RAÇA VIII

RAÇA VIII

Quando chegaram ao centro e pararam no edifício do Carlos, ele desceu porque o seu Zico ia até sua casa para buscar mais roupas, e ele depois iria de taxi para o Leblon, enquanto Carlos iria tratar de seu passaporte. Laura e Fernando tinha seguido direto para sua casa para verificar se o deles estava em dia, e marcar para tomar vacina. Isso tudo já não era com ele, cada um que providencia-se suas coisas.
Carlos já no elevador foi dizendo que ele não reparasse pois a casa era modesta. Realmente era um apartamento pequeno, com uma sala, dois quartos e demais dependências. Enquanto ele separava roupa, ele ficou na sala olhando os livros do Carlos. Se sentiu feliz porque ele tinha todos seus livros. Ao tirar um viu que tinha o preço em reais. Que caro eram, evidentemente eram importados.
Viu que tinha anotações nas laterais, mas não quis ler. Tornou a colocar tudo no lugar.
Quando saiu do quarto e o viu olhando os livros, Carlos ensinou os seus, com orgulho, dizendo tenho todos que chegaram ao Brasil.
Li todos, e fiz anotações de coisas que gostaria de falar contigo.
Já teremos tempo para isso.
Agora vou para o Jardim de Alah, trocarei de roupa e irei a livraria, me encontras lá depois.
Em casa colocou uma roupa mais fresca, pois estava fazendo calor. Uma camiseta e calças jeans negras. Caso tivessem que tirar uma foto, levava na mão um casaco de linho.
Qual sua surpresa quando chegou e encontrou o filho da Mirthes na livraria. Este comentou que tinha ligado para o hotel, e lhe tinha dito que não estavas mais lá. Como tinha encomendado um livro para dar de presente, a senhora da livraria, lhe avisou que estaria por lá.
Queria se dirigir a ele pelo nome, mas não se lembrava. Este percebeu e riu dizendo, sempre discutimos entre os primos, que não sabes o nome de nenhum.
E uma verdade, me lembro mais de ti, pelo dia que passamos visitando galerias de artes e museus em Paris.
Eu sou o Pedro, e se virou e apresentou um rapaz que estava com ele, este é o Lalo, é jornalista da maior revista do brasil, que é de São Paulo, e ele é o correspondente aqui no Rio. É o meu namorado, creio que isto não te vai escandalizar.
Absolutamente. Mas agora estas nas minhas mãos pois ou fazes tudo que eu quero ou conto para tuas tias. Riram muito enquanto o outro ficava sério. Não entendi.
Claro ele sabe que mal falo com as minhas irmãs que de uma certa maneira me detestam. São filhas do primeiro casamento da minha mãe, e eu sou o filho bastardo.
Uma larga historia, deixa para lá.
Vamos ao que interessa, eu tenho aqui marcado uma entrevista com um jornalista, depois me vou embora. Se ele concordar dou entrevista aos dois, sei que são de meios diferentes.
Nisso chegou ao outro e saudou o Lalo como velho amigo. Ele lhe explicou o problema. Marquei contigo, se for o caso marco depois com o Lalo.
Creio que teremos enfoques distintos, se afastaram os dois para conversarem, e ele começou a escrever nos livros, pois estavam cada um com um nome a quem dedicar.
Sentou-se depois com os três, numa sala reservada, e disse, eu preferia, que vocês me perguntasse, e depois vou falando criando uma linha, o que vocês escrevem depois e por conta vossa.
Que diferença, alguns inclusive nos fazem mandar antes as perguntas e tem tudo na ponta da língua.
Começou falando do tempo que estava fora do Brasil, das viagens a Africa, primeiro a passeio e o momento em que sua cabeça de sociólogo começou a questionar e fazer perguntas, e ele teve que voltar para satisfazer essa curiosidade.
Claro que estando de passeio, minha cabeça estava preparada para observar e analisar tudo, e não consigo me livrar disso, defeito profissional.

