vez.

Perdão, era a primeira palavra, mas fiz merda, nunca consigo me livrar de minhas merdas, pensei que nunca mais depois de dois anos, pudesse recair outra vez nas drogas, mas não sou como tu, que tens uma fortaleza invejável.

Pensei que me escondendo atrás de ti, superaria qualquer coisa na minha vida inútil, mas nada deu certo, na empresa riem de mim, pois não entendo de nada, acabaram pedindo que eu fosse para casa, pois só faço merda.

Minha primeira recaída, fiquei furioso, pensou vou provar que posso fazer tudo que fazia depois sair como se nada.  Mentira.

Mas já tinha estragado tudo contigo, sabia que não ias me perdoar, nunca encontrei ninguém como tu.   Tinhas razão em não querer se casar, mas eu te amei, como nunca tinha amado ninguém, por isso deixo tudo para ti.   Esses merdas que se fodam.

Me criticaram por ter casado com um mestiço, isso nunca me importou, dei o rabo para muito negro, quando estava totalmente drogado.

Mas me aceitaste assim com esse passado negro, nunca me perguntaste nada.

Sei que me querias, como eu te quis.  Por isso aproveite faça alguma coisa boa com tudo isso que te deixo.

Um beijo imenso, não podia te dar o divórcio, pois ele não existe na minha família.  

Mereces o melhor.

Richard.

Não irei mais te molestar, só saberás disso quando eu morra.

Soltou um grito tremendo, sentiu que ia arrebentar, filho da puta, podia estar com ele, levar uma vida normal.  Ao mesmo instante se perguntou o que era normal, desde logo sua vida cotidiana de trabalho, não era a vida que Richard estava acostumado.

Tinha se escondido atrás dele, ou mesmo o tinha usado como uma balsa salva vida, por ter medo de encarar seu lado mais negro.   Nunca saberia o que teria levado a isso.  Pela rigidez que se comportavam todos, viviam de aparências.

Nessa noite dormir foi um desastre, até que acabou se levantando, tomou um banho, se sentou em frente a mesa, começou anotar coisas.        Caiu dormido em cima do que estava escrevendo, que na verdade eram seus planos.

Escutou a campainha tocando, se levantou, espreguiçou, foi abrir a porta, nem se tocou que estava nu. 

Isso lá são maneiras de receber teu advogado, Henry, que vou pensar, que estas te oferecendo.

Saiu correndo, voltou vestido, Duke já estava fazendo café, disse rindo, trouxe croissants, para tomarmos com café.

Mas tampouco precisava sair correndo, o máximo que iria fazer, era te jogar no chão te ensinar a fazer sexo direito.   Tinha um sorriso de troça na cara.

Deixa de zombar de mim, dormi mal a noite, me levantei tomei banho, me coloquei a escrever tudo que queria falar contigo hoje.

Foram os dois com as canecas de café, o saco de croissant para o escritório.  Sentaram-se na mesa, me diga tudo que pensaste, depois, voltamos atrás analisando cada coisa.

A primeira coisa é, quero que vás ao advogado da família, busque todos os papeis, tanto da mansão daqui, bem como da casa de Los Hamptons, pois não confio nesse homem, é capaz de querer vender a própria família por um preço mais baixo do mercado.  Desconfio dessa gente como do diabo.

Segundo, devemos analisar o que existe no banco, não tenho ideia disso, não abri o envelope ainda.

O que quero fazer é o seguinte, primeiro, ontem sai da empresa, convidei minha secretária, bem como Bradford para virem trabalhar comigo, quero montar uma editora, seria, que faça livros que eu tenha orgulho de publicar.

Temos que encontrar um local para isso.   Eu trouxe comigo a lista dos escritores que edito, o que necessito saber é se é honesto, tipo conectar com eles, dizendo que sai da empresa, que monto a minha própria. Mas claro vou escolher só alguns.

Temos que montar uma empresa, eu ficaria com 51%, o resto divido com quem queria trabalhar comigo.  Não quero ser o dono absoluto de nada.

Quero um ritmo mais tranquilo, em que possa ter uma vida mais relaxada.

Da venda das casas, quero que uma parte seja para o orfanato, pois estão sempre precisando de dinheiro, todos anos, reservo uma parte para lá, isso minha mãe sempre fez.  Depois vamos olhar aonde tem gente que precise de dinheiro.  Vou gastar o dinheiro dessa gente em coisa realmente boa.

Que te parece?

Me parece genial, se fosse outra pessoa, estaria já de mala e cuia, se mudando para a mansão, mas sei que tu eres diferente.

Vamos abrir o envelope, antes que chegue o Richard e a Marie, eles sempre trabalharam comigo, assim posso ter gente de confiança em minha volta.

Quando abriram o envelope, viram que havia contas em mais de um banco, os saldos eram grandes, pois a maioria era dinheiro aplicado, tirando as festas ele não gastava muito dinheiro.

Olhando o extrato, Duke disse, ele tinha coragem de pagar com cartão aos das drogas, isso será um prato cheio para a polícia, tirarei uma cópia.

Mas era muito dinheiro, pois foram anotando, significavam muitos milhões,  caralho, viu os depósitos do fideicomisso,  era como se fosse um salário de um grande executivo, do qual ele gastava pouco, pelo visto transferia isso para as contas.

Outra coisa, disse que tenho direito a esse fideicomisso, se é assim, esse dinheiro dá para ir tocando a editora, 

O resto, devo transferir para uma conta minha, ou abrir no próprio banco, preciso de um documento do advogado para isso não é, sei por que tive que fazer isso com o da minha mãe. Terei que procurar alguém que controle tudo isso.   Alias você poderia fazer isso como advogado, cuidaria dos contratos dos escritores, além da parte contabilidade.

Quando chegaram os outros dois, estavam ali discutindo o que fazer.   Fizeram mais café, sentaram-se todos a volta da grande mesa, os apresentou ao Duke, que já conheciam, pois tinha ido na editora investigar.

Explicou que Duke na verdade era um amigo seu de infância, vivemos juntos no orfanato, dai que nos conhecemos bem.

Ele será meu advogado.  Como estão vocês com a empresa?

Esperando ouvir tua proposta, nos ofereceram para ficar, mas claro trabalhar contigo é outra coisa.

Contou o que tinha pensado em fazer, os dois disseram que não tinham dinheiro para montar a sociedade.

Sem problemas, eu tenho o dinheiro, a princípio será apertado, mas penso em só editar o que realmente gostamos.  

Bradford, tu sempre estas reclamando, que tem que ter um pé fora do círculo, pois alguém te obriga a publicar o que não queres.     Isso acabaria, farias o meu papel, trabalharíamos juntos lado a lado, contratarias, uma ou duas pessoas como leitoras, mas pessoas que confies tu, de principio Marie iria controlar o escritório, precisamos de gente de confiança para controlar as empresas  que imprimem, encadernem, o Duke, além de administrar os contratos, ficaria com o controle de gastos.

Cada um pode ter não mais de dois funcionários a princípio.   Agora o mais importante, nada mais de trabalhar aos sábados, domingos, precisamos de tempo para nossas vidas.

Minha ideia é que eu teria 51% das ações, o resto dividido entre os três.   O que acham, já estavam rindo antes.    Trato feito.

Ele repetiu o que já tinha falado com o Duke, o dinheiro dessa gente finalmente servira para algo útil. 

Só vamos fazer livros que sejam bons.   Quero também entrar num mercado novo, livros através da informática, esse era o problema da editora, estava defasada, muita gente hoje não lê os livros em papel.

Agora temos que procurar um local, pois não quero nada aqui na minha casa.

Por enquanto nos reunimos aqui, mas depois temos que ter um local.

Marie disse que sabia de um em frente a outra editora, o espaço é menor, mas vi pela janela que o reformaram inteiro, vou bisbilhotar, depois aviso.

Bradford, que não parava de anotar, já tenho as pessoas, creio que basta telefonar, elas aceitaram.  

O Duke precisa dos documentos de todos, para montarmos a empresa.  Estava tão empolgado com tudo, que por pouco se esquecia do Richard.