Consigo sim estar relaxado. Seguiu falando sobre a descoberta que tinha feito, sobre os retornados, ou ex-escravos libertos, que voltaram para a Africa e começaram a fazer o mesmo trafico que se viram expostos. A demora que isso entrasse na sua cabeça, as horas e horas de conversa com um professor da Universidade que acabou virando seu amigo que lhe contou tudo.
Evidentemente que o homem, esta sempre predisposto a explorar seu contemporâneo, vemos isso nas famílias, no trabalho, no exercito, enfim, em tudo o que se refere ao ser humano. Essa tendência a dominar e achar que o dominante e o elo mais fraco e tem que estar sujeito a essa dominação.
Nisso entrou o Carlos, e ele o apresentou a todos, como seu irmão.
A boca do Pedro, era ótima, não conseguia fechar. Vês se tu tens os teus segredos, eu também tenho os meus.
Mas foi esse senhor, que deixou as tias completamente nervosas, quando falou na Bisa.
Disse sem se preocupar com os dois jornalistas, Pedro, sabes quem era a Bisa.
Para mim, sempre foi uma mulher que veio da fazenda, e ficou na casa até morrer, isso diz minha mãe.
Não é verdade, ela era a minha bisavô, ou tua tataravô.
A boca dele não se fechava, como se tivesse um ovo dentro.
Depois de vários minutos, finalmente, começou a dizer a por isso elas são tão agressivas. Tem medo que descubram que são descendentes de uma mulher negra. Mas cá entre nós a Bisa era uma mulher super inteligente.
Eu tive uma surpresa, pois recebi várias coisas dela, e agora estou descobrindo quem eu sou. Tinha uma caixa guardada dela, com ordem se so abrir depois da sua morte.
Agora imagino que eu tenho uma parte negra também, e todas as tias mais do que eu.
Um dos jornalistas foi ao questão. Então os dois são irmãos.
Sim do mesmo pais e mães diferentes. O conheço a anos, sem saber que era meu irmão.
Tudo isso aconteceu agora. E com o material que a Bisa nos deixou vamos pesquisar para saber de onde na Africa veio sua família.
Eu e meu irmão retornamos a França, e de lá seguiremos para a Africa, para fazer exatamente o caminho ao contrario.
Então ele é meu tio também. Pode ser se o quiseres chamar de Tio.
Mas ele não é teu tio. Mas é uma pessoa fabulosa.
Isso vai dar uma confusão na família, que nem quero ver, disse o Pedro.
Porque perguntou o jornalista.
Porque minhas tias não assumem jamais que descendem de negros, e vão ficar furiosas..
Como vês, estamos sempre todos querendo ocultar nosso passado, mas, mais dias menos dias ele ressurge de uma maneira ou outra.
Sociologicamente, antigamente sabias de aonde vinhas, a ascendência da sua família, e se cultivava e respeitava. Mas num pais de emigrantes, que possivelmente emigraram por problemas seus ou de força maior, tudo o que se quer é esquecer o que ficou para trás. E ficamos com um passado manco de uma perna. Não sei se realmente é salutar, ficar sempre com medo que descubram alguma coisa do seu passado.
E claro o meu próximo livro vai se tratar justamente disso. Como nosso antepassado veio parar aqui. Pelo visto ela era da Etiópia, e
por algum motivo saiu de lá e veio parar aqui no Brasil.
Depois as misturas, por exemplo nosso bisavô, sabemos agora que era descendente de Holandeses, portanto branco. Olhos claros, etc, no meu caso e do Carlos, nosso pai era francês. Tudo isso tem a ver com miscigenação de raças e que vai desembocar no povo brasileiro.
Mais alguma pergunta…. disse aos dois jornalistas.
O namorado do Pedro, foi quem fez a pergunta. E o senhor como se sente com tudo isso.
A primeira vista normal, pois foi a Bisa quem me criou, ou seja ela foi a primeira pessoa a quem amei. Depois com os anos, foi ela quem exigiu que eu estudasse, e quando me fui embora, me disse, aqui não é lugar para ti. Quando terminei meu doutorado, foi minha mãe quem me fez desistir de voltar. Tinha convite para trabalhar lá, e me disse claramente que eu não herdaria nada, e que acabaria infeliz, me tornando um funcionário publico, sem perspectiva de vida cultural. Sem querer tomaram a decisão por mim. No caso agora, me dá igual a cor da minha pele, tenho um irmão que apesar de conhecermos a pouco tempo, temos muito em comum, queremos apreender com a vida, queremos um futuro, mas queremos saber também do passado, sem sentir vergonha de dizer, descendemos de uma mulher negra que veio da Africa.
E depois de todas as minhas viagens, sou honesto de dizer, que me sentia em casa por lá. Sem problemas de compartir a vida com eles.
Me chamavam de preto branco. Ou seja dever haver algo que nos confirmem o que somos. Creio que nada disso importa na vida quando segues em frente e trabalhas no que queres, ama as pessoas pelo o que elas são, não pela cor da sua pele.
E uma das perguntas que já encontrei nos escritos da Bisa, ela não entendia por exemplo os portugueses, com seu preconceito, pois também eram uma miscigenação, pois são uma mistura de romanos, povos insulares, árabes, e mesmo negros, visto que entre os árabes, já havia negros também. Raça pura não existe.
Os jornalista riam, o namorado do Pedro, Clovis era seu nome, disse que era uma mistura de italianos, espanhóis, caboclos, enfim.
O outro disse que pelo que ele sabia, também tinha mistura na sua família, ou seja eu diria que somos universais.
Podemos colocar isso na entrevista. Pedro olhou para o Olégario, esperando o que ele ia dizer, e riu quando este disse, sem nenhum problema, eu tenho orgulho saber que descendo da Bisa.
Pedro depois perguntou aonde estava hospedado. Ele só respondeu que estava na casa dele. O outro olhou intrigado, mas não foi além.
Pediu se podia fazer contacto com ele. Claro, anote o celular do Carlos, pois eu não tenho..
Nisso chamaram pelo celular e era a Laura, para saber se já tinham terminado. Tinha marcado hora no dia seguinte para os três tomarem vacina. Ela e Fernando tinham passaporte Frances, e o trocariam em Paris, bem como tirariam visto lá.
Ok, Podemos nos ver para jantar.
A cara do Pedro era interessante, como de curiosidade. Isso herdaste das tuas tias, querer saber tudo o que acontece……
Nada disso meu rapaz, teu segredo esta em minhas mãos. E se abraçaram rindo. Em breve, saberás, pois só o escândalo que vai fazer tua tia Marisa, ao ler as entrevistas, e melhor que desapareças, se ela souber que trouxeste um reporte para me entrevistar e sem querer es o culpado de pelo menos uma das entrevistas.
Minha mãe e meu pai, sempre arrumam desculpas por estarem na Barra da Tijuca e não saberem de nada, e ele já nem aparece por lá, pois diz que para aguentar loucuras, lê o jornal com as noticias do pais e do mundo tem o suficiente, porque a Marisa é louca de atar. Quem se diverte são as crianças, pois a acham louca. O pobre filho dela, e que se escapa por qualquer coisa. Ela arruinou o casamento dele, e nos dias que o neto esta lá parece uma galinha em cima do coitado.
Enfim, nada é perfeito. Cuide da tua vida, porque a opção e tua, e o que elas pensem não deve interferir na tua vida.
Se despediram e Olégario, aproveitou para separar uma série de livros que lhe interessavam. Queria livros de escritores, descendentes de negros, e que escrevessem sobre isso, foi atendendo a orientação do Carlos, e se fez com alguns livros.
Saíram e foram caminhando em direção a casa da Laura, iam comer por lá e depois iriam para casa.
Mais tarde no Leblon, sentados na sala, conversando sobre o dia, o Carlos mencionou as entrevistas.
Falaste aquilo tudo da Bisa, de propósito, ou por casualidade.
Não sei, creio mais para indicar ao Pedro um caminho. O vejo perdido, entre todas essas coisas.