Vamos chamar a editora, de Stone,  se não existe outra com esse nome, uma homenagem ao homem que está fazendo com que isso seja possível, o Richard.

As coisas começaram a correr, ao mesmo tempo que recebeu uma chamada de uma pessoa da família, perguntando pelas joias.

Joias, eu não sei nada de joias, falem com o advogado do Richard, nem tenho ideia do assunto.

Caso existam, nos gostaria comprar essa parte, bem como a mansão.

Tudo isso vocês deverão falar com meu advogado, o senhor Duke Almagro, ele sabe que as casas serão vendidas, o dinheiro ira para um orfanato e beneficência.

As casas estão fechadas, o advogado tinha mandado fazer uma avaliação de tudo que tinha dentro,  a maioria eram quadros que de valor não tinham muita coisa, mas os moveis sim.

Duke ficou sabendo através do advogado, já que não estava mais no caso, que o irmão estava em dificuldades financeiras, para pagar um advogado bom.  Estava internado num hospital, os outros parentes não querem o ajudar.

Contrate um criminalista bom para ele, creio que ele não é muito certo da cabeça, mas não quero de maneira nenhuma estar envolvido nisso.

Realmente num dos bancos tinham uma caixa de segurança, cheia de joias da família.

Mandou tudo para um especialista, riram muito pois descobriram que a maioria eram falsas, essas entregaram a família. O resto colocaram a venda. Se queriam comprar, teriam que pagar o preço do mercado. 

O que tinha telefonado já tinha feito contato, queria pagar um preço baixo, mas a estas alturas, Duke já tinha contatado um agente imobiliário da zona que lhe devia favores, sabia o preço justo. Disse que teriam que negociar com a imobiliária.

Bradford, de gozação disse que ele deveria manter Los Hamptons para fazer uma grandes festas.  Mas disse isso rindo.

Foram ver os 4 o local que Marie tinha falado, gostaram.  Só duas salas seriam fechadas, a de reuniões, é a que usariam para atender os escritores, o resto seria tudo aberto.

Bradford, já tinha feito contato com as impressoras de livros, a maioria o conhecia, então bastava mover.

Contrataram uma empresa para comprar os moveis, eram todos iguais, sem distinção de chefe, mesmo para ele, na sala de atender os escritores, uma mesa como as que tinha em casa.

Ao mesmo tempo, foram fazendo contatos com os escritores,  Bradford, colocou um cartaz nos cursos de escritura, nas faculdades de filologia, falando de novos escritores, como deviam mandar os textos.

Todos estavam trabalhando a pleno vapor, se mudaram para o escritório novo, pode por fim recuperar sua casa.

Duke disse que ia sentir falta de estar lá, talvez por inveja, nunca tive uma casa minha, meus pais, sempre vieram em primeiro lugar.

Falar nisso, querem organizar uma festa em sua casa, para comemorar nosso novo negócio, mas aconselho que venhas comigo até lá, para que não façam uma festa tipicamente mexicana com gente saindo pelas janelas.

Henry foi num final de semana com o Duke, se sentia a vontade com ele, podiam conversar qualquer assunto.

No carro foi lhe perguntando se nunca tinha tido um relacionamento sério. 

Queres me explicar como?    Um policial, agarrado a família, o que já por si só gera muita gozação, na minha idade viver com meus pais.  Ainda por cima gay.

Não sabia que eras gay.  Nunca falamos nisso.

Bom essa é a verdade, não pensava ser grosseiro contigo.

Mas a verdade é que sou aquela pessoa, que vai para cama com alguém, não me relaxo, saio correndo em seguida, antes mesmo que me convidem para dormir.  Uns dizem que pareço uma ratazana, que foge depois do coito.   Mas é uma verdade.

Nunca amaste ninguém?

Além de ti, não.    Tinha consciência embora fossemos crianças, que te queria.  Te procurei muito,  mas quando vi como vivia, pensei, nada para o meu bico.

Pois te enganaste, vivíamos muito simplesmente, minha mãe não gostava de luxos, veja o apartamento como é tirado a fachada o edifício, a localização, tudo dentro de casa sempre foi normal.   Nunca tivemos empregados, ela mesma fazia a limpeza, cozinhava, fazia tudo.

Dizia que uma pessoa ociosa era um merda para a sociedade. Tinha maneiras muito particulares de se expressar, contou como era quando dizia o da porta fechada.

Sempre te animava seguir em frente, dizia se ficássemos olhando para trás era mais difícil seguir em frente.   Procuro seguir seus exemplos, seriamente.

Foi uma comida em família, sabia que o estavam examinando, quando sem querer soltou que os dois tinham entrado no mesmo dia no orfanato.  A mãe ficou olhando para ele.  O raro é que nos olhamos, os dois com medo, em frente a porta tinha um espelho grande, até hoje quando me lembro imagino isso, dois garotos sem eira nem beira, de mãos dadas entrando por aquela porta, até vocês o adotarem, foi meu companheiro, único amigo.   Fui adotado logo em seguida, minha mãe era uma pessoa especial.

Duke, contou o que ele tinha falado da sua mãe. 

Ela tem uma irmã ainda viva, essa é o extremo oposto de minha mãe, vive de chás de caridade, enterros,  igreja, mas no fundo não faz nada por ninguém.

Quando soube que tinha me casado com um homem, deixou de falar comigo.  O que no fundo me veio bem, não aguento tanta besteira.

Minha mãe era uma mulher diferente, no enterro dela, fiquei surpreso com a quantidade de gente que não conhecia, inclusive gente da rua que ela ajudava.  Eu segui fazendo o mesmo, sempre tinha uma palavra para qualquer pessoa, para dar força.

Pois é escutávamos falar de ti, pelo Duke, nunca deixou de pensar em ti.  Estudou, poderia ter sido alguém se não fosse essa besteira da sociedade, dele ser e ter seus pais mexicanos.

Sempre nos ajudou quando começou a trabalhar.

Quem perguntou foi o pai, ele nos disse que vais abrir uma editora, que distribuiu uma parte entre ele, mais dois sócios?

Sim é verdade, contou do dinheiro, o senhor não acha que o dinheiro dessa gente ociosa deve servir para alguma coisa.    O orfanato os meninos sempre precisam de roupa, comida, eu dou dinheiro todos os anos, mas nunca é o suficiente, com uma parte, as freiras poderão se relaxar um pouco.

Quero que esses meninos possam estudar, como nos dois pudemos.  Alguns não são adotados, tudo que podem fazer é ou entram para o exército, para serem balas de canhão, pois ninguém se interessa por eles, ou traficantes de drogas.

Se espantou quando Manuel o pai do Duke, colocou a mão sobre a sua.  Gosto da ideia.  Nos também sempre ajudamos, pois nos deram um filho maravilhoso.

Vamos falar de coisas alegres, vamos falar da festa, faremos um churrasco mexicano.

Olha senhor Manuel, não sou muito de festa, muita gente me assusta, o Duke sabe disso, mas confio nos senhores.  Posso convidar os outros sócios.

Claro que sim, deixe tudo por nossa conta.

No sábado foram a festa, para surpresa de Henry, quem estava era a irmã Giovana, ou Giovi como a chamavam de criança, lhe fez a maior festa.  Ficaram sentados lado a lado conversando, o maior prazer era se lembrar de coisas da infância.  Irmã Giovi, reconhecia que tinha um pecado a gula, pois além de muito alta, era gorda, mas quando eles passavam por ela, tirava do bolso dois biscoitos um para cada um, depois colocava a um dedo na frente da boca, fazendo sinal de silencio.   Isso era um grande segredo, até que descobriram que fazia isso com todos os meninos que cuidava.

Estavam rindo muito dessa época, quando se aproximou um garoto em cadeira de rodas, meu novo protegido disse ela,  Jesse, venha aqui conhecer o Henry, esteve lá no orfanato também, o garoto o olhava com adoração, a irmã sempre fala em vocês dois, diz que um dia vou ter a sorte que tiveram vocês dois.   Mas quem vai querer um garoto em cadeira de rodas.  Alguém o veio buscar para comer.

Não tem solução seu problema?

Tem, ele levou uma surra do seu padrasto, caiu por uma escada, lesionou a coluna, depois o deixaram na porta do orfanato, evidentemente só pudemos fazer o essencial.  Tu sabes que só temos uma pessoa, uma enfermeira, só contamos com hospitais públicos, nenhum se interessa em fazer nenhuma operação.

Acredito que o orfanato devia ter um serviço médico, Duke passava por ali, o agarrou, sente-se aqui um momento, estou falando com a irmã Giovi, que o orfanato devia ter um serviço médico, não achas?

Claro que sim, um médico, enfermeira, dentista, tudo que os meninos precisam, verdade. 

Vocês dois estão fora da realidade, mal recolhemos roupas, para esses meninos, comida, contamos com ajuda, vocês dois são dos poucos que ajudam todos esses anos.  Mas precisamos de muito dinheiro.

Sabe irmã, disse Henry, tenho um amigo muito rico, vou falar com ele, quem sabe.

Seria o máximo, um médico que visite o orfanato pelo menos três vezes por semana já seria alguma coisa.  Dentista, esse ficaria louco com as bocas que temos.

Bradford, vinha empurrando a cadeira de rodas do Jesse, sabem da maior, ele me disse que escreve história, as desenha ao mesmo tempo, vamos recolher uma em sua mochila, verdade amigo.  Bradford tinha uma facilidade incrível para falar com as pessoas, se relacionava bem com todo mundo.  Os escritores eram capazes de lhe contar as coisas mais intimas, para ele, mas tinha uma vantagem, nunca comentava nada com ninguém.

Voltaram, sentou-se ao lado deles, começou a ver um caderno. Sua cara era de concentração total, isso se sabia quando tinha alguma coisa que lhe interessava.

Mas essa historia precisa de  continuação.   Jesse rindo bateu na sua cabeça, disse que estava tudo ali, mas que seu caderno tinha terminado.   Teria que esperar quando sobrasse algum no orfanato para ele desenhar.

Bradford passou o caderno para o Henry, dê uma olhada, isso seria genial, para atingirmos um publico jovem.   Quanto anos tens Jesse?

Sou velho tenho 12 anos, mas nunca ninguém quer me adotar.

Vou deixar você aqui com o pessoal, já volto.  O viram falando com um jovem dali, saíram rapidamente, em que vai se meter esse perguntou o Henry.

Segunda-feira, tenho a manha livre, Duke, podemos ir no orfanato, fazer uma lista do que precisam para pedir ao nosso amigo rico.

Jesse ficou ali ao seu lado, o senhor gostou do que eu faço.  

Sim muito, mas se o Bradford gostou eu tenho certeza de que serás bom com esse livro.

Daqui a pouco o Bradford, apareceu com um pacote, cheio de cadernos, lápis, lápis de cor, tudo para ele, o garoto, chorou de emoção, agradeceu muito.   Prometo colocar tudo que tenho na cabeça nessa história, agora já de brincadeira perguntou, com final feliz como nos filmes, ou a realidade.

Bradford muito sério respondeu, a realidade é o que faz as pessoas enfrentando a vida.

Bradford, lhe arrastou Henry pela manga, não conheces nenhum amigo teu médico, que seja especialista em problemas de coluna?

Espera, tenho um amigo que é uma enciclopédia, em se tratando da profissão dos amigos, me deixa perguntar para ele.

Estavam comendo a sobremesa, quando seu celular tocou,  falou com a pessoa, fez sinal positivo para o Henry.  Essa agora vai ser difícil, me fez lembrar que tive um romance com um médico, só que estraguei tudo, no dia seguinte sai de fininho, o sujeito não gostou, mas mesmo assim vou falar com ele.

No caminho de volta, ele perguntou ao Duke, em que pé estavam a venda das joias.

Bom mandei avaliar na Soteby’s, me deram o valor, a colocaram para venda dentro de pouco.

Qual o valor mais ou menos, daria para montar um ambulatório no orfanato?

Daria inclusive para pagar durante muito tempo um médico, enfermeira além do dentista, isso tenho certeza. 

Vamos fazer o seguinte, tiramos isso do dinheiro que está no banco, depois repomos com a venda.  Quando chegou em casa, disse foi ótimo reencontrar a irmã Giovi, minha mãe tinha verdadeira paixão por ela, quando alguém falava que não tinha filhos, ela dizia que devia visitar a irmã Giovi.

Quando você foi embora, eu fiquei chateado, para não dizer deprimido, um dia estava sentado no jardim, agora não tinha com quem jogar, quando uma senhora linda, apareceu, se sentou ao meu lado começou a conversar comigo, perguntar o que eu gostava, acabou virando minha mãe, os dois gostávamos de livros, isso foi o fio que nos uniu.

Então sentiste falta de mim?

Sempre, durante muitos anos, conversei contigo no meu quarto, arrumei um boneco, então parecia que estava falando com ele, mas na verdade estava jogando contigo.

Alias meu primeiro namorado se parecia contigo.

Caralho vou ficar com ciúmes, não preferes um ao vivo.

Estavam no elevador quando falavam nisso, ficaram um olhando ao outro, quando o elevador, chegou no andar que ele morava.

Entras, tinha trazido algumas sobras da festa, cortesia da mãe do Duke. 

Vou deixar essas coisas na cozinha, depois me piro, estava arrependido de ter falado dos seus sentimentos.  Mas desde que tinham se encontrado, tinha começado a amar seu amigo de infância, sabia que ele estava num momento complicado, podia não ser bom momento.

Estava distraído, quando Henry, o cercou, continuamos com nossa conversa. Mas já o beijando, fique comigo essa noite.

Posso ficar Henry, mas temos que pensar seriamente nisso, não sou uma pessoa de aventuras, quero que tenhas  certeza de que me queres em tua vida.          Não quero ter que sair de fininho amanhã, por isso é melhor pensar muito antes de tomar qualquer caminho. Pode estragar tudo que estamos construindo.

Se sentaram na sala, Henry sorriu tristemente, é que estas sempre presente em minha vida, mas tens razão ainda não sei o que quero, tudo isso me deixou confuso, posso estar misturando as estações, mas adorei beijar-te.

Duke foi embora, depois de abraçar o seu amigo, saiu excitado do apartamento, mas ele era assim, talvez por isso estava sozinho, era muito sério.

O namorado que tinha durado mais tempo, disse que ele apesar de jovem, parecia um velho, ele entendia isso, mas tinha como modelo o relacionamento de seus pais, acreditava num amor duradouro.  Queria isso para ele.

Sabia que nesse momento representaria a tabua de salvação de Henry, isso seria horrível, ter alguém dependente dele.

Parou o carro estava confuso com seu próprio antagonismo.    Será que amor justamente não era isso, apoiar alguém a quem amava.   Mas claro iria ter sempre a dúvida que a recíproca era verdadeira.   Conhecia muita gente que rompia com uma pessoa, simplesmente a substituía por outra, mas não resolvia seus problemas.

Preferia preservar a amizade que tinha por ele a criar barreiras.   Tinha uma nova oportunidade em sua vida, queria aproveitar.

Quando chegou em casa telefonou para Henry, pediu desculpas de ter saído de fininho, falou tudo o que tinha pensado.   Henry concordou, creio que isso iria acontecer, também prefiro ir devagar.   Estou aqui trabalhando, estou com o livro do garoto na cabeça.  Pode ser interessante como pensou o Bradford, estarmos abertos a coisas novas.

Segunda-feira foram ao orfanato, conversaram com a chefa de todas, bem como a irmã Giovi, afinal era ela o elo deles com tudo.

Vamos trazer um engenheiro ou arquiteto, temos que ver um espaço disponível, para fazer a clínica ou como se chame, vamos contratar um  médico, uma ajudante, além do dentista, assim os garotos ficam cobertos.  Já falei com minha secretária, ela é excelente resolvendo os problemas.

Quanto ao Jesse, Bradford, esta localizando um especialista para examina-lo, a fundação de dirigimos, cuidara dos gastos todos. Ok

Ah se todos que saíram daqui fossem iguais a vocês.   Eles sabiam que isso era um mantra que elas usavam com todos que ajudavam.  Mas dava igual.