Imagina se a Marisa descobre que ele é gay, vai cair de pau em cima da mãe dele. Deve até acusa-la de ter pervertido a raça etc.
Me lembro do marido dela, que foi um casamento mais de conveniências, era muito mais velho do que ela, mas totalmente dominado por ela. Numa comida ou reunião, não se escutava nenhum som desse homem. Dizem que morreu dormindo, a Bisa dizia que tinha sido envenenado pela bilis da Marisa.
O coitado na verdade começou a cortejar foi a minha mãe, mas esta não estava mais interessada. E a Marisa, quando viu que ele era rico, sem descendentes, atacou imediatamente.
Primeiro que não era a mais bonita das 4 irmãs, e as outras já estavam noivas e ela não tinha nenhum interessado nela.
Ela sempre viveu da inveja, de querer mandar em todo mundo. A única que ela tinha medo era da minha mãe e da Bisa.
Fico imaginando os últimos anos da Bisa com ela, eu na verdade sinto um pouco de culpa, pois se soubesse o que ela era. Deveria a ter levado comigo. Não sei para aonde. O que eu acho estranho, que ela nunca respondesse minhas cartas. Pois agora sei que sabia ler e escrever muito bem.
As poucas vezes que vim, passava mais tempo com ela que com o resto da família. Comentou o que tinha acontecido no dia da reunião com a Mirthes. Na verdade a única, que nunca me chamou de bastardo, nem criou problemas para mim. As outras três fazem tudo o que faz a Marisa, e procuram imita-la em tudo.
Foram dormir, e no dia seguinte, enquanto eles foram tomar vacina, procurou um lugar para se comunicar pela internet, com Paris.
Mandou email a sua secretária. Pedindo que conseguisse o apartamento ao lado do seu, que era de um ex-companheiro, que já tinha se aposentado a tempo. Ele mantinha o apto, para algum final de semana ou pela temporada de inverno.
Avisou que na próxima semana estaria de volta.
Depois foi providenciar passagens para todos, claro não podia ir de primeira classe, mas sim de executiva. Conseguiu ótimos preços para todos, trocou a sua também, porque não fazia sentido ele ir de primeira classe e os outros na executiva. Deviam todos se comportar sem privilégios. Se lembrou das primeiras viagens que fez com outros professores, que tinham mais status que ele, e viajavam de primeira, enquanto ele ia na turística.
Almoçaram todos juntos e nesse momento o Pedro chamou o Carlos querendo falar com o Olégario. Queria avisar que a reportagem sairia nesse final de semana. Ele estaria indo para S.Paulo. Assim não estaria no Rio, quando a família lesse as reportagens.
Comentou com a Laura a respeito da reportagem e ela riu, arrumaste cabeça de negro em prego.
E o Fernando, não vai subir conosco!
Sim, foi ao Jardim botânico atrás de umas sementes para levar para lá.
Não sabes o quanto ele esta feliz com tudo isso. Meu marido era contra ele estudar o que queria, dizia que ele nunca iria viver numa fazenda, e que ele desde logo não pretendia comprar uma para realizar o sonho de ninguém. Mal sabia ele, que seria o seu filho que iria atrás de uma.
Além de que esta cheio de ilusão com a possibilidade de conhecer o teu amigo. Ele inclusive tem um livro sobre as pesquisas dele.
Bom também os dias em Paris serão relativamente curtos, pois temos coisas cada um para fazer.
Vou te apresentar muita gente, descendentes de africanos, que conheço por lá, para que possas ter uma ideia de como deves trabalhar o teu livro.
Caramba, obrigado Olégario.
Mais tarde o Zico veio busca-los e subiram todos para a fazenda.
Mal desceu do carro o Olégario abriu os braços, como que recebendo a energia que sentia ali.
O tempo voou, e no sábado, pediu ao Zico para ir a cidade comprar o jornal e a revista. Tinha curiosidade para saber como tinha saído a entrevista. Pediu que comprasse dois exemplares de cada um.