Jesse, lhes entregou mais um caderno para passarem para o Bradford, agora ele tinha cores para colocar no desenho, seguia desenvolvendo a história com texto, que completavam o desenho.

Quando chegaram no escritório, Marie, ria, essa historia dos cartazes nos cursos de escritura criativa, tiveram efeito, olha a mesa do centro.   Tem um rapaz te esperando, na sala de reuniões, disse que você o conhece.

Era um dos sobrinhos do Richard, que ele tinha conhecido num encontro na rua.  Se via que estava nervoso.    Lhe apertou a mão, desculpe, mas não me lembro seu nome,  Robert Brakstone, mas todo mundo me conhece por Bob Brak.

Ninguém sabe que estou aqui, mas queria conversar contigo, estou fazendo um curso escondido da minha família, vi o cartaz, quando cheguei aqui para trazer o texto que escrevi, imaginei que você esta fazendo algo teu.   Gostaria de saber se eu poderia trabalhar aqui em alguma coisa, não suporto essa vida vazia que leva minha família.  Estou terminando a faculdade de filologia, fazendo esse curso ao mesmo tempo.   Escrevo desde criança.

No momento, estamos abrindo para tudo, vou te passar para meu braço direito, não diga quem es, se apresente somente com esse nome, Bob Brak, explique que gostarias de trabalhar, não fale nada a respeito de tua família ok.

Fique aqui, já o vou trazer para conversar contigo. Vá até a mesa, busque teu texto, assim mostra para ele.

Voltou com o Bradford, lhe apresentou o rapaz, este estendeu a mão muito tímido, começaram a conversar, ele foi para sua mesa.   Como sempre que mergulhava em alguma coisa, estava ali analisando, tudo que queriam fazer, tinha marcado um encontro com um grupo de representantes de livrarias, queria apresentar as ideias deles, sabia que o melhor que fazia era deixar Bradford expor a questão, desenvolver a ideia, ele era ótimo nisso, ele faria a abertura, passaria para ele desenvolver a ideia.

Viu que ele saia da sala, que o rapaz sorria feliz, lhe abanou a mão, o escutou dizer, amanhã as 9 esteja aqui, aquela mesa pode ser tua.   Era uma mesa ao lado dele.

Veio até a sua mesa, disse, está cru, mas tem uma vantagem, é aberto, conhece literatura profundamente, parece que passou sua vida inteira fechado num quarto lendo.  Vamos ver se o posso doutrinar.  Lhe dei o primeiro caderno do garoto para ele, achou sensacional, inclusive sugeriu como podemos editar.  Gostei da ideia.

Olhe, te mandou outro, disse que já tem o terceiro em execução.   Falaste com o médico?

Me chamou de filho da puta para baixo, lhe expliquei a situação, me disse que o levasse até lá, amanhã, tens o telefone do orfanato, para falar com a irmã, estou literalmente vidrado com a cabeça desse garoto.   Ficou rindo, o mais interessante, que o Médico, é uma pessoa que ficou na minha cabeça, mas naquele momento, não estava preparado, seria como substituir um namorado por outro, preferi guardar distância, devia ter dito isso a ele.                      Saia de um relacionamento daqueles que pensas que a pessoa te quer, mas nada, achava que eu tinha dinheiro, quando descobriu que eu apesar do meu nome era um pobre assalariado, caiu fora.

Veio depois contar que estava tudo combinado, amanhã, deixarei que Marie explique ao Bob, como trabalhar, tem muito texto para ler.   Terei que arrumar mais uma pessoa.

Marie antes de sair, lhe mostrou a mesa, estou fazendo uma coisa, terei que contratar uma pessoa, para fazer isso, receber o texto, criar no computador um número com os dados do autor, todo inerente.

Mas como o Bradford, prefiro uma pessoa sem experiencia a quem eu possa ensinar como quero que trabalhe. Achas que estou certa?

Marie, o departamento é teu, faça como achar melhor, sabe aquele chefe chato que tinha, acho que desapareceu no mapa.

Foi para casa, sabia que Duke tinha estado trabalhando, mas não tinham conversado, ele tinha saído para resolver coisas com o advogado, não tinha voltado.

Em casa tomou um banho, estava lendo um texto de um bom escritor, já tinha editado dois livros dele, esse estava difícil de se concentrar, era daqueles, que as vezes é difícil passar da 10 página, pois o começo é descritivo demais.  Anotou de chama-lo para conhecer a nova editora, falar com ele para revisar isso.   Acreditava que seus livros anteriores era mais interessantes, devia estar com crise de criatividade.  Tinha assinado um contrato com a editora anterior, que o obrigava a ter um livro por ano.   Achava isso uma merda, já tinham conversado a respeito, podia ser que estivessem errado, que o seguinte, outra editora se interessasse antes, mas era um risco a correr, porque normalmente o segundo livro, sempre era uma merda.

Estava anotando uma série de coisas, quando chamaram na porta, era seu fiel escudeiro Duke, não te vi a tarde inteira.

Estive com esse puto advogado, ele quer me forçar a vender a mansão para a família, por um preço baixo, o escutei bem, mas lhe disse na cara, que já estava em mãos de uma imobiliária, pedi as chaves da mansão me disse que estava com a família. Que estavam fazendo um inventario da casa.

Ele não sabia que eu era policial, lhe disse que ia acionar a polícia rapidamente, fui com ela até lá expulsei todo mundo, estavam separando coisas para levar. Fechei a casa, peguei a chave, o que estava comandando a família é um idiota, queria dar dinheiro a polícia para fazer vista gorda.

Mandei lacrar todas as portas, para não levarem nada.

Já comeste alguma coisa?    Eu estou morto de fome, que tal sairmos para jantar, acabo de ler o começo de um livro maçante, um bom escritor, creio que tem problema do famoso segundo livro.  

Pegou uma jaqueta, foram saindo, conversando, o levou a um restaurante que as vezes ia jantar com os amigos.   Estes estavam lá.  Os apresentou ao Duke, contou que no meio da confusão toda tinha encontrado um amigo da infância dele.   Estamos colocando as notícias em dia, outro dia comemos juntos.

Um deles soltou, não é porque agora estas milionário, que vai esquecer dos teus amigos não é.

Respondeu, desculpa, mas sou um milionário que trabalha muito.

Sentaram-se numa mesa ao fundo do restaurante, lhe contou a mania que tinha, com isso, ficaram rindo.

Bom voltando ao assunto que estava falando, temos que pensar no que já conversamos a respeito dos contratos, sei que alguns escritores ficam ansiosos por estes contratos, pois dependem do adiantamento que a editora possa lhe dar, para aguentar mais um ano só escrevendo,   creio que devemos analisar os casos.               Pois a maioria acaba como este, não consegue seguir em frente, pior, as editoras publicam um segundo livro que normalmente é um fracasso.

Ele ia anotando o que ele ia falando, enquanto comiam.   Do grupo de amigos, um deles era o mais próximo a ele, veio se despedir, desculpa o comentário, foi fora de lugar.

Apertou a mão do Duke, ficou olhando para ele, já sei quem eres, uma vez a muito tempo atrás nos conhecemos num cinema.  Estivemos juntos, mas quando me dei conta tinhas desaparecido.

Sim é verdade, não foi um bom momento.

Eu entendo, as vezes acontece comigo o mesmo, esperamos uma coisa, a pessoa vai em outra direção.    Mas se eres amigo do Henry, desde infância, sinal que deves ser uma pessoa boa.

Nos vemos por aí.

Uau, descobrindo o lado escuro do meu amigo Duke.

Na verdade, não aconteceu nada, nos conhecemos no cinema, começamos a comentar o filme, saímos para tomar uma cerveja, quando ele foi ao banheiro eu fui embora, como ele mesmo disse não era o momento, estava chateado com uma série de coisas.

Caramba, as vezes te vejo fechado demais em ti mesmo, nunca colocas para fora teus sentimentos.

Só contigo consigo falar, o que aconteceu, foi que estava estudando direito, conheci um rapaz que não me era estranho, estivemos juntos umas quantas vezes, depois fui descobrir que era namorado de uma sobrinha de minha mãe, mas ele sabia quem eu era.

Me colocou numa situação difícil, pois numa festa na casa dos meus pais, apareceu com ele, quis fazer sexo no meu quarto. Isso lhe excitava.  O mandei a merda.  Ameaçou contar para ela, eu saí na frente, contei tudo a ela, ficou furiosa, explodiu na frente de todo mundo.   Por isso a festa lá em casa não tinha tanta gente, são preconceituosos, imagina um chicano fazendo sexo com outro homem.

Saíram caminhando, falando dos fracassos sentimentais de cada um, como se isso fosse uma maneira de se conhecerem.

Porque não vens viver aqui comigo, tem um quarto, o que era meu, já dormiste nele outro dia, assim evita de ires para tão longe.

Não quero ver você trazer outra pessoa para casa, isso acabaria comigo, não estou preparado para encarar que tens direito a recomeçar a vida com qualquer pessoa.

Acho que me entendeste mal outro dia, realmente queria fazer sexo contigo, não como tabua de salvação, mas por medo de te perder outra vez.

Mas respeito tua decisão, vamos ir devagar ok.  Contou o do Bradford, que ia levar o garoto junto com a irmã Giovi ao médico no dia seguinte.   Precisamos ver como vamos fazer com o ambulatório.

Ah como tenho as chaves inclusive da casa de Los Hamptons, o da imobiliária diz que lá é fácil de vender.   Nunca foste até lá?

Não, porque sabia como eram essas festas, depois meu casamento com ele já estava acabado, não queria ver o pior.

Pode ser que me arrependa, mas não gosto desses lugares assim, em que as pessoas estão fazendo pose o tempo todo.

Duke riu dizendo que uma vez tinha ido com um namorado, a Fire Island, me dei mal, encontrei um conhecido da academia de polícia.   Mas gosto mais dali, tem umas casas fantásticas, eu aproveitei muito a praia.

Eu imagino, ficaste se exibindo para todo mundo, dizia isso rindo, se tivéssemos alguma coisa, eu ia te prender nos pés da cama.

Se despediram como sempre, amanhã nos vemos no escritório.

Subiu pensando nisso, realmente no outro dia, tinha vontade de fazer sexo com ele, mas havia que esperar para não ser só uma noite, disse para si mesmo, foste com pressa com o Richard olha o que aconteceu.

Era uma verdade, tinha sido tudo por instinto, se parasse para pensar, não tinham nada em comum, a não ser o sexo.    Quando o resto foi posto a prova, ele preferiu defender sua vida, do que o relacionamento de sexo.

Eu também tenho culpa do relacionamento não ter dado certo, eu sempre tão metido no meu trabalho, não percebi que ele talvez necessitasse de atenção.   Não vi os indícios que ele estava de novo nas drogas.

Foi olhar a gaveta que ele usava no banheiro, encontrou um plástico com cocaína, jogou rapidamente na privada, além de dois cigarros de Canabis, disse merda, aproveitou tirou tudo da gaveta, colocou numa bolsa, para colocar no lixo.  Encontrou uma caixa no fundo, com um anel, muito masculino.   Olhou dentro, era uma joia de família, a daria ao Bob, assim ele teria uma coisa do tio.  Mas ao colocar a gaveta outra vez para dentro não entrava, a retirou completamente, embaixo tinha mais cocaína, presa com fita adesiva.  Filho da puta, imaginou a polícia entrando na sua casa, examinando isso.         Deu uma olhada na outra gaveta, examinou todo o banheiro, bem como um troço do armário que ele usava.          Quando ele tinha estado a última vez, tinha levado suas coisas dali.  Que lastima pensou, precisar disso para viver, para ter emoções.      Será que tinha feito sexo com ele, com a cabeça cheia de cocaína, as últimas vezes, as vezes era agressivo.   Jogou tudo na privada, deu uma boa descarga, repetiu várias vezes.

Foi para cama, furioso, mas estava cansado, desmaiou afinal.   Não foi uma noite agradável, sim cheia de pesadelos, principalmente se lembrando das últimas vezes que tinha estado juntos, a ânsia que ele tinha de sexo.     Queria sempre mais, ele achava que era porque o amava, agora sabia que era por vicio.   Despertou molhado de suor, tomou um banho, abriu a janela, ficou olhando a noite.  Como fui tão idiota pensou.

No dia seguinte, Bob Brak, apareceu com uma cara de fazer gosto, num primeiro momento hesitou em entrar, desculpe, fiquei sabendo o que aconteceu ontem, meu pai, sempre o primeiro em criar confusões.          Discuti com ele, acabei indo dormir na casa de um colega de faculdade.     Ainda me soltou na cara, que sou um viado como meu tio, louco por um caralho no cu, desculpe, mas nunca me senti tão ofendido com tudo isso.  Vou arrumar um lugar pequeno para morar, não suporto mais a família.   

Vamos te ajudar, olha ontem encontrei esse anel, devia ser de teu tio, porque não ficas com ele, até podes vender, para arrumar o apartamento. Se precisas de dinheiro, posso te adiantar alguma coisa. 

Meu amigo disse que posso ficar uns dias com ele, pois seu companheiro está viajando, mas vou ver se vale muito esse anel, pode ser que o use para isso.

Foi almoçar com Duke, Marie,  Bradford chegou justo quando iam pedir a comida, tinha um sorriso na cara.    Há possibilidades, o meu conhecido vai completar todos os exames, ele ficou no hospital com a irmã Giovi, depois voltarei até lá para lhe levar cadernos, lápis.               Estou literalmente encantado com esse garoto, era o filho que gostaria de ter. 

Não seja por isso, pense em adota-lo.

Tenho medo, de não ser um bom pai, imagina fui um filho da puta a vida inteira, não tenho boas coisas para ensinar a uma criança.

Deixe de besteira homem, soltou Duke, garanto que serias um pai fenomenal.

Quando saíram do restaurante, deram uma corrida até o hospital que não estava longe, Jesse, sorriu de orelha a orelha, estava feliz, ele foi com Duke, além do Bradford falar com o médico, disse que se responsabilizava por todas as despesas.

O médico sorria, ok, mas tenho que agradecer ao garoto, fez certa pessoa que foge no meio da noite, voltar.

Foram trabalhar, Bradford avisou que ia sair mais cedo, para ir em casa, tomar um banho, trocar de roupa para ficar no hospital com o garoto.  Assim a irmã pode descansar também.

Bradford, no dia seguinte confessou que nunca tinha se imaginado fazendo isso, ficar cuidando de alguém, o bom foi que o médico apareceu antes de ir embora, conversamos mais.

Os exames são positivos, fiquei sabendo da historia real dele, é uma lastima.  Nos primeiros meses terá que fazer fisioterapia no hospital, mas pode ficar em minha casa.

Ele ria da cara dele, fale com a irmã que queres adotar, afinal não eres um homem de ir pelas discotecas todas as noites, não te metes em drogas nada no gênero.

Converse com a Marie, ela sempre tem uma cabeça ótima para isso.   Outra coisa  como vai o Bob Brak?

Olha excelente aquisição, entendeu como é o trabalho, me apresentou uma análise de um texto que deixei para ele dar uma olhada, vou te passar?

Falar em texto, comentou do autor, que tinha lido na noite anterior,  creio que está com a síndrome do segundo livro.                    Deixei o mesmo na tua mesa, para dares uma olhada, ok

Pegou o texto que o Bob tinha analisado, foi vendo suas anotações, para um jovem até que tinha uma cabeça madura.   Olhou os dados da pessoa que tinha escrito, era um rapaz de 16 anos,  levou o texto para casa, leu, concordou com todas as anotações do Bob, tinha um bom olho.

No dia seguinte, chamou o Bradford, achei interessante, a partir que é de um rapaz de 16, anos, vamos fazer uma experiencia, manda ele chamar o rapaz,  vamos ver como ele conversa com o mesmo, tu o orientas como tem que ser a coisa.

Como vai o livro do Jesse, dormiste a noite no hospital.  O operam hoje no final do dia, quero estar lá, ok.

Sim eu irei na hora que saia daqui, creio que o Duke também.  No dia anterior não tinham estados juntos. 