Este nem tinha voltado e já estava o Pedro ligando para saber o que tinha achado. Espera, ainda não li, te chamo depois a este número.
Viu que ele queria perguntar aonde estava, mas não se atrevia.
Quando o Zico chegou, todos se sentaram no escritório para ler.
O jornalista do canal de televisão, foi contundente, dizia que agora entendia o livro sobre o qual versava a entrevista. O escritor tinha descoberto depois do livro escrito, que ele, como milhões de brasileiros, era descendente de escravos. Os mesmo escravos que tinham ajudado a criar e construir o pais.
O livro creia ele que estaria sujeito agora a uma nova visão a respeito. Explicava que o mesmo era uma pessoa sem prejuízo com respeito a isso. E que Bisa, a senhora que o tinha criado, na verdade era sua bisavô. Falava do amor que ele dedicava a mesma.
E agora partia, para buscar a trajetória da mulher que tinha vindo da Africa e tinha chegado até ele.
Falava da descoberta do irmão, também sociólogo, e do encontro dos dois, e os planos que tinham pela frente.
O da revista abordava o livro, pois o tinha lido a consciência, e a partir dele escrevia a reportagem. Comentava sobre o que ele tinha falado, sobre quando se vai a Africa, ha necessidade de se despojar dos preconceitos, e estar abertos para encontrar os nossos próprios primórdios. Que hoje no seio de muitas famílias da classe media brasileira, a preocupação em esconder sua procedência e o real motivo de sua partida para terras estrangeiras.
Quantas famílias, tinham guardadas no fundo do armários, esqueletos de seus antepassados, que queriam esquecer a qualquer custo. Comentava que não sabia se tinha acontecido no Brasil, mas se referia a Ilha de Ellis, em Nova York, que foi a entrada de emigrantes nos Estados Unidos, e que os funcionários, as vezes não sabiam escrever os nomes e sobrenomes dos emigrantes, e estes aproveitavam para trocar literalmente de nomes, assim facilitando esquecer do que tinham fugido e construir uma nova vida, sem passado.
Como a primeira grande emigração do Brasil, fora a Portuguesa, não acreditava que tinha acontecido, pois os primeiros na verdade eram prisioneiros que ganhavam somente a liberdade no Brasil, e vinha registrados desde lá. Acreditava que a maioria tinha trocado de nome, mas não havia registros sobre isso. A seguinte grande emigração, foram as dos escravos africanos, que acabavam recebendo o sobrenome do patrão. O mesmo tinha acontecido com os judeus, que por causa da inquisição, se viram obrigados a trocar de sobrenomes.
Citava que o escritor inclusive acreditava que sua tataravô que tinha sido escrava, era da Ethiopia, uma coisa não muito comum entre os escravos no Brasil, e que podia ter sido Falasha, ou judeu Etíope, que nos dias de hoje emigraram para Israel. Mas que na época tinham sido perseguidos pelos novos cristãos, o que poderia ter auspiciado a escravidão.
E que este iria a Africa para fazer o caminho ao contrario, para encontrar suas raízes. Não tocava no nome do Carlos. Creio que entendeu que tu não tens nada a ver com isso.
E se oferecia para ir junto, nessa cruzada que gostaria de registrar.
Realmente o rapaz era um bom jornalista, alias os dois são bons, mas este foi mais realista.
O do Rio, ligou para o celular do Carlos, pois tinha ficado com o numero dele, para caso precisar falar com o Olégario.
Avise ao Olégario, que já recebi uma chamada da irmã dele, dizendo que vai me processar por ter escrito tanta sandices, que a família dela é branca, católica e apostólica romana.
Todos ficaram rindo disto.
Quando em seguida falou com o Pedro, este disse que ela estava histérica, pois tinha chamado as irmãs,para uma reunião, queria processar esse bastardo, que queria acabar com a vida delas na sociedade.