Na hora do almoço, Bob veio falar com ele, mandei avaliar o anel, vale uma fortuna, não posso ficar com ele, eles vão descobrir, porque o joalheiro é conhecido da família, se isso chega na rua, vai dar no que falar.

Quer ver uma coisa, me diga aonde é o joalheiro, me dê a caixa do anel, vou lá tento vender, para saber o que ele diz.

Ficas aqui no restaurante, depois volto.  Entrou na joalheria, explicou quem era, meu marido me deu esse anel de presente, mas eu não uso joias, gostaria de vender, queria uma avaliação, bem como vender o mesmo.    Acha que tem algum problema?

Não, sei que o senhor é seu viúvo, portanto natural que esteja em seu poder o mesmo, se ele lhe deu de presente mais ainda.   Consultou, disse o valor, que era muito superior ao que quem tinha avaliado para o rapaz tinha dito.

Podemos fazer duas coisas, eu posso desmontar a peça, lhe compro o diamante que esta nela, que vale, disse um valor superior.

Muito bem, pode me dar um recibo disso,  com o ouro do anel o senhor pode fazer uma cruz?

Simples sem muito exagero ok.   O valor da pedra o senhor deposita na minha conta, lhe deu o número da conta.   Saiu sorrindo do joalheiro, atravessou a rua, sentou-se no restaurante com o Bob, estas rico garoto, lhe estendeu a nota do homem, ele vai depositar na minha conta, assim não te envolve. Comprou a pedra de volta, vai fazer uma cruz com o ouro.  Mas tudo será teu, depois te dou um cheque, tens conta num banco?

Não, antes tinha do meu pai, um cartão de crédito com um limite para gastar, mas ele suspendeu quando sai de casa, como uma maneira de me forçar a voltar.  

Fales com a Marie, no final do mês terão que te depositar dinheiro do teu salário, abra uma conta com esse cheque, mas aprenda a administrar esse dinheiro, pode render bastante, busque um apartamento jeitoso para uma pessoa.    Marie é a pessoa indicada, diga que procuras um apartamento pequeno para viver, ela vai conseguir, sempre consegue tudo.

Por que estás me ajudando assim?

Teu tio, reclamava da família, de como tinha sido criado, mas não fez nada para escapar dela, construir sua vida, talvez nos dois anos que viveu comigo sim, mas fora isso não.  Tudo isso o destruiu, acredito que queres outra vida, pelo menos me disseste isso. 

Bradford me mandou chamar o rapaz do livro que revisei, diz que tenho que conversar com ele, nem sei com vou fazer.  Não se preocupe, li o texto, bem como tuas anotações, esse foi meu serviço durante anos, ainda o faço.  Converse normalmente com ele, faça as sugestões que fizeste nas anotações, tire uma cópia de tudo antes, assim marque um dia com ele, para ir revisando o texto inteiro.   Use a sala de reuniões para isso, avise somente a Marie, dos horários. Ok.

As lagrimas corriam na sua cara, obrigado por acreditar em mim, me ajudar, tentarei me manter o mais escondido possível, da família.   Sei que me procuraram na universidade, mas lá estou de férias.  Não conhecem meu amigo.   Por enquanto estou livre deles.  

Não sentes falta da família?

Não, sempre foram frios comigo, dizem que sou o tonto da família, porque sempre fiquei na minha, odeio as festas que fazem.  Tudo é uma grande falsidade.

Bom um dia escreva sobre isso, quando estiveres bem longe, com uma nova vida, desde outra perspectiva.

Entraram juntos no escritório,  Bradford avisou que o autor do livro estava ali, devolvi o texto a tua mesa, está na sala de reuniões te esperando, quer falar contigo.

Nada disso, venha junto comigo, Bob, venha para aprender.

Falou com o escritor amavelmente, como vão as coisas? As conversas protocolarias. Lhe serviu água pois notou que estava nervoso.  Ainda tens o contrato com a editora antiga?  Pagaram adiantamento por esse livro?

Sim, me pagaram, mas devolvi, pois queria ficar livre da pressão.

Estas com a famosa síndrome do segundo livro, não é verdade.  Vou ser honesto, não consegui passar da 10 primeiras páginas, parece um manual de como descrever uma paisagem.  A ação é monótona.  Sabes que se não cativas o leitor nas dez primeiras páginas, fudeu.   Não vai ler o resto, ainda vai falar mal do livro.

Portanto, acho que devias, com calma, tentar analisar o livro, se quiseres, o Bob é excelente nisso, darei para ele ler o livro.

Mas ele é uma criança, não vai entender do assunto?

Talvez isso seja uma vantagem, tens que pensar que os velhos morrem, não compram livros, um jovem sim.  Acho que tua linguagem, do primeiro para este ficou de uma pessoa amarga, talvez por isso a obrigação de escrever um livro que faça tanto sucesso como o primeiro.

O que achas, queres tentar?

Ele ficou olhando para o Bob, soltou de repente, queres ajudar esse velho ranzinza, que odeia que o critiquem?

Bob deu um sorriso maravilhoso, ninguém gosta de ser criticado, principalmente por uma ideia ou pelo que escreveu, lhe prometo, analisar aonde está o problema, podemos discutir as ideias. Eu tenho um tempo agora, leio as dez primeiras páginas, conforme minhas anotações, em seguida falamos.

Viu que ele lia, rápido, ao mesmo tempo que ia anotando coisas numa folha de papel, não no texto como alguns faziam.

O deixaram falando com o escritor, foram trabalhar, este saiu com um sorriso na cara, esse menino vai longe disse ao Bradford.

A cara do Bob, era melhor, nem acredito que fui capaz de fazer isso, analisar, basicamente cada palavra das dez primeira páginas.

Diz que vai rever tudo, marcara para falar comigo.  Ufa.

Bradford, disse a queima roupa, estas roubando o meu emprego, vou te denunciar ao chefe, se matou de rir, sempre tive vontade de dizer isso,   diga a Marie que teu contrato é definitivo. Mas amanha tens a prova com o rapaz.

Saíram do escritório, foram para o hospital, ali na sala de espera estava Bradford, a irmã Giovi a superiora, tranquilamente rezando o terço.  

Uma hora depois o médico saiu, piscou o olho para o Bradford, disse que a operação tinha saído bem, agora a fisioterapia será importante. Ficara um mês aqui no hospital, depois terá que andar um tempo com um bastão, mas creio que em breve estará correndo.

A superiora, ficou nervosa, não temos dinheiro para pagar o hospital, nem a fisioterapia?

Já esta paga senhora, não se preocupe, quem tem amigos, tem Deus do seu lado.

Mas quem pagou tudo isso?

Segredo de estado, o médico era como o Bradford, tinha humor, realmente se voltassem a se conhecer daria certo.

Deu um cutucão no Bradford,  ele ficou vermelho, a senhora acha que eu posso o adotar?

Claro que sim.

É que sou gay? Tenho medo de que me neguem isso.

Deixa comigo soltou a irmã Giovi. Eu sempre resolvo qualquer problema. 

Posso ir ver o garoto doutor, pediu ele. 

Sim, já que serás o pai, creio que vou ser o tio. Venha comigo.

A preocupação do Bradford era que como ia ficar com o garoto esse tempo, tenho que trabalhar, conversava isso com o Jules o médico, estavam em seu consultório sentados frente a frente.

Primeiro me responda uma pergunta.    Por que fugiste de mim?

Embora sendo só uma noite, gostei de ti, mas vinha de um relacionamento que foi uma merda, me deu medo, sai de fininho, mas nunca te esqueci.  Descobri que tinha que ficar sozinho para resolver o problema.  Me fechei, até hoje, agora já levo uma vida discreta, aonde o trabalho impera, conheço muita gente essa é a verdade, mas amigos só tenho o Henry, Marie, agora o Duke com quem se pode falar de tudo.

Eu tampouco esqueci de ti, fiquei frustrado por teres fugido, quando perguntava por ti, diziam que tinhas desaparecido do mercado.   Uma vez fui até a editora que trabalhavas, estavas furioso com alguma coisa, discutia com um homem.   Com o dedo apontava a porta da rua.

Ele começou a rir, justamente a pessoa que me causou problemas, era um escritor medíocre, acreditou que se eu me apaixonasse por ele, arriscaria publicar seu livro, quando eu disse que lhe faltava muito, aprontou um escândalo, ameaçando contar a todo mundo que eu era Gay, tive que rir, pois todo mundo sabia.   Não tenho família com que me preocupar quanto a isso.

Tai, talvez seja a solução, minha mãe veio viver comigo, agora que ficou viúva, lhe falta ocupação, vou traze-la para conhecer o Jesse, pode ser que gostem um do outro.   Mas só farei isso se me das um beijo.  Quando viram estavam no chão do consultório.

Ficaram rindo, não tem jeito, não é?

Sim melhor parar de fugir.

A entrevista do Bob com o rapaz foi excelente, ao fundo da grande mesa se sentaram Henry com Bradford, na outra ponta estavam os dois jovens conversando,   Bob, foi mostrando os pontos aonde o livro fugia pelas ramas.   Quando tocou num assunto do terceiro capítulo, viu que o rapaz ficava tenso.    Aqui falas de amor não correspondido do personagem, mas nos capítulos anteriores ele não fala de romance com ninguém.  Creio que aqui falavas de ti mesmo, não podes confundir o personagem contigo.

A cara do outro era ótima, não pensei que as pessoas fossem descobrir isso, talvez tenha usado nesse momento minha frustação para falar disso.  Se queres manter isso, tens que no capítulo anterior falar dessa paixão por alguém.   Veja, somos jovens, creio que passaremos por muitas  desilusões amorosas, principalmente por não termos prática no assunto.  Tens duas opções ou mudas o capítulo, ou inventas algo no capítulo posterior, no seguinte, tampouco mencionas essa ruptura.  Creio que deverias pensar nesse capítulo do livro.   Podemos encontrar a solução juntos, o que te parece,  disponho de uma hora, para começarmos.  Ficaram se olhando, o rapaz soltou, mãos à obra.

Henry e Bradford, saíram de fininho, para trabalharem em outras coisas.

Duke veio falar com ele, disse que já tinha a casa de Los Hamptons vendida, o problema era a mansão.  Um grupo imobiliário queria comprar, para demolir, construir um prédio. Mandei verificarem com a prefeitura se podiam fazer isso. 

Mande uma pessoa verificar tudo que tem de valor naquela casa, mande vender.

Não se preocupe, já fiz isso.  Ali, quase tudo é cópia de alguma coisa, como se o importante fosse gastar dinheiro.

Meus pais te convidaram para almoçar no sábado em casa, tens algum compromisso?

Nenhum, gostaria de ir, pois me senti muito bem lá, de uma certa maneira te invejo, ter alguém que se preocupe por ti.

Eles estão com muita idade, por isso nunca os deixo sozinhos.

A mim me deixaste sozinho todos esses dias?

Tinha que me afastar um pouco para analisar meus sentimentos, perto de ti, fico confuso, quero fazer muita coisa ao mesmo tempo.

Estás feliz aqui trabalhando?

Sim, muito, tenho que resolver se continuo, para pedir primeiro uma licença sem remuneração da polícia, depois a demissão.

Acho bem, tens uma cabeça privilegiada.   Mas não te afaste muito, eu tenho pensado como tu no nosso relacionamento.   Quero experimentar.

Me pegas de surpresa, ia dizer a mesma coisa.

Nessa noite ficaram conversando, até tarde, quando viram estavam na cama, nus, se sentiam bem assim. Mas não fizeram sexo.

Em breve teriam três livros para lançar, fizeram então uma reunião, com as principais livrarias, distribuidores, os convidaram para um coquetel,  primeiro falou Henry, que passou a palavra para Bradford, esse foi explicando o conceito que queriam desenvolver,  que era arriscado, uma nova linguagem para atrair os jovens.  Mostrou um vídeo do Jesse, trabalhando seu livro, um jovem de pouca idade, mas com um conceito próprio para contar uma história.

Depois o velho, conversando com o Bob, procurando uma nova linguagem, para seu livro, atualizar em um contexto novo, a sociedade muda muito rapidamente.  O terceiro de novo o Bob, conversando com o rapaz, montando o final do livro.

Como vêm de simples leitor, esse rapaz jovem passou a editor, tem um conceito muito próprio do trabalho, uma nova safra vem por aí, como se fosse uma onda nova, temos que subir na nossa velha prancha de surf para segui-los.

Iam sendo colocados na frente de cada um embrulho com os três livros, tudo tinha sido muito bem pensado, desde a capa, tipo de letra, um conceito novo.

Os preços, estava apertados, pois Duke, tinha negociado com os impressores ao máximo.

Numa mesa, Marie, tomava  junto com Duke, nota dos pedidos, os distribuidores, queriam levar para o resto do pais a ideia.      Podemos trabalhar em cima dos vídeos para enviar uma amostra para as principais livrarias.  Todos pareciam gostar da ideia dos vídeos.

Finalmente saiam com lucros do investimento.

Já estavam trabalhando os outros textos, Bob apareceu com um na mão na reunião que tiveram, essa escritora, é justamente a professora com quem fiz o curso.  Antes fui verificar quem era, ela editou um livro a muitos anos atrás, depois sumiu do mapa.

Esse agora é interessante, mas algo me perturba, é como se já tivesse visto algo parecido.

Me lembro do livro dela, eu me recusei a publica-lo por ser muito complicado à primeira vista, tive que ler pelo menos duas vezes para entender.   Quem acabou publicando foi outra editora.

Posso tomar informações a respeito.  Tire uma cópia para mim do texto lhe pediu Henry.

Nessa noite sentou-se para ler, ele tinha uma memória prodígio para isso, leu uma passagem, veio na cabeça de quem era o texto.  Ela na verdade citava vários grandes autores, embora não disse de quem era o original, usava essas citações para contar uma história.

Não sabia se isso era valido,  teria que consultar o Duke.    Por ele, teriam uma anotação dizendo de quem era a frase original.

Quem a chamou foi ele, pois se tinha sido professora do Bob, isso seria complicado.

Conversaram sobre isso, imediatamente se colocou em defesa, mas ele estava ali com todos os livros citados em volta.   Talvez ao ler esses livros, essas frases ficaram na tua cabeça, isso é normal, mas se escreves a partir disso tua historia há que mencionar o fato, dizer quem é o dono da frase.

Isso não quero, pois os leitores podem entender que o resto do texto é uma cópia de uma das ideias.

Consultei nosso advogado, disse que isso pode virar um grande problema, pois a editoras donas desses textos podem reclamar.   Como está não podemos editar.

Ela se levantou, pegou o texto, foi embora.

No dia seguinte, Bob, veio lhe contar logo de manhã que tinha entrevistado um dos alunos, com um texto brilhante, que ela tinha dito em aula, que essa editorar não era boa.

Conversei com o rapaz a respeito do que aconteceu, disse que não mencionou nada.

O livro dele é interessante, mas do meio para o final, fica morno, falei com ele a respeito, disse que queria outra opinião, está na sala de reuniões, podes falar com ele.

Entrou, era um homem de uns trinta anos.  Olá, se apresentou, qual o problema?

Não quero que um rapaz de vinte e picos anos, análise meu livro, não foi escrito para jovens, quero atingir a faixa etária de  homens da minha idade.

Muito bem, pedirei ao Bradford que leia, ele te dirá alguma coisa a respeito.

Mas creio que erras, pois isso de escrever só para uma faixa etária, perde-se porque escrevemos para que os livros sejam sempre atuais, porque todas faixas etárias evoluem, os da minha idade a uma década atrás, pensavam de outra maneira, os que vem atrás, já vem com os problemas resolvidos.   Então estas escrevendo um livro efêmero, só servira para esta geração, para as próximas não servira.

Quanto ao Bob, ele acaba de editar um livro de um escritor, que já escreveu um livro de sucesso, mas reconheceu que sua linguagem não evoluiu, o jovem Bob como tu dizes, conseguiu que ele entendesse, atualizando sua linguagem num conceito mais amplo.

Acho que estas fechando uma porta antes de mais nada.  Gostaria que pensasse, de qualquer maneira passarei o livro para o Bradford, em seguida ele passara a mim, nos reuniremos os três para ver a que conclusão chegamos.