Não me pergunte como, mas minha mãe me perguntou o que eu pensava. Eu só lhe respondi, porque ela achava que eu era o mais moreno da família, embora a desculpa de todos e que tinha essa cor de pele por viver na Barra da Tijuca, e estar sempre na praia.
Ela sabe que nunca vou a praia.
Ai me respondeu que não ia participar dessa loucura da irmã. Que já estava farta de tanta merda, que o teu tio Olégario nunca fez nada de mal. E que ela podia ficar com o dinheiro que lhe tocava, pois estava cada vez minguando mais. E depois tinha que ficar sempre mendigando que lhe pagasse. Estou farta de ser mendiga, isso é pior que ser descendente de negros. Alias a Bisa era uma pessoa do bem, sempre me curava quando ficava doente. E se foi minha bisavô, e eu não sabia, será tudo por culpa da Marina.
Que as outras irmãs tinha telefonado tanto, que ela tinha tirado o telefone do aparelho e que estava indo para casa de uns amigos em Angra dos Reis, assim estaria fora da tormenta. E que eu não me metesse.
E teu pai, perguntou Olégario,………
Ele esta mais para mandar a Marisa a merda, do que realmente se incomodar com isso. Me lembro ter conhecido primos dele, bem mulatos.
Bom diga ao teu namorado, que gostei muito de como escreveu a reportagem.
Ele queria conversar contigo, para saber se podia ir junto.
Na verdade eu primeiro terei que saber a tradução de um texto, escrito por minha tataravô, que esta escrito em uma língua antiga.
Só então poderei saber o rumo que vamos tomar, e de onde partir.
Quando vais embora.
Olégario pensou que quanto menos ele soubesse melhor. Vou partir esta noite. Fugir como os malandros, que criam confusão e depois dão no pé.
Pensou e comentou com o Zico na hora do almoço, que deveriam ter trazido a Mariona para a fazenda, pois imaginava que a Marisa iria por ela e pelo Zico.
Aonde eu tenho o meu cafofo, ela não sabe, mas claro tem o telefone da Mariona, pois sempre a chama para cozinhar em grandes ocasiões.
Telefona para ela e avisa para ficar quieta.
Quando o Zico ligou, só se escutava ele dizer, hum, entendi, caramba, hum hum, , então não queres vir. Ok. Entendo.
Quando desligou, riu dizendo, não deu outra, a empregada atual é quase vizinha da Mariona, e a Marisa obrigou o filho a leva-la até lá. Mas como sempre chegou acusando a Mariona de ladrona, de cúmplice dessa tragédia, etc. Diz que entrou gritando casa a dentro, como se fosse a sua. O filho da Mariona a colocou para fora, e ela disse que ia processa-la. Quando perguntaram do que ela estava falando.
Das mentiras da Bisa.
Que mentira, disse a Mariona, que a senhora é a bisneta dela. Bom todo mundo sabe e sempre riram nas costas da senhora. E depois não adianta tingir seu cabelo de loiro, e esticar tanto, ele é ruim mesmo, cabelo pinchain mesmo, é de negro sim senhora.
Ai parece que ela tentou agredir a Mariona e que o filho teve que arrastar ela dali. Ela saiu gritando que a Mariona estava de conluio com o bastardo do Olégario, mas que ela ia descobrir aonde ele estava escondido.
Mariona disse que nem seus vizinhos mais pobres fazem tanto escândalo como ela. Se despediu dizendo que ia ao seu pai de santo, fazer uma firmeza conta essa mulher louca, e que o senhor fizesse o mesmo.
Todos riram muito, caramba, que confusão, temos que dar no pé rapidamente.
Ele riu, mas depois desceu a casa da dona Benê, e conversou com ela sentado embaixo da mangueira. Não se preocupe, tudo que ela fizer contra ti, se voltara contra ela.
Aonde já se viu isso, eu que sou mulher da roça, sei que filho de mãe solteira hoje é filho e não bastardo, que coisa mais antiga.
Lhe pergunto o que ela achava da ideia dele.
Eu só posso responder que estas realizando os sonhos da Bisa, vá com Deus e Nossa Senhora.

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