Se despediu cordialmente do homem.

Comentou com o Bob, acho esse homem um pouco tonto.            Fizeste aulas com ele na mesma turma?

Não, ele era de uma anterior a minha, mas vai sempre para assistir os debates.          Diz que não entendemos seu conceito.   O livro fala mais de conceitos de choques de gerações, isso sempre existiu, porque  como você disse, cada geração nova, já trás uma parte mastigada, é logico que considere a anterior ultrapassada.                           Não entende que o mundo muda cada vez mais rapidamente, que os conceitos também, se não estamos abertos, fica difícil.

Gostava de ver a maturidade do Bob, como ele funcionava, sua linha de pensamento.        Estava contente com ele.

Como vai no teu novo apartamento perguntou?

Uau, super bem, é como estar no paraíso, tem um parque em frente, sem muito ruído, é pequeno, mas me basta.

Fico contente contigo.

Ah, Marie me ensinou como administrar meu dinheiro, lá em casa ninguém pensa nisso, simplesmente gasta dinheiro, pois as empresas da família continuam gerando dinheiro.

Assim fica fácil, verdade?

Sim, mas para quem ficou confinado toda a vida, num quarto, para não participar, é duro, eu com uns 12 anos, tomei consciência que não queria ser como eles, ir pela vida como iam, as reuniões de família era um suplício,  creio que tio Richard se rebelou da maneira errada, tinha tudo para dar certo, mas deixou que as drogas governassem sua vida.  Olha como está o irmão, nem pode ser julgado, pois continua internado.   Não pense que os outros tem pena, pois como não pode gastar dinheiro, gastam eles.

Meu irmão mais velho, está indo pelo mesmo caminho, tentei falar com ele, é um tipo brilhante, mas largou a universidade, porque não gosta que o critiquem, como se ele fosse o dono da verdade.  Deixou tudo, esta a meses na Europa, frequentando festas.  Com certeza com muitas drogas.

De noite conversou com o Duke sobre isso, se para analisar, ficam dois contextos diferentes, um autor que só quer atingir uma faixa etária que acho que nem ele mesmo entende, do outro lado uma família disfuncional que acha que pode tudo.   Esse menino Bob, conseguiu escapar, mas como ele diz, Richard, tentou, mas se escorou no mais fácil.

É verdade Henry, os jovens que entram na droga, tem duas pontas, os pobres, que a vendem e consume vão presos, mas os ricos se livram facilmente.  Como existem mais pobres que ricos, o papel que representam os pobres sempre se multiplica.  Se um vai preso, logo tem outro para substitui-lo, é a máquina não para.

Agora namoravam todas as noites, existia paixão, mas também companheirismo, conversavam trocavam ideia, não era só sexo.

Um dia conversando com Bradford, via que este estava mais relaxado, dormia quase todas as noites no hospital com Jesse.  Comentou da recuperação.  Com Jules a coisa vai bem, durante o dia sua mãe fica com o Jesse, que considera como seu neto, outro dia ele soltou, para quem não tinha família, agora tinha uma completa.

Está escrevendo outra história, falando de sua própria recuperação, agora os desenhos são mais coloridos, diz que quer estudar belas artes mais tarde.

Como vai a adoção?

Complicada, pois sabemos que os pais verdadeiros existem, mas aonde não se sabe, primeiro porque Jesse não é seu nome verdadeiro, esse quem colocou foi a irmã Giovi, pois ele simplesmente estava jogado na porta do orfanato.   Inclusive pensaram que estava morto.

Ele era muito pequeno para se lembrar de alguma coisa, além é claro do trauma.

Mas por enquanto tenho a guarda dele.

As obras do ambulatório do Orfanato estão quase no final, falei com Jules, para conseguirmos um médico, ele se ofereceu para abrir mão de seu trabalho no hospital uma vez por semana, mas acredita que vai conseguir um que possa cuidar das crianças.

Estivemos olhando com o Duke, vamos começar a entrevistar pessoas.  Jules está participando nisso.

Indicou um médico especialista em administrar financeiramente um local, embora só se vai ter gastos, esses precisam ser administrado. Em breve as coisas estarão no seu devido lugar.

Vocês dois deviam pensar nisso, em ter uma família.

Nenhum dos dois disse nada, a respeito.

Ele leu o livro do sujeito, não gostou, era muito retórico, disse ao Bob que desistisse, esse é daqueles livros que ficam para os saldos, as pessoas compram, pelas primeiras dez páginas, depois se cansam da repetição.

Bradford foi da mesma opinião, se queres falamos como da outra vez os três com ele.  

Mas nunca mais voltou.  Tinham agora mais cinco livros para lançar.  A editora ia para frente, já tinham recolhido basicamente o investimento.

O verão estava no seu pico, foram passar um final de semana na casa de praia de Jules em Fire Island, com sua mãe incluída, ela conhecia todo mundo, na praia vinham todos falar com ela.

Foram olhar uma casa ao lado da dele, gostaram demais, estava a venda.  Teus pais não gostariam de vir?

Duke respondeu que achava que nunca tinham ido à praia.  Pediram para experimentar a casa, ele trouxe seus pais, se deram logo bem com a mãe de Jules, apesar da diferença social, era como velhos conhecidos, se sentavam na praia com o Jesse, que entrava na agua acompanhado do Bradford ou do Jules.   A mãe deste estava feliz, imagina, sempre me preocupou que meu filho ficasse velho sem companhia, mas esses dois conseguiram formar inclusive uma família, o que me deixa tranquila.

A mãe do Duke disse que poderia ficar vivendo naquela casa, era um sonho, talvez no inverno fosse mais frio, Henry comentou que as vezes nevava na praia, mas a casa tinha um sistema bom de calor, pois os antigos proprietários viviam ali o ano inteiro.

Acabaram comprando a casa, Duke estava feliz, disse um dia ao Henry, tenho medo de que essa felicidade acabe.  Não vejo por que, estamos bem um com o outro, isso é que importa.

Era uma verdade, iam agora aos finais de semana a casa de praia, os pais o recebiam felizes, conversavam, tomavam banhos de mar.  Melhor era impossível.

A editora ia bem, estavam trabalhando seriamente.   Ele criou uma fundação com o dinheiro todo do Richard, com seu nome, ia ajudando a quem precisava.  A Família nunca mais o procurou, mas apesar do nome da fundação, faziam tudo sem publicidade.

Bob um dia veio rindo contar, como tinha saído na televisão junto com um autor novo, falando de livros, de linguagem, que seu irmão mais velho o tinha contatado.

Estava tentando refazer sua vida mais uma vez.   O aconselhei a voltar a universidade, terminar o que tinha começado, levar a vida a sério, deixar as drogas, se ele não queria acabar como o Richard.

Me perguntou como eu podia viver sem o dinheiro do Fideicomisso, lhe disse, que por isso trabalhava, que isso tinha me salvado.   Mas não creio que ele se esforce muito para isso, queria ir a minha casa, mas marquei com ele num restaurante, chegou bêbado.  Simplesmente me levantei, fui embora, não disse nenhuma palavra.  Quando começou depois a se desculpar, disse que esse era o problema, a palavra desculpas normalmente é fácil de dizer, mas difícil de se acreditar, quando parece vazia.

Não disse nenhuma coisa a respeito de meus pais. Tampouco perguntei.

Tinham contratado um novo leitor, mas durou pouco, disse que era uma enxurrada de livros para ler.  Em seguida apareceu uma jovem, filha de japoneses, essa deu certo, se encaixou rapidamente no trabalho.

Definitivamente Bob era o mais jovem editor da empresa.

Se consolidaram, como uma editora de novos escritores, novas ideias, funcionava, bem como a fundação, conseguiam ajudar as pessoas, a clínica do orfanato funcionava, montaram uma outra num orfanato feminino.   La aconteceu o inevitável,  Duke se apaixonou por uma menina que estava lá, os dois acabaram adotando a mesma.  Passava claro a maior parte do tempo com os avós que babavam em cima da garota.

Viveram felizes comeram perdizes, isso não existe, mas aprenderam a contornar os problemas do dia a dia.

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